Os celibatários da verdade



Nenê marcou de pênalti (Foto: Francisco Stuckert/Raw Image)

Nenê marcou de pênalti (Foto: Francisco Stuckert/Raw Image)

Eu poderia usar esse espaço para falar da arbitragem (e quando cheguei no meio vi que usei mesmo). Mas me ater somente a isso seria como avaliar um restaurante apenas pelo atendimento de seu manobrista. Por mais que seja relevante no todo, não é o ator principal. Ainda que um erro mude toda a sua noite.

Ele tem a função de um montinho artilheiro: interfere, mas não embeleza. Só aparece quando atrapalha. Às vezes, só um comemora. Em outras, os dois reclamam.

O manobrista bateu com seu carro no estacionamento. A carne é boa ou ruim? É mais ou menos por aí.

O que ocorreu, todos viram. E cada um terá sua própria opinião do que aconteceu. Em cada lance. Uns discutíveis, outros não – como o pênalti mal marcado. Como a arbitragem é blindada – e, ao que parece, também intocável e facilmente desequilibrável -, teremos apenas nossas próprias versões do que houve.

Eles, ninguém ouve. São os celibatários da verdade. Guardam no silêncio a falta de união com a realidade da rápida informação.

Versões nada mais são do que supostas verdades baseadas em vivências próprias. Inclusive nas de torcedores que todos somos. Duvide de quem diz que não é. Ninguém avalia fast-food de dieta. Portanto, cado um que tenha a sua visão.

Em campo, um clássico de quase iguais. Dois times que tinham na velocidade dos seus pontas a expectativa de romper a última linha. Do lado do Flamengo, Berrío e Everton. No Vasco, Pikachu e Henrique. Este último, subindo no lugar de Andrezinho quando sua equipe tinha a posse.

O Fla, mais azeitado. O Vasco, mais apimentado. Ou seja, com um tempero colocado por Milton Mendes. O time ainda se vale mais de um ímpeto cobrado do que de algo que já está enraizado, como é o caso do Rubro-Negro.

Não é natural, é forçado. Portanto, há erros. Claro, normal para quem tem um técnico que chegou ‘ontem’.

O mérito está na tentativa. O Cruz-Maltino se portou, novamente, como quem busca a consolidação de um conceito de jogo, que engloba marcação alta – como no gol de Pikachu -, rápida recuperação de bola – ou ao menos a parada da jogada – e um posicionamento bem definido para contra-ataques.

Uma mudança muito brusca para apenas dois jogos. Rápida, mas perceptível. Talvez isso seja o que mais impressiona.

Errar e ser pressionado contra um adversário que vem de um desempenho bem melhor, era de se esperar. O 1 a 0 no 11 contra 11, com poucos sustos e oportunidades de ampliar, porém, surpreendeu. A capacidade do Flamengo todos conheciam, a de recuperação do Vasco é que foi a novidade.

Há muito mais por trás do placar que apenas o número de gols.

Mesmo com o pênalti equivocado, o time de São Januário conseguiu se reencontrar após o baque da expulsão e da virada. Principalmente após a boa entrada de Manga. Se não mereceu o gol de pênalti que fez, mostrou mérito, por exemplo, no chute de Douglas no travessão.

Poderia ter sido um 2 a 2 sem que soubéssemos o nome do árbitro ou a cor da camisa do bandeirinha, mas não foi o que se desenhou. E não por culpa dos clubes, duplamente prejudicados.

O resultado em si é tão relevante quanto saber se a barriga de Luis Fabiano é capaz de desequilibrar um juiz como a de Renato Gaúcho desequilibrou uma final. Mudou pouco para os dois. Aos vascaínos, entretanto, o desempenho – ainda que perdesse com um a menos – mostrou evolução.

O Vasco de Milton Mendes demonstrou uma ideia definida, vontade, busca pela organização e brio. Ainda é pouco para o ano, mas já é algo bem valioso para uma semana de trabalho.



  • Eric Rafael Dos Santos

    Básico, tem que ter sangue! E parece que o time agora tem, Cristovão infelizmente não tem e passava isso para o time na minha opinião!

