A passividade de Zé Ricardo e a vingança de Coudet



Wellington atuou mais avançado (Foto: AFP)

Coudet, técnico do Racing, era titular do meio-campo do River Plate naquele histórico 4 a 1 do Vasco, no Monumental de Nuñez, nas semifinais da Copa Mercosul de 2000. O então volante sofreu para cobrir o lateral-esquerdo Placente, nas investidas de Clébson, Juninho Pernambucano e Juninho Paulista, pela direita de ataque.

Não conseguiu, e seu time acabou goleado. Essa, inclusive, foi a última vitória dos cariocas em terras argentinas.

Conscientemente ou não, o treinador repetiu a tática vascaína, nessa quinta-feira, para devolver a goleada sofrida nos tempos de jogador. Uma vingança desenhada desde os minutos iniciais, mas que não conseguiu ser evitada por Zé Ricardo.

Assim como o Vasco de 2000, que envolveu e assombrou Coudet, o Racing aproveitou a fragilidade defensiva pelos lados para construir o placar. Quatro a zero fora o tango, com sua dramaticidade tradicional aflorando nos pênaltis perdidos por Lisandro Lopes e defendidos por Martin Silva. Todos eles marcados após jogadas pelo flanco esquerdo da defesa – Evander, Erazo e Wagner, deslocado no 2º tempo, foram os autores.

Os espaços aproveitados pelos argentinos, porém, em sua grande maioria, foram dados pela equipe de Zé Ricardo. A opção de entrar com Bruno Silva, estreante da noite, mudou a forma de jogar da equipe, facilitando estas brechas.

A mudança do 4-2-3-1 – utilizado desde o início do ano – para o 4-1-4-1, recuando Pikachu novamente para a lateral e jogando Evander para a esquerda, foi o grande erro de Zé Ricardo na partida. Fragilizou o ataque de um lado, que perdeu seu artilheiro, e a defesa do outro, colocando na função um jogador que tem dificuldades para recompor.

Yago mal passou do meio-campo, enquanto que Wellington, que não faz uma boa temporada, se tornou o ‘elemento surpresa’ em seu lugar.

O espaço apareceu – assim como o Racing já havia dado contra o Cruzeiro, na 1ª rodada -, mas nos pés de quem não está habituado a decidir. Wellington foi a pessoa errada no lugar certo. Por três vezes. E não marcou. O Racing, que tem sido certeiro contra brasileiros, não cometeu os mesmos erros.

Zaracho e Centurión, jogadores que buscam o um contra um, se colocavam em vantagem de dois pra um sobre Henrique, com Evander sofrendo para acompanhar as jogadas. Se em igualdade já seria difícil parar o bom ataque argentino, com superioridade se tornou praticamente impossível. E o primeiro gol não demorou pra sair. Nem o segundo. E se não fosse Martin parar Lisandro, mais uma vez, o mesmo aconteceria com o terceiro.

Vencendo, o Racing manteve a tática. Perdendo, o Vasco também. O grande erros de Zé Ricardo. Melhor para os argentinos.

O treinador, que mexeu muito antes do jogo, não encontrou alternativas para o decorrer da partida. O Vasco sangrou sem receber qualquer tipo de auxílio, principalmente na segunda metade do 1º tempo. E enquanto cambaleava, com uma fratura exposta do lado esquerdo, seu treinador apenas observou. Quando agiu, já era tarde demais.

Uma derrota vascaína na Argentina era previsível. Até certo ponto, aceitável. Uma goleada, porém, da maneira que foi construída, era evitável.

Youtube: Canal do Garone
Twitter: @BlogDoGarone
Facebook: /BlogDoGarone
Instagram: @BlogDoGarone



MaisRecentes

Sub-20 do Vasco poderá superar o desempenho do time de 2010, que revelou Allan e Luan



Continue Lendo

A Martín o que é de Martín



Continue Lendo

Valentim precisará fazer muito mais em 2019 para justificar sua permanência



Continue Lendo