Os erros de Milton Mendes



Wellington não tem conseguido fazer boas partidas pelo Vasco (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco)

Vasco perdeu para a Chape por 2 a 1 (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco)

Pode ser ignorância minha, mas nunca ouvi falar de um caso em que alguém tenha acertado na Loteria sem ter jogado. Só ganha quem joga, quem tenta. O mesmo vale para o futebol.

O Vasco tem pecado nisso. Milton Mendes tem errado isso.

Fora de casa, o time não joga, se abstém. É um espectador de si próprio, que aguarda um impulso involuntário de um pé faceiro para fazer o que não tenta de forma orientada durante 90 minutos: o gol.

É o melhor visitante possível: educado, inofensivo e previsível.

O Cruz-Maltino é aquela visita que entra de meias no apartamento, para não sujar o chão, ajuda com a louça e ainda paga a pizza. Entretanto, seu objetivo ali não deveria ser se portar como uma companhia agradável para a janta, mas sim como um genro que chega para levar a filha do dono da casa para passear, mesmo sem o consentimento dos pais.

É necessário ser intruso quando se joga fora, não visita.

É clichê criticar treinador após derrota. Às vezes é até covardia. Mas quando se erra desde a estratégia, é difícil apontar uma falha que não seja, inicialmente, de comando.

Milton sabia que a Chapecoense atacaria pelos lados. É o ponto forte da equipe, com Reinaldo e Seijas pela esquerda e Apodi e Rossi pela direita. Tanto que escalou Alan como meia para dobrar com Henrique na esquerda. Não funcionou.

E não deu certo, ao meu ver, por um simples motivo: atacar também é defender.

Quando o técnico vascaíno optou por um time sem os meias abertos que vinha utilizando – Yago Pikachu, Manga, Guilherme Costa, Caio Monteiro e Kelvin, que se lesionou -, liberou os laterais da Chape da obrigação de marcar. Não haviam preocupações para subir.

E o Vasco acabou encurralado.

Enquanto isso, centralizado, Wellington – que não tem a pegada de Jean e nem a saída de bola de Douglas – assistia a partida sem ter a quem marcar. Assim como Mateus Vital e DG. O jogo se concentrava pelos flancos e terminava quase sempre em cruzamentos, que a altura não lhes permitiam cortar.

Até Luis Fabiano fez falta na defesa. Mais precisamente no jogo aéreo nas bolas paradas, a principal arma da Chape e de onde nasceu o primeiro gol da partida, anotado por Andrei Girotto.

Milton fez a leitura certa, mas corrigiu errado.

Há uma certa teimosia no futebol brasileiro com jogadores originariamente defensivos que mostram qualidade com a bola nos pés. Todos, mais dia ou menos dia, serão avançados para alguma posição mais próxima do gol.

Aquele ‘passinho à frente, por favor’, do busão nosso de todo dia.

Algumas vezes dá certo, como o caso de Felipe. Em outras não, como Júlio César.

Grandes laterais já viraram apoiadores comuns. Excelentes volantes acabaram se tornando articuladores medianos.

Sou contra, na maioria das vezes. Saber jogar com a bola nos pés não deve ser um privilégio apenas dos homens da frente. Aliás, privilégio é ter na defesa jogadores com essa qualidade.

A bola da vez é Douglas Luiz.

Se destacou como volante no sub-20, subiu e se firmou como segundo homem de meio nos profissionais, despontou, e, com a entrada de Wellington, virou meia ofensivo. Contra o Grêmio, foi praticamente centroavante.

Mais um pouco e vestirá luvas, assumindo a posição do goleiro adversário, tamanha a necessidade de vê-lo próximo ao gol, como se sua única qualidade fosse a finalização. Não é.

Perde o time em saída de bola, fica sem também o seu elemento surpresa e ainda sem a opção de ter outro jogador de criação no setor. Inclusive um que pudesse segurar os laterais da Chape em seu campo defensivo. Alguém que obrigasse os defensores a manterem o alerta ligado.

