Os braços de Chapecó estão abertos. Abracem!



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Sempre quis ser jogador de futebol. Tenho comigo que todo garoto – e cada vez mais as garotas, incluindo minha filha – um dia sonhou com isso. Mas hoje, especificamente nesta data, nunca quis com tanta vontade. E sem vaidade.

Quisera eu, ainda que por um dia, ter a chance de entrar na Arena Condá, vestir o verde e ser abraçado pela família que é sua torcida.

Tocar a mão do pequeno indiozinho, mascote do clube, e lhe dizer que a vida é dura, infelizmente. Que as flechas que lançamos não voltam, mas é preciso manter o arco em riste. Principalmente aquele que carregamos no rosto, logo abaixo do nariz. O sorriso.

Tudo ao seu tempo.

Ser, talvez por alguns minutos, herói como Danilo, guerreiro como Josimar, Gil e Gimenez, cerebral como Cléber Santana, imponente como Thiego, goleador como Kempes e Rangel, veloz como Lucas Gomes e Thiaguinho ou ter a estrela de Ananias.

Fazer um gol e abraçar meu treinador, como se fosse Caio Júnior. Olhar para as arquibancadas e sentir que também os abracei. Ajoelhar e apontar para o céus sem medo de abrir os olhos.

Os heróis não morrem, viram exemplos. Não será difícil ouvir em pouco tempo de alguém em Chapecó: “Esse aí defende muito, me lembra o Danilo”.

Ídolos se tornam adjetivos.

Não surgirão novos iguais. Não se substitui pessoas. Os próximos chegam para homenagear, dar continuidade a vida da cidade, do clube, dos que ficam. Jamais para tapar o buraco.

Estes, já foram abertos. Não fecham. Mas dá para plantar sementes neles.

Eu gostaria de jogar na Chapecoense, mas não sou capaz. Sou jornalista, não atleta. Queria poder contribuir profissionalmente com mais que um texto, quem sabe um gol, uma defesa, mas não posso.

Aos que podem, por favor, vão. Acreditem, o prazer será todo de vocês.

Os braços de Chapecó nunca estiveram tão abertos. Abracem! E, em troca, sejam abraçados. Como todos gostaríamos de fazer neste momento.

Aos que carregam no peito mais que escudos, estejam lá para os que estão com o coração desprotegido.

Abracem a Chape!



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