O Vasco sem Nenê



Mateus Vital assumiu a camisa 10 (Foto: Carlos Gregorio Jr/Vasco)

Mateus Vital assumiu a camisa 10 (Foto: Carlos Gregorio Jr/Vasco)

Pela primeira vez desde que chegou ao Vasco, Nenê assistiu uma partida do banco de reservas. Cem jogos como titular e uma pausa. Talvez breve. Ou talvez não. A saída do meia abriu oportunidade para algo que vinha sendo necessário para a equipe: a descentralização das jogadas.

O camisa 10 se tornou protagonista pelo seu talento indiscutível. Artilheiro e garçom do time desde que chegou a São Januário, era sempre o jogador mais acionado em campo – líder em passes, cruzamentos, assistências e finalizações, certas e erradas. Além de visado, passou também a ficar sobrecarregado. E caiu de rendimento.

Sem Nenê, contra o Bahia, o Vasco conseguiu ser mais homogêneo, menos dependente de uma jogada de seu camisa 10. Mateus Vital, Kelvin, Douglas, Pikachu e até Luis Fabiano – como no lance do 1º gol – ganharam mais liberdade para criar, com os quatro primeiros contribuindo também com a transição e a marcação.

Antes, independente de atacar pelo meio ou pelos lados, a bola deveria passar impreterivelmente pelos pés de Nenê. Contra o Tricolor Baiano, essa obviedade se encerrou, o jogo foi melhor distribuído e, apesar de alguns erros individuais, a equipe conseguiu ter uma melhor fluidez.

Se o poder individual de decisão ainda não se mostrou suprido por seu substituto, o coletivo se portou de forma mais eficiente. E é isso que importa. O Vasco não precisa apenas de um jogador que decida, mas de um time que tenha poder de decisão. Quem deve se destacar é o todo, não apenas um.

Contra o Palmeiras, foram comuns a subidas de Mina pelo lado esquerdo da defesa vascaína, exatamente por onde Nenê atuava. Com Kelvin, mais jovem e rápido, essa lacuna é tampada. Ao menos foi, no duelo com o Bahia.

Vital não é o camisa 10 decisivo que Nenê foi em alguns momentos, porém, tem uma grande margem para evolução – tem apenas 19 anos de idade. Mateus não se apega à bola, mas também não se esconde. Tem uma dinâmica diferente do veterano, é mais um distribuidor do que um finalizador, apesar de ter sido parado por Prass e Jean nas duas partidas. Melhor para Luis Fabiano e para a chegada dos outros meias, que podem aproveitar essa solidariedade do novo 10.

Ainda assim, Nenê segue sendo peça importante para o elenco, que precisará de opções no decorrer do campeonato. Inclusive para decidir jogos difíceis, onde apenas um lance furtivo, uma bola parada ou um toque diferenciado, se mostrar indispensável. Quando o coletivo não funcionar e apenas o individual for capaz de mudar o placar. Isso Nenê sabe fazer muito bem.

Descansado, tendo que se doar por 30 minutos ao invés de 90, talvez reencontre o seu bom futebol. E, quem sabe, com um coletivo solidificado, aos poucos retorne a sua condição de titular.



  • Felipe Carrilho

    André, sua posição diante da barração do Nenê está me ajudando a elaborar melhor a questão , pois inicialmente não consegui enxergar a questão da descentralização das jogadas , apesar de ser quase óbvia . Simplesmente porque vejo no Nenê , não só um grande talento e referência técnica/profissional , mas sim talvez o camisa 10 mais efetivo que o vasco teve nos últimos 10 ou 15 anos … Números e estáticas excelentes para um armador … inclusive desempenho físico invejável para um jogador de 35 anos … Mas enfim gostei bastante da sua posição ! Vamos torcer pra mais dias do Nenê conosco ! Saudações Vascaínas sempre !

  • Luciano Silva

    O Nenê poderia até entrar no time no decorrer do 2 tempo fazendo o falso centroavante , no lugar do Luís Fabiano , obviamente dependendo das condições do jogo . O Milton Mendes há demonstrou que conhece do riscado e vai usar o Nenê na hora certa

  • Norberto Freund

    Bem escrito, foi ótimo para o Vasco e para o Nenê sua substituição.
    Mesmo sendo artilheiro, fazendo falta para determinadas bolas paradas, o jogo do Vasco não fluía com dois veteranos em campo juntos.

  • Jose Ferreira

    Simples É FATO NENE E LUIZ FABIANO NÃO JOGAM JUNTOS, FUTEBOL FORÇA. O TIME MELHOROU SEM ELE É FATO. E O LUIZ FABIANO SE ENCAIXA NO ESQUEMA O NENE NÃO SE ENCAIXA EM NENHUM ESQUEMA, VINHA JOGANDO MUITO MAU.

  • Juninho Gowda

    Pra mim estava na hora , acho Nenê muito bom jogador mas ele prende muito a bola , muito fominha e isso barra a velocidade de ataque ou contra ataque pq como foi dito geralmente as bolas passam por ele .

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