Algo que só aconteceu quando Manga entrou, Wellington saiu, e Douglas foi recuado. Tarde demais.

Milton escolheu ser acoado, exatamente contra um time que estava disposto – e treinado – a fazer isso.

É possível se defender atacando. Assustar inibe. E isso é necessário dentro e fora de casa.

Expôr o time, como fez contra o Corinthians, é uma situação diferente. A alteração muitas vezes tem que ser de postura, não de estrutura.

Contra um dos ataques mais eficientes do Brasil, o do Fluminense, o Vasco conseguiu ser superior no meio-campo sem precisar de dois volantes de contenção. Foi a última grande atuação do time de São Januário.

Desde então, alterações equivocadas, na escalação e no decorrer dos jogos, têm feito com que o rendimento geral da equipe caia. Contra a Chape, mais uma vez.

Por quase um mês, Milton Mendes treinou um 3-6-1 que só foi posto em prática como variações eventuais dentro de algumas partidas. Implantou o 4-2-3-1, mudou para um 4-1-4-1 com a saída de Nenê e agora parece indeciso, não apenas com a formação mas também com os nomes que utiliza.

Andrezinho, Muriqui, Alan Cardoso… Atletas que não vinham sendo aproveitados e que surgiram como opções de repente. Em contrapartida, Wagner, Guilherme Costa e Pikachu, titulares em alguns jogos, sequer vêm entrando em campo.

Escolhas contestáveis de Milton Mendes que mostram um Vasco ainda com rumo incerto.



  • Marcos Valqueire

    Nisso eu tenho que concordar com vc!
    Acho que ele está pensando que está treinando o Santa Cruz azul ainda.
    Também não sei de onde saiu essa estratégia de mudar a maneira como o time joga.
    E tem mais, só está ganhando em casa graças ao apoio da torcida.

  • Pedro Henrique P. Souza

    Compartilhem esse texto até chegar ao M.M
    Colocar 3 volantes, 3 laterais, 3 zagueiros, 3 goleiros não significa defender bem. Atacar pode ser a melhor defesa. Douglas é volante e não meia armador. Cadê Guilherme C., Caio Monteiro jogando mais, manga de c.a quando fabuloso não joga. Chega de inventar cara, lateral é na lateral e meio campo no meio. Pelamor!!!

    • Paulo Cesar

      Se sou o presidente do VASCO teria demitido o Merton (mistura vocês sabem de que) no intervalo do jogo. Assistir o jogo do VASCO desde o primeiro minuto só esperando a derrota é duro. O VASCO tem que ser temido e não temer qualquer adversário.

  • Alexandre De Oliveira Terra

    Perfeito! Técnico covarde! Paciência tem limite!

  • É um cara esforçado e humilde, gosto dele. A culpa não é dele. O campeonato carioca não é preparação pra nada, e quando chega no BR sem um time definido – ainda mais que tiveram contratações ao longo do tempo – faz com que o técnico fique indeciso mesmo, tendo em quase 10 rodadas ficar variando o time pra tentar defini-lo. Complicado. Vai ser assim no primeiro turno, no segundo vai ser sangue e suor, com ele ou com outro técnico. Cair de novo? Nem pensar.

  • Vander Vasco

    Sabemos q o elenco é fraco, não teve planejamento NENHUM dessa diretoria amadora e incompetente, começou campeonato sem zaga, os titulares agora eram encostados ou renegados de outros clube etc… mas o sr. Milton Pardal tá passando dos limites da INCOERÊNCIA e falta de critérios nas escalações e nas mudanças… é inadmissível a forma que o Vasco entrou em campo, e pior ainda as mudanças feitas… entrou pra EMPATAR e como sempre vai PERDER!!!
    p.s.: E QUE NEGÓCIO É ESSE DE “POUPAR” O ARTILHEIRO DO TIME?! SERÁ QUE NÃO SABEM QUE O VASCO JÁ FOI ELIMINADO DE TUDO E SÓ TEM O BRASILEIRÃO PRA TENTAR ESCAPAR DE MAIS UM VERGONHOSO REBAIXAMENTO????

