O silêncio dos inocentes



Vasco e Santos atuaram com portões fechados (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

Vasco e Santos atuaram com portões fechados (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

Poucas coisas são tão chatas no futebol quanto um placar de 0 a 0. Com o agravante de não ter torcida nas arquibancadas, torna-se algo insustentável aos olhos. E também aos ouvidos.

Um estádio vazio é um coração que não pulsa, um órgão que perde completamente a sua função.

Remover das bancadas o torcedor não é punir os responsáveis pelas brigas que aconteceram em São Januário, no último Clássico dos Milhões. Muito pelo contrário. Esses, provavelmente, assistiram ao jogo deste domingo docemente repousados em suas poltronas, despreocupados.

Uma partida sem torcida é uma punição ao esporte, não aos culpados. Silenciaram os inocentes. Um crime em decorrência de outro.

Em campo, um reflexo da arquibancada. Um silêncio futebolístico de Vasco e Santos, quebrado apenas em alguns poucos momentos, como num belo chute de Thalles, já no 2º tempo. Um dos raros lances de barulho nos 90 minutos.

Vascaínos e santistas – principalmente – pareciam constrangidos pelo silêncio que os cercava, como se fizessem algo errado, às escondidas. Sem ter a quem fazer berrar, mantiveram em sigilo a estranha experiência de estufar as redes sem ouvir os gritos de gol.

Talvez até o som da bola percorrendo a rede seja diferente sem o ruído ensurdecedor das arquibancadas. Esse, porém, é um segredo que seguiremos sem conhecer.

O Santos teve o domínio da bola, com 61% de posse. Em nenhum deste momentos, entretanto, se mostrou disposto a arrancar um grito de gol, ainda que quase solitário, de seu banco de reservas. De quatro tentativas, apenas uma foi no alvo.

O Peixe fez uso de uma posse defensiva, para evitar os avanços vascaínos. O Cruz-Maltino, porém, buscou a vitória, ainda que de forma tímida.

As triangulações entre Ramon, Wagner e Nenê pela esquerda funcionaram, entretanto, o excesso de cruzamentos facilitou o trabalho da defesa santista. Para o jovem goleiro João Paulo mostrar serviço, apenas nos arremates de fora da área, arma pouco explorada pelo Vasco e que mostrou que pode ser eficiente se melhor trabalhada.

O 0 a 0 acabou se tornando o reflexo do palco montado. Sem o principal personagem – o torcedor -, o jogo, quase como em forma de protesto, se recusou a ter também o seu grande ato: o gol.



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