O que esperar do Vasco de Jorginho?



Jorginho vai para a sua segunda passagem pelo Vasco (Wagner Meier/Lancepress)

Quando Milton Mendes deixou o Vasco para a chegada de Zé Ricardo, classifiquei aqui a mudança como uma troca de antagonistas. Milton, conhecido por seu excesso de alterações no time, dava lugar a Zé, criticado por suas insistências, por não abrir mão de jogadores e esquemas. Era o que a equipe precisava naquele momento: constância. A chegada de Jorginho, entretanto, tem o efeito inverso.

No momento em que o clube precisava de mudança, de um fato novo, recorreu – por motivos ainda obscuros e incertos – ao antigo, ao previsível. Jorginho saiu do Vasco no fim de 2016 exatamente pelo mesmo motivo que Zé agora deixa a Colina: já não conseguia extrair mais nada de seu elenco, não conseguia se reinventar.

O time comandado por Jorginho tinha alguns dos defeitos do atual: pouca movimentação, dificuldade na saída de bola, excesso de lançamentos – é o 8º time que mais acerta bolas longas no Brasileirão 2018 – e espaçamento entre as linhas defensiva e ofensiva. Na época, atribuía-se o baixo desempenho à idade avançada do elenco. O grupo de 2018 é mais jovem que o de dois anos atrás, ainda assim, sob o comando de Zé, conviveu com as mesmas dificuldades. Inclusive com a queda de rendimento no 2º tempo dos jogos e o alto desgaste físico. Até dos mais jovens.

Apesar da preferência por atletas mais experientes – Nenê, Andrezinho, Marcelo Mattos, Jorge Henrique, Rodrigo e Júlio César compunham a espinha dorsal da equipe -, Jorginho foi responsável também por lançar alguns garotos no time. Foi sob o seu comando que Evander, Andrey, Douglas Luiz, Mateus Vital e Alan Cardoso ganharam suas primeiras oportunidades. De todos eles, entretanto, somente DG conseguiu emplacar uma série de jogos, se tornando um dos destaques do time e sendo negociado em seguida com o Manchester City.

Zé fez o mesmo. Utilizou jogadores da base, mas com o elenco completo, optou quase sempre pelos mais experientes. Do time titular que foi a campo contra o Botafogo, no fim de semana, Ricardo Graça só voltou a ter chances após a lesão de Werley e suspensão de Paulão, assim como Andrey ganhou a posição em razão do afastamento de Wellington e desfalque de Bruno Silva, também machucado. Eram os únicos oriundos dos juniores.

De diferente entre os técnicos, o modelo de jogo adotado. Ao menos se comparado ao primeiro trabalho de Jorginho no clube – que pode ter mudado.

Ao contrário de Zé Ricardo, o novo treinador vascaíno não costuma jogar no 4-2-3-1, com dois homens abertos pelos lados e um centroavante centralizado. O 4-4-2, com o meio-campo em losango, muitas vezes jogando com três volantes, sendo dois deles com mais liberdade para avançar – na época, Andrezinho e Douglas Luiz – era o preferido do técnico. Na frente, um homem de velocidade que pudesse recompor sem a bola, variando para um 4-1-4-1 – Jorge Henrique fazia essa função – e um atacante mais fixo – e físico -, algo que o elenco atual não tem.

À esquerda, a formação tática base utilizada por Jorginho em sua primeira passagem pelo Vasco, entre 2015 e 2016. À direita, o esquema preferido de Zé Ricardo em seu trabalho no clube (Imagem: Build Line-up)

A princípio, é difícil analisar o impacto que terá Jorginho em seu retorno ao Vasco. Até pelas passagens rápidas que teve por Bahia e Ceará após deixar São Januário, no fim de 2016. Em 2015, funcionou. À longo prazo, porém, perdeu sua força. Assim como Zé Ricardo.

Jorginho é tão incógnita quanto qualquer outro que assumisse o comando do time neste momento. Até mesmo Valdir. Certeza, hoje, no Vasco, apenas que o clube está bem distante de aprender com os próprios erros. Falhas estas que vão muito além dos gramados.



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