    #FORAEURICO

  • Paulo Cesar

    Tem que queimar ele logo. Veja o exemplo do Celso Roto.

  • Marco

    A ideia de poupar, e ter L.Fabiano inteiro para jogar em casa contra o Avai. A logica e simples, se “fizer o dever de casa”, e faturar alguns pontos fora, escapa do Z4, e consegue ate uma vaguinha na Sulamericana. O time nao e ruim, e da para o que se espera dele, mas o MM tem que para de inventar um pouco. O Post do Garone na relacao com o jogo, e quase a mesma que comentei ontem, o que mostra que ja era mais que previsivel. Sem inventar, M.Silva, Gilberto, Breno, Paulao, Henrique; Jean; Douglas, Matheus, Nene e Manga; Thalles. Tambem concordo que esta mais que na hora de alguem colocar o Douglas de volta no lugar dele, pois parece que se perdeu entre as idas e vindas da Selecao Sub-20, e nas historias midiaticas de momento. Pontos que nao entendo, e que talvez possam me explicar:
    1) Sera que Wellington e tao bom assim? Para mim ate agora nao mostrou ser melhor que nenhum jogador que ja tinhamos para a posicao, e me parece que Bruno Paulista ja tem ate camisa reservada para a 9a. rodada.
    2) Sabendo (so nao ve quem nao quer) que o time se torna extremamente vulneravel sem o Jean em campo, porque o MM o tira constantemente no 2nd tempo quando precisa buscar resultado (Corinthians e Gremio por exemplo)?
    3) Muita gente pode nao gostar do rapaz, mas ainda acho que Thalles tem lugar nesse time quando L.Fabiano estiver fora, mas para que inventar com Alan de meia e Nene de centra-avante?

    • Paulo Wagner

      O time é esse mesmo que você escalou. Por que inventar?

  • Dirceu

    Muito bom comentário Garone. O nosso Milton Pardal, que começou mostrando um bom trabalho, organizado, preocupado com a disciplina tática, com o comprometimento de todos os jogadores, infelizmente parece se considerar “bestial”, quando na realidade usa a visão e a lógica distorcida de uma besta.
    Ele está perdido, suas invenções contrariam a racionalidade comum, tudo indica que chegou ao limite de sua competência.
    Ontem, como você bem disse, montou um time aleijado, com o objetivo declarado de não sofrer um gol. Se sei que meu adversário não tem poder para me atingir, vou bater sempre. E foi isso que vimos em campo, só um time atacava. Vejam que a luta era contra um adversário vindo de duas derrotas, que há pouco mal havia conseguido juntar um time. Vergonha.
    Seus treinos parecem não servir para nada, diante dos seus geniais lampejos. Lançar o fraco Alan, o inoperante Wellington e travesties o Nenê de centroavante é, no mínimo, uma brincadeira de mal gosto, tripudiar de nossa inteligência, tudo isso com Manga, GUILHERME, Thales, Caio Monteiro, Bruno Galo, a sua disposição.
    Minha paciência com o Milton se esgotou. Todos têm o direito de cometer erros, mas insistir neles e considerá-los tentativas válidas, normais, comprovam a sua incapacidade para levar-nos aonde desesperadamente precisamos chegar.
    A procura de um plano B se faz urgente.

    • Paulo Wagner

      Perfeito! Surpreende o fato de vermos uma Chapecoense, que saiu praticamente do zero há seis meses, montar um time melhor e tendo menos recursos financeiros que o Vasco. Ontem, foi uma lástima. O time só se defendeu, e mal, durante praticamente o jogo todo. Era questão de tempo o gol adversário sair. Isso não pode ser a postura do Vasco jogando fora de casa. Até porque, não vai ser sempre que o Vasco vai vencer seus jogos em São Januário. E pontos como os do jogo de ontem vão fazer falta no final. E eu nem quero comentar sobre o Alan, o Andrezinho, o Muriqui, o Escudeiro…

