O placar imutável



Paulo Vítor foi a única válvula de escape do Vasco (Foto: Eduardo Carmim/Photo Premium)

Paulo Vítor foi a única válvula de escape do Vasco (Foto: Eduardo Carmim/Photo Premium)

O 0 a 0 é uma espécie corrida de Fórmula 1 onde os carros apenas cantam pneus na largada, sem saírem do lugar. É o anticlímax do esporte, um resultado que deveria ser passível de punição: é um crime estender uma rede que não vai ser balançada.

Algo próximo de pedir uma pizza e não comê-la. Temos todos os ingredientes reunidos mas não o saboreamos.

Com apenas 6 segundos de jogo o Vasco deixou bem claro o que pretendia contra a Ponte Preta: não ter a posse de bola. Esse foi o tempo entre o time dar o pontapé inicial e Breno rifar a primeira bola em um lançamento longo para Paulo Vítor. Quando a teve em seus pés, a utilizou quase sempre de forma defensiva, tocando lateralmente em sua retaguarda até ser pressionado e tentar novamente o chutão.

Ligação direta que foi repetida 47 vezes na partida.

E com pouca efetividade, já que as raras jogadas que tiveram sequências terminaram em cruzamentos para ninguém. O time conseguiu apenas um finalização no gol em 90 minutos. E confesso que não me lembro dela.

Sem centroavante e sem aproximação dos homens de meio, foi mais uma vez inofensivo.

A verdade é que a bola se tornou um objeto danoso ao Vasco – e para a maioria dos clubes do Brasil. Não tê-la, não ter que propor o jogo, se tornou a melhor maneira de sofrer menos em suas apresentações. Com três volantes, foi o que ocorreu. Porém, evidenciou ainda mais a dificuldade na criação.

Foi um apresentação ruim, feia, como a maioria dos placares imutáveis são. Entretanto, foi eficiente para quem precisava voltar a pontuar no Brasileiro. Tudo o que o time precisava era segurança neste momento. E, de certa forma, conseguiu.

A ideia de jogo foi a mesma adotada pelo Botafogo, por exemplo. Com a diferença, porém, de que no Glorioso não é nenhuma novidade, já há um modelo de jogo definido, com transições rápidas para aproveitar os contragolpes, contando ainda com as aproximações com qualidade de seus volantes, algo que o grupo de Milton Mendes não tem – e ainda piorou após a saída de Douglas Luiz.

É um conceito que precisa ser aprimorado, mas que casa com o que o Vasco tem a oferecer com o atual elenco, principalmente como visitante: um sistema de marcação bem encaixado e um ataque veloz. Mas é necessário treino e sequência.

Convicção que tem faltado para Milton Mendes.

A proposta é boa, mas a execução ainda não. Pode ser. Principalmente se Mateus Vital mantiver a personalidade e o desempenho que demonstrou no 2º tempo, e Anderson Martins, Nenê e Luis Fabiano sejam aproveitados.

Para isso, é necessário que a diretoria resolva a situação de seu camisa 10 e que o artilheiro retorne aos gramados. Nem tudo depende apenas do treinador. O futebol do clube passa por outras mãos. Muitas outras.

O ruim é começar a pensar nisso apenas na 19ª rodada. Com mais da metade do ano passado, o time ainda não definiu sua forma de jogar. Nem qual elenco tem à disposição realmente.

Nesse cenário, nem mesmo o 0 a 0 parece tão ruim.

Só para quem vê…



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