O verdadeiro Expressinho



Vasco atuou com reservas contra o Volta Redonda (Foto: André Melo Andrade/Eleven)

Eu gosto de jogos com times reservas. Não pela qualidade do futebol normalmente apresentado, quase sempre mais confuso do que livro de economia em mandarim, mas pela oportunidade de ver despontar um garoto da base ou um reforço de menor expressão antes escanteado.

Não gosto desse Expressinho que passeia quase que clandestinamente pelo Vietnã, sem informações no site oficial, com atletas sem contrato assinado e com um uniforme defasado, como se fosse um filho bastardo que viaja escondido usando o sobrenome da família que não lhe acolheu. Porém, esse que foi a campo para enfrentar o Volta Redonda, neste domingo, me agrada.

Me lembra das noites de futebol no rádio em que eu ouvia garotos como Richardson, Pedro Renato, Preto Casagrande, Dias, Zada, Pedrinho e tantos outros iniciarem suas carreiras em amistosos de início de temporada, na década de 90. No caso do atual Vasco, as partidas preparatórias são pelo Estadual. O Carioca é a nova pré-temporada.

Nada mais justo, às vésperas de um jogo importante de Libertadores – apesar da vaga muito bem encaminhada no Chile -, do que usar seus novatos em campo. A ideia de Zé Ricardo não é azeitar o coletivo, já que estas peças talvez jamais se encontrem em campo, mas achar o brilho individual. E alguns jogadores souberam aproveitar.

Rildo e Thiago Galhardo, que já haviam entrado muito bem contra o Concepción, mostraram novamente que podem ser úteis. O gol com 19 segundos define bem o porquê: pressão de Rildo no lateral, persistência de Galhardo em cima do zagueiro, erro forçado e gol do camisa 10. Ganharam a bola sem precisar tocar nela.

Veja bem, nem Rildo e nem Thiago são jogadores acima da média. São atletas que erram demais, mas que tentam no mesmo volume. Participam bastante do jogo, inclusive sem a bola, com muita movimentação ofensiva e combate defensivo. São homens de frente que não veem problema em carregar o piano também.

São a cara de Zé Ricardo.

Mas convenhamos, um Expressinho sem um destaque da base é um plágio mal feito. E está aí o erro do ‘Vasco vietnamita’: não basta vestir a camisa, tem que ter alma.

O golaço de Bruno Cosendey, num chute que ninguém acerta ao acaso, coroou não só a boa apresentação do volante, mas também a de Andrey. O bom momento vivido pelos garotos da base, encabeçados agora por Evander, mostram um Vasco que volta a se tornar autossustentável.

E é pra isso que o Expressinho serve: revelar. E não para resvalar pelo Vietnã.

A vitória por 3 a 1 sobre o Voltaço não classificou o Vasco para semifinal da Taça Guanabara, mas deu a Zé novas certezas e algumas tantas possibilidades. Sinal de que o trabalho com o Expressinho, o verdadeiro, ainda pode ser expressivo. E até expansível para outros momentos da temporada.



MaisRecentes

Presente de grego



Continue Lendo

Especial 120 anos: o maior Vasco de todos os tempos



Continue Lendo