O Vasco que funciona



Rildo entrou bem na partida (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

O vascaíno ultimamente já nem aperta mais o passo para ir ao estádio. Ele desfila tranquilo, às 16h15, pelas ruas de São Cristóvão, sem sequer usar relógio. O torcedor do Vasco, hoje, se dá ao luxo de tomar mais uma gelada no bar da esquina mesmo após o apito inicial do árbitro. É sabido por ele que, invariavelmente, a emoção estará nos minutos finais. Seja ela positiva ou não.

Essa tem sido uma constante do time. Mas nem sempre precisa ser.

Um jogo decidido no fim é legal. Dois, improvável. Três, já deve ser considerado tara, fetiche. Ou um alerta.

Quando digo que nem sempre precisa ser, me refiro à capacidade do Vasco em decidir seus jogos. Ela está lá, no grupo de Zé Ricardo, mas quase sempre no banco de reservas. O duelo contra o Atlético Mineiro, neste domingo, em São Januário, foi mais uma prova disso.

Não que o Cruz-Maltino tenha começado mal o jogo, muito pelo contrário. Até o golaço de Otero, aos 13 minutos, era o Cruz-Maltino quem comandava as ações em campo. Apesar de insistir quase sempre pela direita, onde Rafael Galhardo tinha dificuldades no cruzamento, foi pela esquerda o grande lance vascaíno na primeira etapa. Passe de Wagner, avanço de Henrique, finalização bloqueada de Evander e rebote nos pés de Pikachu, que carimbou a trave.

A grande questão é que a formação colocada em campo por Zé Ricardo, de início, é bem diferente da que normalmente termina. O Vasco do primeiro tempo é previsível, cauteloso, e quando sai perdendo, tem dificuldades para reagir. É um time tímido, excessivamente precavido, como uma criança em seu primeiro dia de aula no colégio novo.

Já o do 2º tempo, com Rildo, Rios e Thiago Galhardo, jogadores que mudaram o panorama da estreia vascaína, é um time positivamente inconsequente, impetuoso, que não tem medo de arriscar. É o dono da sala, da bola. O primeiro a lanchar e o último a voltar do recreio. É um Vasco inquieto.

Os gols que o Vasco vêm fazendo nos minutos finais não são ao acaso. São frutos de uma mudança de postura da equipe que passa necessariamente pela entrada destes jogadores. Vai funcionar sempre? É claro que não. Mas tem dado certo. Dos 40 gols marcados no ano, 15 foram anotados nos 20 minutos finais. Ou seja, após as primeiras trocas da equipe, que ocorrem normalmente após o minuto 15 da etapa final.

E é esse Vasco, o incomodado, das jogadas incisivas, do um contra um, que definiu o triunfo deste domingo. Assim como já havia feito em outros momentos da temporada, mesmo com menos tempo em campo e muitas vezes tendo que correr atrás no placar.

O Vasco estreia no Brasileiro com vitória, virada e gol no fim. E nada é mais vascaíno do que isso. Nem mesmo o fetiche pela emoção.



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