  • Luciano Silva

    O Milton Mendes subiu no meu conceito e acredito de parte dá torcida. Alem de ter descoberto o óbvio de que o Picachu é tudo menos LD e botou ele na posição que rende mais , quando o Luiz Fabiano foi expulso ,se o Vasco tivesse um técnico .medroso que se apegasse ao cargo, como o Cristóvão , botaria Júlio dos Santos e o B. Gallo para fechar a equipe e não tomar goleada . Mas não , o Mendes fez o certo botou o time para o ataque . Só acho que além do Fabiano , o Andresinho está destoando um pouco do time , se eu fosse o Mendes botaria o Mangá (até o Kelvin voltar) no lugar dele . O time ganharia em velocidade e ficaria mais equilibrado .SV

  • NIVALDO

    Vasco está sendo sustentado pelos árbitros e vai ser assim durante todo o Brasileirão Série A para tentar evitar o 4º rebaixamento para Série B. Observem que o Vasco também estava perdendo para o Vitória por sinal também rubro-negro dentro de São Januário por 1×0 oi time baiano com 10 jogadores desde o primeiro tempo, o lance do penalty aos 47 o árbitro já se

    preparava para marcar mesmo antes do jogador cair ainda fora da área pela Copa do Brasil, mas aqui em Salvador foi
    humilhado e perdeu de pouco por 1×0 eliminado da Copa do Brasil.
    Contra o FLA a mesma coisa, o time do bacalhau é fraco sim e vai ser rebaixado pela 4ª vez somente, só se salva com os êrros crassos entre parentes de árbitros como de ontem, mas nada disso justifica o rendimento do elenco do
    Flamengo dentro de campo que mesmo reserva é infinitamente superior, era jogo para meter no 2ºtempo , 3 ou 4×1 facilmente

    • SuportePc.Clinic

      kkkkkkk, vc é uma comédia seu 4 dentes, que jogo vc assistiu? Seu otário, desdentado, FDP , vai comer o bandeira de Melo seu Verme do inferno

  • Dirceu

    O melhor da partida de ontem foi a constatação de que observamos um pouco mais de evolução tática no time do Vasco.
    Mesmo com alguns desfalques, fica claro que vimos um time que nos dá a certeza que apresenta em campo, mostrando aquilo que foi treinado em casa.
    Faz muito tempo que apresentações ridículas se sucediam, sem que observássemos a mão de um técnico, uma mudança que denotasse a existência de um ser inteligente à beira do campo.
    E tudo isso, sendo obrigado a colocar em campo um Andrezinho lento, um Pikachu inconstante, e um Luiz Fabiano, completamente sem condições físicas para disputar uma partida profissional.
    De outro lado, isso também nos dá novo alento, esperanças de que podemos melhorar bastante e, finalmente, formar uma equipe competitiva, que mesmo sem os valores humanos necessários à disputa do título nacional, nos dê a certeza de que podemos nos colocar com segurança, na parte de cima da tabela.
    Avistei um sinal de fumaça no horizonte, agora sei que existe calor, energia, fogo. A fumaça ainda é branca, mas podemos sonhar que “habemos” técnico.

  • Paulo Wagner

    Juízes a parte, pelo menos vimos um Vasco mais organizado e, principalmente, com vontade. Coisa que o time do Cristóvão definitivamente não tinha. De bom, ficaram as mudanças promovidas durante o jogo pelo Milton Mendes. Mesmo com 10 em campo, em momento algum ele colocou o time na defesa. Pelo contrário. Pôs o time para frente e buscou o empate. Manga entrou muito bem. O mesmo não pode ser dito de Thalles e Escudero. Esse último ainda não disse a que veio, assim como Muriqui. E se o Luis Fabiano não tivesse feito a burrada que fez, a vitória era quase certa. Mas foi exatamente esse Luis Fabiano que deixou o Brasil em 2015. Ainda que com melhoras visíveis, falta muito para o Vasco ter um time competitivo. Por enquanto, por mais que Eurico diga o contrário, a luta é para não cair de novo.

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