Os pés que podem levar o Vasco à Libertadores



Paulão fez, de cabeça, o gol da vitória vascaína (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco)

Os desavisados irão dizer que foi a cabeçada de Paulão que garantiu ao Vasco a vitória sobre o Cruzeiro, no Mineirão, neste domingo, por 1 a 0. Eu discordo. O triunfo cruzmaltino nasceu mais de baixo, de onde quase tudo se desenrola no futebol: dos pés.

Não que a equipe de Zé Ricardo tenha sido dona do jogo, muito pelo contrário. Apesar da entrada de Evander como titular na vaga de Jean apontar um time de mais posse, o que se viu foi um Vasco recuado e esmagado pelos mineiros. O gol do zagueiro saiu da forma com que o time vinha gostando de sofrer: quase ao acaso.

Nenê, que errava mais bolas que um urologista desatento – foram seis passes errados e cinco desarmes sofridos -, arriscou de longe e conseguiu um escanteio. Ali, solto, sem precisar trocar passadas com os adversários, fez valer a categoria que tem, ainda que nem sempre a demonstre. Acertou a bola que precisava, na cabeça de Paulão. Um a zero.

Daí pra frente, o que se viu foi o Cruzeiro com a bola nos pés, o Vasco de olho no relógio e o seu torcedor de joelhos no chão. E os pés salvadores.

Primeiro o de Henrique, o canhoto, que impediu o gol de Arrascaeta, aos 31 minutos do 1º tempo. Após o intervalo, foi Martin Silva, de esquerda, quem parou o uruguaio. Aos 26 da etapa final, foi a vez de Anderson Martins, de direita, impedir que Digão repetisse Paulão. Mesmo pé salvador utilizado por Lucas Romero, que impossibilitou o 2 a 0 através de Pikachu.

Foi a cabeça de Paulão que estufou as redes, mas foram os pés que garantiram os três pontos.

Eu falei sobre os pés que salvaram, mas é necessário ser justo: Martin Silva foi corpo inteiro.

Das mãos que impediram Judivan e Alisson de marcar, passando pelos olhos que empurraram pra fora a linda jogada cruzeirense completada por Robinho, até o sensacional bloqueio com os pés, numa justa e instintiva homenagem a Danilo, da Chape, praticamente um ano após sua defesa imortal e o trágico acidente, Martin foi o coração cruzmaltino em campo. E Anderson Martins, a alma.

O Vasco sem Anderson é uma espécie de tábua oca, sem vida. Com ele, com sua imponência de general da 2ª guerra e classe de pianista do século XIX, a equipe irradia uma confiança até mesmo nas partidas mais complicadas, como a deste domingo. É como se a figura de Martins, sólida e esguia, por si só, impedisse gols. E os números provam: foi a sexta vez em 13 jogos com o defensor em campo que a equipe não foi vazada.

O Vasco precisava dar um passo adiante para seguir vivo na luta pela Libertadores. E se faltaram pés para jogar futebol – quase que um detalhe nesta reta final -, não foram poucos os que se propuseram a realizar pequenos milagres – um obrigação em épocas de decisão.

Pelos pés que não desistem, ainda que tropecem vez ou outra, o Vasco segue vivo. E caminhando rumo à Libertadores.



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