O arlequim vascaíno



Henrique teve participação direta no gol do Atlético-PR (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

Henrique teve participação direta no gol do Atlético-PR (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

“Tostines vende mais porque é fresquinho, ou é fresquinho porque vende mais?”

A clássica propaganda do biscoito agora ganha uma nova versão, vascaína: o Vasco oscila porque está em uma interminável construção ou está em uma interminável construção porque oscila?

Difícil responder.

A equipe de Milton Mendes tem mais faces e cores que um arlequim no Carnaval. Apresenta uma personalidade a cada fim de semana, e engana. Às vezes, se porta como um malandro engraçado, em outras, um desastrado que (se) atrapalha.

A variação do time de Milton Mendes passa pela escalação, caminha pela postura e se depara com a parte tática, depois de alguns tropeços pelo departamento médico. As alterações na proposta de jogo, seja por necessidade, circunstância ou desejo, são tão claras que podem ser vistas após um intervalo de apenas 15 minutos. E muitas vezes sem explicação.

Não há padrão definido. Ou conceito, estratégia. Nem tanto pela escalação, mas pela forma de atuar, que muda a cada jogo. Ou até mesmo dentro da partida.

Na vitória sobre o Galo – talvez a maior do time no Brasileiro até agora -, a equipe buscou triangulações e infiltrações – assim saiu o primeiro gol -, aproveitando a boa movimentação de seus jovens jogadores. Tentou também chutes de média distância, com seus volantes chegando à frente. Principalmente com Bruno Paulista.

Contra o Furacão, nesta segunda, porém, apresentou o oposto. Como se acordasse sem memória após um sábado de carnaval, o Vasco se colocou em campo disposto a ignorar tudo de bom que havia feito em sua última aparição. Individualmente e coletivamente.

Apesar de repetir o quarteto ofensivo que terminou a partida contra o Atlético-MG, o Vasco abusou da bola longa contra o Furacão – 46 no total -, dificultando para Paulo Vítor – o melhor em campo pelo lado vascaíno. Ao invés de consertar tentando colocá-la no chão, Milton levantou ainda mais. Com a entrada de Thalles, no intervalo, o time se limitou a cruzar bolas na área (36), sem nenhuma efetividade.

A saída de Guilherme Costa para a entrada do centroavante abriu um espaço defensivo que não foi coberto. Se na frente o jovem pouco criava, atrás ajudava. Era o meia quem acompanhava o ataque adversário até a linha de fundo pelo lado direito, auxiliando Gilberto e Jean. Por ali, porém, iniciou-se a jogada que resultado no gol de Ribamar, o único da partida.

Com total colaboração de Henrique, o pierrot vascaíno, é bem verdade. Com lágrimas nos olhos e o coração partido, o jogador viu a bola lhe passar por entre as pernas, em jogada até então tranquila e segura, e cair nos pés do ex-botafoguense.

Estava selado ali o destino do jogo que, de tão pouco atraente, merecia um 0 a 0 ocioso para fechar uma inócua noite de segunda-feira. Quisera o lateral que fosse diferente.

E os vascaínos também.

E segue Milton Mendes ainda em busca de sua Colombina. Sem êxito.



  • Marko Ramone Biblioteconomia U

    Bela análise, André. É um time sem identidade. Achei que o MM errou em não mesclar o time. Botando pelo menos o Escudero apoiando e orientando a garotada, mas jogou a responsa todinha nas costas deles. Pode botar a culpa dessa bagunça toda nele, no MM.

    • Carlos Geovanni

      É mesmo com o Escudero no meio fica mais lento mas também mais consciente . e ele por incrível que parecia deixou o time organizado.
      Claro que nem se compara ao nene mas.

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