O Vasco e a ‘síndrome da Caverna do Dragão’



Ríos marcou contra o Galo (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

Quem costuma ler minhas crônicas sabe do pouco carinho que tenho pelos empates. É, ao meu ver, quase sempre, o ponto de refúgio dos covardes. Prova disso é que muitos jogos só aceleram quando há alguém na frente do marcador. Do contrário, esfriam.

Até briga entre marido e mulher, no meu entender, deveria ser resolvida com cobranças alternadas, cinco para cada lado, até que se defina o ganhador. Só para não deixar dúvidas.

Basquete, vôlei, tênis, futebol americano e até beisebol rejeitam o empate. Este último, que já dura horas, prefere estender por mais de um dia do que ver uma partida sem um vitorioso. O futebol, não. Ele se contenta com igualdades, mesmo quando há superioridade.

A verdade é que o empate não ensina nada a ninguém. Não se pode criticar como em uma derrota e nem elogiar como em uma vitória. Ele é a representação didática da expressão meia-boca. Não agrada e nem entristece. Não arrancada nada de ninguém.

O 1 a 1 entre Vasco e Atlético Mineiro, por exemplo, nesta quarta-feira, traz um pouco deste sentimento. Mesmo tento feito, provavelmente, os seus melhores 45 minutos de jogo, o Cruzmaltino foi para o intervalo com um magro e teimoso 1 a 0.

Um, graças ao talento de Evander na batida na bola, completada por Ríos. Mas apenas um, muito por conta de Paulinho, que parou uma vez em Victor e outra na trave, em duas boas oportunidades de gol desperdiçadas pelo atacante antes mesmo do intervalo.

Sem Jean e com Evander, o Vasco passou, de forma legítima e espontânea, a jogar o tão falado futebol. Esporte esse que deveria ser disputado duas vezes por semana por cada clube da Série A, mas que nem sempre é respeitado.

Convenhamos: Evander tem talento.

Faltava ao garoto, que por tantas vezes critiquei, a tão sonhada constância que, talvez de forma equivocada, esperamos de qualquer menino cujo bigode seja mais evidente que a costeleta. Ainda que tenha apenas 19 anos.

Com quatro minutos de jogo, o camisa 7 já dava seus primeiros passes ‘à la Felipe’. Daqueles que parecem que vão parar no meio do caminho mas sempre chegam ao seu destino, com a bola rolando de forma quase que distraída pelo gramado. Uma forma quase que debochado de passar pelos zagueiros.

Com uma ressalva: ele é destro.

O canhoto, por natureza, vê o mundo de maneira diferente, enxerga brechas onde não parece haver, precisa se virar para se adequar, acertar a posição… Parece um acostumado com o incômodo. Portanto, é um inquieto.

Evander tem essas características, apesar de ainda não dominá-las com maestria. É questão de tempo. E trabalho.

O gol marcado por Ríos é uma prova disso.

O cruzamento perfeito do apoiador fez com que o argentino sequer precisasse sair do chão para cabecear. Como se a bola atacasse o centroavante, e não o inverso. Um espantalho, fixo em uma haste de madeira, talvez tivesse tido apenas o trabalho de esconder os braços antes de estufar as redes, tamanha a precisão do levantamento.

A facilidade no momento do gol refletiu bem o que foi o Vasco contra o Galo nos primeiros 45 minutos: superior e sem grande esforço – como Ríos sobre Fábio Santos.

A questão é que muitas vezes o Vasco tem se portado, após sair vencendo, como se estivesse na Caverna do Dragão, famoso desenho da década de 80. Quando parece que irá voltar ao mundo real, algo acontece de última hora e muda o roteiro.

Esse é o Cruzmaltino com a vaga na Libertadores.

Nos 11 jogos de invencibilidade, sete deles terminaram empatados. Seis em 1 a 1. Em cinco destes, a equipe saiu na frente e cedeu a igualdade.

No último fim de semana, contra o São Paulo, foi Jean quem perdeu a bola para Marcos Guilherme marcar. Contra o Galo, Nenê foi desarmado na entrada da área antes do gol de empate, anotado por Fred. Bolas na intermediária defensiva se tornaram as novas ‘Unis’ vascaínas. Um momento de distração e o portal se fecha.

Pequenos erros individuais que seguem puxando para baixo o bom coletivo montado por Zé Ricardo.

O Vasco precisou de apenas sete minutos de desatenção para que o Atlético igualasse, no placar, tudo o que a equipe havia fito no 1º tempo. E não teve forças para mudar nos 38 restantes.

Assim como contra o Tricolor Paulista, o time de São Januário teve uma boa apresentação. Uma das melhores no ano. Entretanto, mais uma vez não conseguiu vencer.

O Vasco ainda sonha com a Libertadores. Mas é preciso também realizar.



  • Vander Vasco

    Esse time, esse elenco, essa diretoria corrupta não merecem ir pra libertadores mesmo não!!!

  • Alessandro Louzada

    Analise espetacular, infelizmente o Vasco tem perdido pra ele mesmo, erros individuais que estao custando uma vaga na libertadores, se confirmar que a Urna 7 realmente seja anulada, teriamos um 2018 dos sonhos pra todo Vascaino.
    Time com espinha dorsal formada, uma “boa gestao” e a chance de disputar novamente uma Libertadores depois de 6 anos e dois rebaixamentos.

  • PEDRO IVO COELHO CABRAL

    A garorada do Vasco é de alto nível. Trabalhada com mais profissionalismo e uma melhor gestão, dará muitas alegrias a nação cruzmaltina.
    O problema é que essa molecada não durará muito no Clube… Olhos maldosos de parte do Eurico e sua Trup já veem esses meninos como verdadeiros cifrões.
    $.$

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