O rumo vascaíno



Martin Silva tem sido um dos poucos a se salvar (Foto: Romildo de Jesus)

Martin Silva tem sido um dos poucos a se salvar (Foto: Romildo de Jesus)

Chegou a ser difícil distinguir – não fossem os uniformes de jogo – se o Vasco fazia um treino de um toque contra o Vitória ou se era realmente uma partida oficial. Mais uma vez, a bola pareceu queimar nos vascaínos como areia na sola dos pés de uma criança no sol de meio-dia. Na praia.

Não que tenha colocado na roda os baianos, muito pelo contrário. Os cruzmaltinos demonstram tanto apreço pela bola quanto um vegetariano pela carne em uma churrascaria.

O time toca de primeira, mas se movimenta como se fosse segunda… feira. De madrugada, antes do trabalho.

Escrevi no fim de semana sobre a atitude do time, que apresentava a alma de um velho senhor desgostoso. E nada pareceu mudar. Como crianças aguardando na fila da escola para o hino, o meio-campo montado por Cristóvão Borges poderia esticar os braços que não alcançaria o adversário.

O time deu mais espaços do que um aluno tentando completar a redação de “no minimo 15 linhas”.

Entre todos os problemas comuns nos dois times, a postura defensiva foi o grande diferencial da equipe de Argel. Enquanto os marcadores baianos sentiam de perto o perfume do ataque vascaíno, a defesa do Vasco sequer conseguia distinguir o que era grama e o que era suor, tamanha a distância entre o homem da bola e seu adversário mais próximo.

O gol rubro-negro foi uma mera casualidade no embate, que corria para um 0 a 0 que simbolizava não apenas o placar, mas também a nota de ambos. Entre passes, finalizações, lançamentos e cruzamentos ERRADOS, foram 194 dos dois times. Ou seja, mais de dois erros por minuto. Isso sem contar as 40 faltas.

O Vasco, há tempos, aceita a pressão alheia. Independente de quem seja. Encara Flamengo e Olaria com o mesmo olhar de amanhã eu resolvo. Quando tem a posse, na primeira correria mais barulhenta, como de um pai que brinca de assustar a filha batendo os pés no chão, procura se livrar da bola como se fosse uma doença contagiosa.

Um time que não gosta da bola é como um músico que não respeita o seu instrumento. Ele sente. E briga.

Cristóvão dificilmente será capaz de exercer um trabalho no próximo mês que possa dar tranquilidade ao torcedor. Nem mesmo um título carioca seria referência de um ano em paz – vide Doriva e Jorginho. Insistir em sua permanência, portanto, é apenas mais uma forma de mostrar que o clube não sofre com “interferências externas”.

Ao que parece, nem internas. O Titanic afunda lentamente e seu comandante aguarda, sentado, a banda tocar a 9ª sinfonia de Beethoven. Afinal, o casco ainda não rompeu.

Mas os alertas estão aí… Se não mudar o rumo, afunda.



  • Ricardo Moreira

    O problema do Vasco e o presidente esse cara não serve pra nada olhem o Flamengo Botafogo e Fluminense com presidentes com cabeças novas os clubes estão organizado Eurico fora fora fora

  • Zudgard José de Barros Paes Co

    Ontem assistindo Vasco e Vitória fiquei pensando, que time é esse, um time sem alma, sonolento, sem garra, um técnico que parece que está sempre dormindo, um time sem tática, sem vergonha na cara. Eu torcedor do Vasco desde 1950, vejo hoje um arremedo de time de futebol, até quando isto não sei, mas o tempo das ditaduras acabou.

    • Vladimir

      Cristóvão conseguiu montar o time à sua imagem e semelhança

      • Ana Nascimento

        rs, exato, mal consegue ficar de olhos abertos. Joga desde o primeiro minuto igualzinho. Tanto faz ganhar de 10 ou perder pelo mesmo placar.

    • Edison Lopes

      Zudgard, eu venho desde 1958 nessa labuta. Estive ontem no Estádio do Vitória crente que poderia acontecer algo de bom. Lêdo engano. Quando a Vasco perdeu aquela primeira chance, que para mim, era gol certo, alí fiquei sabendo que não ia adiantar manter a esperança.A impressão que o time passa para o torcedor, é que aquêle é apenas mais um jôgo e não uma decisão.Por um momento, me lembrei de VascoxPalmeiras de 2.000. Qantas saudades, irmão cruzmaltino.

    • Ana Nascimento

      Compartilho a sua dor e tristeza. não temos nem mais o gosto de torcer pois já sabemos o resultado. Um time que nem sombra é do que já foi o Vasco.

  • Dirceu

    O maior problema do Clube de Regaras Vasco da Gama continua sendo a sua direção. Estamos no século XXI e administrados como nos anos 50, dentro de um regime ditatorial, cujo presidente considera que tudo sabe e que nada tem a aprender com os outros.
    As contratações realizadas, a grande maioria de atletas de um mesmo agente (coincidência), a escolha do técnico (com experiências passadas, todas negativas), a falta de visão das reais necessidades de um time envelhecido, tudo isso só tem um responsável.
    Os continuados vexames, infelizmente, não são coisa do passado como desejávamos. Teimosia sempre estará associada a burrice.
    Até quando conseguiremos nos manter em pé?

