Precisamos falar sobre Martin Silva (de novo)



Martin Silva fez excelente partida contra o Cruzeiro (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco)

Escrevi, no fim de agosto, uma coluna sobre as atuações de Martin Silva no 1º turno do Campeonato Brasileiro – leia aqui. Era uma crítica bem simples: os números do uruguaio não condiziam com o nível de atuação que fez dele um ídolo de grande parte da torcida vascaína.

Coincidência ou não, o camisa 1 voltou a fazer bons jogos depois disso. Contra o Cruzeiro, neste domingo, talvez a sua melhor atuação em 2017. E ao contrário do que alguns devem pensar, isso mostra que minha crítica fazia sentido, não o inverso. Silva poderia dar mais do que vinha entregando. E é o que vem fazendo.

Os números, que antes iam contra Martin, agora estão ao seu favor. Sinal de que eles nem sempre são frios e erráticos.

Na época da coluna, Silva havia disputado 21 jogos, era o goleiro mais vazado do campeonato, tinha apenas a 23ª maior média de defesas simples e a 26ª entre as difíceis. Ou seja, a fragilidade defensiva era tanta, que o volume de finalizações contra o gol cruzmaltino era muito alto, mas ainda assim o número de intervenções era baixo. É óbvio que o problema não estava apenas no goleiro, mas ele também faz parte do sistema defensivo.

De lá pra cá, entretanto, o cenário mudou.

E se engana quem pensa que as estatísticas melhoraram apenas por conta das chegadas de Anderson Martins e Ramon – que sequer vem atuando, em razão de uma lesão – ao setor defensivo do time. As equipes continuam finalizando contra o Vasco – o jogo contra o Cruzeiro é uma prova disso -, o que é normal, mas as estatísticas individuais do arqueiro subiram.

Nas últimas 16 rodadas, período após a crítica, Silva teve a 7ª maior média de defesas simples da competição, empatado, por exemplo, com Jean, do Bahia, uma das revelações do campeonato. Sua média subiu de 1,7 para 2,4. Com uma defesa mais sólida, manteve o aproveitamento nos bloqueios difíceis – 0,7/por partida -, subindo apenas uma posição no ranking do Footstats.

E de goleiro mais vazado nas primeiras partidas, Martin passou a 26º na média de gols sofridos entre as rodadas 22 e  37. Essa sim, uma evolução coletiva, mas que passa também pela volta da consistência do goleiro, que passou a pegar bolas que antes vinha aceitando. Na época da crítica, o Vasco sofria gols em 40% dos chutes à sua meta. É um dado, não uma opinião. O número agora, pós-coluna, caiu praticamente pela metade: 20,5%.

Os números mostravam um Martin abaixo da média. E a crítica não só era válida, como era justa. Havia margem para melhora, e ela aconteceu. E a estatística, antes vilã para quem defendia o uruguaio, agora é a arma dos mesmos. E com justiça.

Como disse no primeiro texto, não dá para não falar de Martin Silva, para o bem do jogador, de sua idolatria e do Vasco. E, aparentemente, falar sobre o uruguaio fez bem a todos.

MARTIN SILVA ATÉ A RODADA 21
– Dados do Footstats

21 jogos
34 gols sofridos
Média de 1,6 gols sofridos por partida (pior média entre os goleiros com mais de 10 jogos no período)
35 defesas simples – 23ª maior média no período (1.7/jogo)
15 defesas difíceis – 26ª maior média no período (0,7/jogo)

MARTIN ENTRE AS RODADAS 22 E 37
– Dados do Footstats

13 jogos
9 gols sofridos
Média de 0,7 gols sofridos por partida (melhor média entre os goleiros com mais de 10 jogos no período)
31 defesas simples – 7ª maior média no período (2.4/jogo)
9 defesas difíceis – 25ª maior média do período (0.7/jogo)



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