A peneira de Zé Ricardo



Riascos seguem sem marcar pelo Vasco (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

Zé Ricardo fica no Vasco. O Cruz-Maltino, porém, talvez não fique por muito tempo no Carioca 2018.

Convenhamos: jogar com um time reserva no Estadual é muito mais uma peneira para a Libertadores do que outra coisa. Nem por isso, porém, tem que ser uma apresentação ruim. Principalmente no lado individual.

Veja bem, se é uma peneira, um teste, o mínimo que se espera é um pouco de entrega extra dos atletas que vão a campo. Afinal, é a oportunidade que tanto pleitearam. Mas o que se viu no Vasco, contra a Portuguesa, foi bem diferente.

A impressão que se deu na partida é que os únicos reservas a fim de se tornarem titulares são Rildo e Giovanni Augusto. Todos os outros pareceram satisfeitíssimos em serem banco, fazendo o feijão com arroz, sem nenhuma inspiração, numa morosidade quase que antidesportiva.

Eu diria que alguns pareciam até incomodados em estarem ali, tamanha a indiligência demonstrada. Não à toa a Portuguesa foi capaz de fazer uma linha de passe dentro área cruz-maltina, dando três toques no ar antes de marcar o gol do jogo. Feito que um time só é capaz de realizar diante da inércia do adversário.

É natural que um time sem ritmo jogue mal. É compreensível. Agora, individualmente, há de se ter um mínimo de elã, de vivacidade, de desconforto com a derrota. Até numa simples disputa de par ou ímpar. E isso não se viu em campo.

Foram 15 tentativas de chutes pelo lado vascaíno em todo o jogo. Apenas três em direção ao gol. Apenas uma com perigo – a de Rildo, que o zagueiro tirou em cima da linha, após passe de Giovanni. Todas as outras quase que despretensiosas. Mesmo perdendo desde os 29 minutos, o Vasco mais se acomodou do que incomodou.

Faltou qualidade individual no time coletivamente desmontado. O que mostra um grupo frágil.

Veja bem, enquanto a defesa segue na altitude de Sucre, falhando em profusão no jogo aéreo, o ataque se mantém insosso. E quando digo ataque, me refiro especificamente ao seu último homem.

Ríos – que não atuou – tem um gol no ano. Riascos, com o perdão do exagero, sequer conseguiu dominar uma bola na temporada. Isso impede o Vasco de praticar inclusive o famoso ‘futebol feio mas eficiente’.

Olha só, até aquele ataque de Evair e Edmundo, em 97, tinha o seu Luís Cláudio para os momentos de aperto, um centroavante típico para forçar o jogo pelo alto. Nesse Vasco, nem isso. Menos ainda os primeiros, quem dirá um reserva.

Sem volume na frente, o Vasco rodou bola sem ameaçar. Terminou a partida contra a Lusa com Rildo e Fabrício dentro da área suplicando por uma falha da defesa, que não ocorreu. Sem goleador, Zé teve que apelar para seus homens de lado numa bola aleatória. Sem êxito.

Faltou vontade, inspiração, ritmo, mas faltaram também opções. E se para o Carioca isso pouco incomoda, na Libertadores poderá fazer falta.



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