  • Dirceu

    Quem já teve o prazer de ser torcedor do Vasco antes de 2000, jamais poderia conceber que jogadores como o Rafael Marques, Rodrigo, Wagner e Muriqui (em final de carreira), Jomar, Henrique, Escudero, pudessem estar vestindo nossa outrora gloriosa camisa.
    Disputávamos, no passado, a aquisição de jogadores com os grandes clubes do país. Tostão, Dener, Dirceuzinho, Tita, Bebeto e tantos outros, foram disputados com os maiores clubes do Brasil.
    Lembrem-se que todas as contratações feitas este ano pelo Vasco não foram disputadas com ninguém ( ah! Disputamos o Fabiano com a grande Ponte), o que demonstra que, ou todos os grandes clubes são cegos, ou, intencionalmente, compramos crack por craque.
    Infelizmente os nossos “cracks” não dão barato, e a realidade continua sendo um show de horrores.

  • Marco

    So queria entender quem e Escudero, e qual a razao da cisma com o mesmo. Tento nao colocar a culpa apenas no Cristovao, e acredito que existe algo anormal na pessoa dele. Parece boa pessoa; ja passou por alguns dos melhores e maiores clubes do Brasil (bairrismos e disgostos a parte de quem quiser), mas nao conseguiu se firmar em nenhum ate hoje. O Vasco que mais vejo, parece um bando em campo, sem jogadas, sem treinamento. As escalacoes nao agradam, e as substituicoes nos jogos menos ainda, apesar de sabermos com antecedencia quais serao. Tudo bem que temos dado azar com as recentes contratacoes, que na realidade nao sao tao recentes assim, mas que, devido ao longo tempo de inatividade de alguns, toma ainda mais tempo para recuperar. Tivemos penalty do Manga, torcao do Wagner, fratura do Luan, e escalacao de Escudero, querem mais?

  • Eduardo Oliveira

    Eurico e sua família tem que sumir do Vasco, simples assim. Essa é a única solução. Eu como vascaíno vejo Flamengo sendo reformulado por um departamento de futebol e bem administrado profissionalmente, vejo o fluminense também sendo bem administrado, Botafogo apesar de ser talvez o clube com a maior dívida, sendo conduzido por pessoas competentes e fazendo uma ótima campanha no Brasileirão do ano passado e na libertadores esse ano, honrando as tradições do clube. Então olho pro vasco, lembro-me da sua gloriosa história sendo manchada por um velho prepotente que se acha dono do clube. Suas idéias retrógradas e suas atitudes arrogantes fazem com que a imagem do clube fique associada a sua imagem antipática e isso traz um prejuízo muito grande a instituição. O vasco é gigante mas hoje em dia, é tratado como pequeno. Infelizmente. Que saudade do meu VASCÃO.

    • Luiz Matias

      sou flamenguista e disse varias vezes que Eurico miranda é o que de mais podre existe no futebol .

    • Vander Vasco

      JÁ CANSEI DE DIZER ISSO HÁ 16 ANOS!

      ASSINO EMBAIXO!

      #FORAEURICO

    • Alvaro Sergio Campos Pereira

      Acho que o Eurico tem até vontade de se aposentar. Mas os que ficam lá (os jurássicos conselheiros ou sei lá quem vota) sempre o ressuscitam e então ele com a sua personalidade ditatorial acaricia o ego e volta. Pobre de nós vascaínos, com pouquíssimas esperanças que um dia tudo pode mudar.

  • Paulo Wagner

    O time toca de primeira….. e errado! O que falar de um time que, há quase um ano, não consegue produzir nada na defesa, no meio de campo e no ataque? Os números do segundo semestre do ano passado e do início desse ano são lamentáveis. Não que os do período anterior a esse fossem melhores. O time de Jorginho, mesmo quando invicto, nunca passou confiança ao torcedor e nunca foi um primor de criatividade. Jogo após jogo, o time repete erros e toma gols absolutamente iguais. E isso não é só culpa do treinador, por pior que ele seja. O Vasco nunca foi um time. Ou melhor, deixou de sê-lo em algum momento. E não consegue voltar a jogar como time. Parece uma praga terrível que se abateu em São Januário. Ou quem sabe, é a velha cabeça de burro enterrada em algum lugar do campo do Vasco que voltou a dar o ar da graça. Particularmente, não consigo entender como a diretoria consegue contratar tão mal, sejam jogadores, sejam treinadores. Afinal, qual o torcedor vascaíno que não torceu o nariz quando o Cristóvão foi apresentado ano passado? Ele já estava com o prazo de validade vencido antes mesmo de estrear e todo mundo já sabia que a única coisa que o Vasco conseguiria seria perder todo o início do ano a toa. Agora, só falta trazer o Celso Roth de volta para acabar de enterrar o time. Pelo menos joguem areia em cima, por que fede!

    • Alvaro Sergio Campos Pereira

      Comentário super fiel à situação vascaína.

  • Percy

    se nao reforçar, vai brigar pra nao cair denovo… enquanto tiver empresario dando as cartas, vai ser esse sofrimento so

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