  • Paulo Wagner

    Perfeito! Há derrotas duras, como a do jogo contra o Corinthians, que é um time superior ao do Vasco atual, pelas circunstâncias em que ocorre. Mas há outras muito amargas porque o resultado poderia ser diferente. Porque havia condições reais de vitória. Como ontem. E a vitória não veio porque o Vasco se escondeu o tempo todo em campo. Nós poucos momentos em que teve uma postura mais ofensiva, teve chance de marcar. Mas, por alguma razão, Milton Mendes fez o time se esconder em campo, buscando só se defender. Acho que, com todos os problemas que o Vasco tem, essa decisão é pequena em função do que o elenco do Vasco pode produzir. Houve avanços em relação ao Cristóvão, mas Milto Mendes começa a se complicar por conta de suas ideias. Desnecessariamente. E enquanto formos visitantes comportados e medrosos, vamos desperdiçar pontos que podem fazer falta no fim do campeonato.

  • Luciano Silva

    O MM já tá inventando demais . Essa de escalar Nenê na frente e o inexperiente Allan para fechar a esquerda é mais um invenção. Sabendo que os laterais da Chapecoense atacam muito era para ter botado Picachu , Manga ou Caio Monteiro nas costas desses laterais .E cade Guilherme Costa . Sei não acho que o prazo de validade do MM no Vasco já está expirando.

  • Ailton Ferreira

    Ótimo texto Garone, só vou discordar em relação a capacidade de finalização do Douglas, ao meu ver é sua maior deficiência.

    Quanto ao MM, não faço idéia o que se passa em sua cabeça. Wellington e Jean no meio destroem qualquer saída de bola que o time possa ter, embora o Jean ainda cumpra o papel de marcação muito melhor que o colega Wellington que em todos os jogos só está passeando em campo. O Douglas é segundo volante e ponto final. Ele tirou o garoto de posição e nosso meio campo acabou pq é justamente ele que faz a saída/transição defesa ataque. Sem saída de bola apela-se ao chutão, e Milton tem a idéia genial de botar Nenê de centroavante?! beirando a insanidade, vai entender. Alguém achar que é possivel passar 90min sendo atacado e não levar gol é burrice, uma hora a bola entra, leis da física.

    O time já mostrou que tem capacidade pra não sofrer demais na parte de baixo da tabela, eu acho que se entrar-mos nos eixos terminamos entre os 10 primeiros, mas pra isso o professor vai ter que parar de inventar, pq ELE já nos tirou pontos que farão falta lá na frente.

  • Dulcka Souza

    Garone o Milton Mendes tá errando muito.. Ele deveria ter entrado com o time que deu pressão no corinthians ..
    Não sei o que ele quis fazer com o jogo de ontem … Não sei o que ele ver no welinton…

  • Luiz Eduardo Vaz

    Perfeita análise André…aliás o MM é mais um técnico que não enxerga o óbvio…não só em relação aos jogadores que tem no elenco e suas capacidades, como a dimensão do clube. Vejam qualquer jogo da Ponte, do Chapecoense, do Coritiba, etc etc etc fora de casa e verão a postura deles, se defendem mas NUNCA abdicam de contra atacar. O Vasco joga fora única e exclusivamente para não perder e se Deus quiser arrumar um empate. É assim há anos, desde 2012. Entra técnico, sai técnico e continua a mesma coisa. Não dá para torcer ou melhor nós ficamos torcendo para não tomar gol. O jogo de ontem foi mais um assim…até quando ???

  • paulo almeida

    Excelente comentário. Até agora estou com a sensação de que o Douglas poderia ter evitado o chute do segundo gol se tivesse a disposição do Jean.

    • Ismael Machado

      acho a mesma coisa

  • zilmar lima

    Bela análise. O Milton a cada jogo traz uma escalação diferente, independente se o time ganhou ou perdeu o jogo anterior, aquela máxima que time que está ganhando não se mexe, pra ele não significa nada. Agora colocar o nenê naquela função no ataque foi pra acabar.

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