A paixão de Romário



Milésimo gol de Romário completa 10 anos (Foto: Arquivo LANCE!)

Milésimo gol de Romário completa 10 anos (Foto: Arquivo LANCE!)

São Januário, 20 de maio de 2007, 18h48.

O semblante sereno de quem já esteve naquela posição esconde o nervosismo natural do momento. Romário e o gol se encaram como espelhos. São sinônimos. O Baixinho conhece a rede como ninguém. E é recíproco. Eles se amam.

Parado na marca do pênalti, o camisa 11 mastiga seu chiclete como um fumante que tenta largar o vício. Aquele é o último trago antes da abstinência eterna. É preciso saborear, deixar a fumaça sair devagar.

O cheiro do gol demora para se esvair da roupa. Está na pele, não é fácil largá-lo. Principalmente para quem sentiu o seu perfume por toda a vida.

Mãos na cintura, como se já posasse para a eternidade. Cabelos brancos que indicam que já é eterno. Ninguém parou o tempo tão bem quanto Romário.

Ninguém parava Romário.

O olhar para o árbitro segundos antes do apito é a última coisa que vê na caminhada para sacramentar a história. Dois passos, um leve salto para mudar o ritmo e a batida de direita, à esquerda de Magrão, canto contrário ao habitual. É gol.

A bola estufa as redes e, saudosa, volta aos pés de Romário. Ele a levanta, a põe no braços, como um recém-nascido, e a beija. Pela milésima vez.

Por mais de mil vezes Romário colocou a bola nas redes. E em todas ela retornou para ganhar o seu abraço, como um filho que corre em direção ao pai após o toque final do sino da escola. Reciprocidade que poucos artilheiros tiveram em suas carreiras.

Romário amou o gol e foi correspondido. E como não amar quem sempre o tratou com tanto carinho?



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