Pimenta vascaína



Vasco venceu o Avaí com dificuldades (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

Vasco venceu o Avaí com dificuldades (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

Poucas coisas são tão ruins quanto uma pimenta mal feita.

Nem tanto pelo gosto, mas pela expectativa que se cria ao abrir aquele singelo vidro que brilha um vermelho tão intenso que as bochechas acompanham a coloração só de olhar.

Você separa o lenço e o copo d’água antes mesmo de girar a tampa. Se necessário, usa um pano como máscara.

Quando se abre, porém, o cheiro forte e marcante, antes esperado, dá lugar a um insosso odor de azeite temperado – erradamente, claro.

Contra o Avaí, o Vasco caiu nesse mesmo preparo errado. Parecia que seria forte e encorpado, que talvez pudesse tirar até algumas lagrimas alheias, mas não foi. Quase inodoro e insípido, deu pouco gosto – ou nenhum – de ver.

O 4-2-3-1 adotado por Milton Mendes era promessa de um time mais bem temperado que o que vinha atuando nos últimos jogos. Era, basicamente, a mesma receita das vitórias contra Fluminense e Bahia, onde mostrou seu melhor futebol. Entretanto, não repetiu o desempenho.

Nem sempre os mesmos ingredientes rendem pratos iguais.

A pimenta, ao que tudo indica, ficou somente para as arquibancadas. Aliás, algo que já é uma tradição em ano de eleição no Vasco. As arquibancadas, que deveriam unir pessoas com propósitos iguais – o clube -, se torna um campo de disputa política.

Uma tradição nacional em diversos campos, aliás, onde o interesse individual muitas vezes se sobrepõe ao coletivo. Infelizmente. Situação que só beneficia quem presa pelo embate, pela divisão, não pela paz e união.

Em campo, a nítida sensação era que faltava alguma coisa. Um leve toque de algo que ainda não foi descoberto por Milton Mendes.

Se a entrada de Nenê elevou a qualidade do meio-campo, a volta de Luis Fabiano fez pouco efeito, com o atacante participando pouco do jogo. Tanto que o gol de Pikachu, que decidiu o duelo, nasceu de um lance típico de artilheiro, com o meia-direita fechando como centroavante para completar a linda jogada do camisa 10.

Yago estava exatamente na posição do Fabuloso. Em noite pouco apimentada, o goleador esteve quase sempre distante do gol, o seu ópio.

Ofensivamente, Nenê parecia o único disposto a incomodar de forma consistente. A gota solitária de pimenta nos olhos dos outros.

Douglas também voltou a reencontrar o bom futebol, mais participativo, atuando na 2ª linha ao invés da 3ª. De frente para o campo adversário, fez o que faz de melhor: pensou o jogo. Fosse um dia mais feliz da linha de frente, teria se consagrado.

O Vasco ficou devendo. Em campo e nas arquibancadas.

Certamente há quem veja como uma vitória dupla. Outros, como derrota única. E a nota triste fica exatamente por conta disso: a torcida, de forma unitária, não sabe o que sente com relação ao seu clube. Já não ama e nem sofre em bloco, há vertentes. Há ‘poréns’, ‘entretantos’ e outros tantos motivos escusos para se ocupar uma arquibancada.

O vascaíno já não é um só.

Ser inimigo de si próprio é o que faz muitas guerras terminarem rápido.

Ou perdurarem para sempre.

A do Vasco, continua.



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