A passividade defensiva do Vasco



Desábato tem baixa média de desarmes (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco)

Os números defensivos são os piores possíveis: defesa mais vazada no ano entre os times da Série A, com 77 gols sofridos, equipe com mais derrotas em 2018, com 21, um saldo negativo no ano de seis tentos – marcou apenas 71 vezes -, 16 formações defensivas diferentes, três de seus principais zagueiros lesionados, outros dois já dispensados, e nenhum esquema ou formação definidos com oito meses já transcorridos. O clube Vasco, na temporada, ainda não virou um time.

E se os números brutos assustam, os dados mais detalhados explicam.

O Vasco chega na 23ª rodada do Brasileiro como a equipe de pior média de antecipações do campeonato, a segunda pior de desarmes certos, a 4ª pior em bloqueios de chutes e a última em defesas difíceis. Em resumo: o time de São Januário não pressiona o toque de bola adversário, não encurta os espaços nas áreas de finalização e não consegue parar os ataques sofridos.

Ou seja, em todos os quesitos defensivos, o Vasco ocupa as últimas posições. Abaixo até de sua colocação atual na tabela, uma posição acima do Z4.

E o problema defensivo começa no ataque. Dos homens de frente do time, que costumam atuar como titulares, Giovanni Augusto e Yago Pikachu possuem as maiores médias de desarmes. Ambos, porém, com um rendimento de somente 0,8 recuperações por jogo.

No Internacional, líder do Brasileirão, por exemplo, Patrick, que apesar de ser volante de origem tem sido uma das principais armas ofensivas do Colorado, tem média de 3,1. Lucca e Nico López, atacantes, têm um aproveitamento de 0,9 roubos de bola por rodada. No Vasco, Caio Monteiro, que pouco atuou, tem a melhor média entre os atacantes: 0,66. Ríos, titular na maioria das partidas, tem 0,36 em média. Maxi López, 0,16.

Nos números gerais da competição, o primeiro vascaíno no ranking de média de desarmes é Andrey. Com 44 recuperações de posse em 15 jogos – 2,9 por partida -, porém, é apenas o 24º na lista. Raúl – com 2,3 – é o 56º e Desábato – 1,9 – apenas o 94º. O argentino, inclusive, aparece no ranking atrás de jogadores com características mais ofensivas, como Luan, do Atlético Mineiro, Vitinho e Lucas Paquetá, do Flamengo, Carlos Sánchez e Diego Pituca, do Santos, Bruno Henrique e Keno, do Palmeiras, Zé Rafael, do Bahia e Matheus Pereira, do Paraná, entre outros.

O caso mais grave, porém, talvez seja nas laterais, local de origem dos principais gols sofridos pela equipe. Apenas nos três jogos sob o comando de Alberto Valentim, todos os seis gols sofridos nasceram pelos lados. Contra o Atlético-PR, em um cruzamento pelo alto vindo da direita de defesa. No duelo com o Santos, três bolas rasteiras pelos flancos, assim como os dois contra o América Mineiro, nesta quinta-feira. Faltou marcação nas laterais e ocupação de espaços na frente de zaga.

E quando olhamos os números individuais dos laterais vascaínos, entendemos a fragilidade. Henrique é o jogador mais bem posicionado no ranking de desarmes entre os laterais vascaínos, ocupando apenas a 65ª colocação entre os atletas da posição. Ou seja, com um desempenho no quesito inferior inclusive a reservas de outros times. Ramón, teoricamente o titular da esquerda, mas que convive com uma sequência de lesões, é o 67º. Lenon é o 70º.

Os números chamam ainda mais a atenção quando comparados a 2017. No ano passado, quando conseguiu se classificar para a Libertadores, apesar da limitação da equipe, o time teve a 6ª maior média de desarmes do campeonato, tendo Jean como o maior ladrão de bolas da competição, o lateral Gilberto com a 18ª maior média geral e Paulinho o 13º entre os meias. Nenhum dos três, entretanto, segue no clube.

E se ataque, meio e laterais tem dificuldades para parar os avanços adversários, no gol não é diferente. Martin Silva, que já não havia ido bem em 2017, tendo apenas a 35ª maior média de defesas difíceis no campeonato e a 21ª nos bloqueios simples, segue com dificuldades. Ou até mais.

Apesar do alto volume de ataque sofrido, Martín tem somente a 34ª melhor média de defesas difíceis, ficando atrás inclusive de seu reserva, Fernando Miguel – 0,66/j -, que aparece em 26º. A média de Silva, que em 2017 foi de 0,68, este ano caiu para 0,37.

Dos goleiros que atuaram em mais de 10 rodadas no Brasileiro, apenas Magrão, do Sport, e Jandrei, da Chapecoense, possuem uma média de gols sofridos maior do que Martín – 1,7, 1,5 e 1,4 por jogo, respectivamente. Ambos, porém, possuem média de defesas difíceis maiores, tendo salvado suas equipes mais vezes que o uruguaio. O camisa 1 do tem a 9ª maior média, enquanto que o arqueiro da Chape é o 27º. Silva, como já dito, é apenas o 34º.

De Maxi López à Martín Silva, o Vasco não tem conseguido parar os seus adversários. Seja pelo meio, pelos lados, pelo alto ou por baixo. Falta intensidade, constância e, principalmente, organização.

O trabalho de Alberto Valentim está longe de ser simples.

VASCO NO BRASILEIRÃO 2018
– Dados do Footstats

22 jogos
34 gols sofridos (3ª pior média)
289 desarmes (2ª pior média)
28 interceptações (pior média)
49,1% de posse de bola (6ª pior média)
10 defesas difíceis (pior média)
82 defesas simples (4ª pior média)

Youtube: Canal do Garone
Twitter: @BlogDoGarone
Facebook: /BlogDoGarone
Instagram:@BlogDoGarone



MaisRecentes

Vasco tem mais lesões do que vitórias em 2018



Continue Lendo

Não é azar



Continue Lendo

Artilheiro, Maxi López assume também o posto de garçom no Vasco



Continue Lendo