Os contrastes entre Vasco e Inter



Pikachu teve atuação discreta (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco)

Desde o início, as diferenças eram tão gritantes quanto o contraste dos uniformes. Um vermelho e o outro branco. Um aceso, vivo, vibrante, e o outro, pálido, frígido. Um Internacional que babava grosso, como se fosse viajar no dia seguinte para disputar a Copa do Mundo, contra um Vasco que procurava o controle da tv e ajeitava o despertador para assistir Rússia e Arábia Saudita embaixo das cobertas.

O Inter atacava com Patrick, Lucca, Nico López, William Pottker e Leandro Damião. Meio time. Uma supremacia individual e coletiva. O Vasco, sem Breno, Ricardo Graça, Werley, Paulão e sentindo saudades até de Dudar, se defendia como podia. Ou tentava.

Com 10 minutos de jogo, Patrick rompeu entre os volantes vascaínos com a ferocidade de uma criança ao desembrulhar os presentes na manhã de Natal. A defesa cruzmaltina era o papel. O meia passou para Nico López, que rasgou o laço sem a menor cerimônia, fazendo 1 a 0.

Entre o setor defensivo do Vasco e o ataque, um espaço capaz de abrigar a lacuna deixada entre o Carnaval e o Reveillón. Desábato, Andrey e Bruno Cosendey, responsáveis por essa ligação, não começaram bem a partida. Assim como Luiz Gustavo e Henrique, os laterais vascaínos. Espaçada e no ritmo de um húngaro desatento no Sambódromo, a equipe de Jorginho bateu o seu recorde de passes errados no Brasileirão.

O Inter dominava mas assustava pouco. Também errava muito. Foram 35 passes sem direção dos gaúchos, mesmo com os vascaínos pressionando pouco. Ou quase nada. Ainda assim, era claramente superior. Uma supremacia tão natural quanto o segundo gol colorado.

Veja bem, cruzamentos na área do Vasco são tão perigosos quanto pênaltis. Na verdade, até mais. Com Martín Silva no gol – Fernando Miguel foi o titular nesta noite -, o aproveitamento nas penalidades até que não anda dos piores. Nos levantamentos, porém, independente de goleiro ou dupla de zaga, segue ruim.

‘Escanteio is the new pênalti’, diriam alguns.

Damião ganhou do jovem debutante Miranda e escorou para Patrick, um dos coadjuvantes mais protagonistas desse Brasileirão, fazer 2 a 0, aproveitando o erro de marcação de Luiz Gustavo.

O placar construído antes do intervalo e a bola na trave logo no início do 2º tempo, colocada por Nico López, trouxeram de imediato a lembrança do último encontro entre os clubes no Beira-Rio: 6 a 0 para o Inter sobre o Vasco de um recém chegado Jorginho. O time recebido pelo treinador, dessa vez, porém, tem mais opções do que as deixadas por Celso Roth na ocasião, apesar de muitas delas estarem no Departamento Médico.

Uma delas, entretanto, já pode ir a campo: Ramon.

O lateral não é nenhum fora de série, muito longe disso. Mas é um dos poucos que conseguem equilibrar entrega e organização no atual elenco. Curiosamente, um de seus principais defeitos em sua primeira passagem pelo clube, entre 2009 e 2011.

Num grupo tão frágil como o vascaíno, qualquer ganho técnico faz diferença. E Ramon fez, mudando a dinâmica do time. Assim como Andrey sempre tem feito.

O volante, criado na base de São Januário sob a benção da capelinha da Nossa Senhora das Vitórias, não estava bem no jogo, é verdade. Mas há jogadores que precisam de 90 minutos constantes para acharmos algo que justifique sua estada sobre o mesmo gramado que seus companheiros, e outros que em segundos lhe esfregam a resposta na cara antes mesmo de emitirmos a pergunta. Andrey é um destes casos.

Pouco participativo e até disperso em alguns momentos, o jovem precisou de uma única boa escapada de Yago Pikachu dos ótimos Cuesta e Moledo para acertar um lindo lançamento para o camisa 22. O desfecho da jogada, entretanto, caiu no esquecimento, com o artilheiro cabeceando para trás. O lance mostrou, porém, que uma bola poderia dar nova vida ao Vasco. E deu.

O chute de fora da área – mais um -, é bem verdade, contou com a ajuda de Marcelo Lomba, que viu a bola escorrer por entre seus dedos como uma barra de chocolate no verão. Um jogador mediano, entretanto, teria mandado a mesma bola para perto de Sochi, onde a Seleção Brasileira faz seus últimos ensaios. Um ruim, sairia de ambulância e colar cervical. Andrey, por sua vez, mandou nas redes, de primeira.

A resposta do Inter, porém, veio mais rápida que a arrancada de Patrick no 1º gol. De novo na jogada aérea, outra vez próximo de Miranda, que sequer deveria estar ali aos 18 anos, estreando num jogo naturalmente complicado, e Luiz Gustavo. Cuesta não teve sequer a humildade de saltar, para mostrar um pouco de dificuldade: 3 a 1.

A diferença, em campo, entre Inter e Vasco, foi para mais de dois gols. Assim como a distância entre os dois na tabela já é de mais de duas vitórias – sete pontos. A briga dos dois é diferente em 2018. O trabalho a ser realizado durante a Copa do Mundo também.

Enquanto os gaúchos não podem deixar desandar, os cariocas precisam achar um novo caminho para voltar a andar. E este será longo…



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