O outro lado da festa



Vasco e Corinthians ficaram no empate (Foto: Paulo Fernandes/Vasco.com.br)

Vasco e Corinthians ficaram no empate (Foto: Paulo Fernandes/Vasco.com.br)

A noiva passa a semana sendo bajulada e mimada por todos. É a véspera de seu casamento, nada mais justo. Todos passaram os últimos dias falando dela, tentando agrada-la e querendo parecer ser a melhor amiga. Faz parte do cronograma.

Entre os preparativos para a festa e o casório, a prima pouco querida pela família, mal foi lembrada. Apesar de convidada para ser madrinha, meio a contragosto, ajudou a arrumar o salão, ajeitou a roupa e fez sua parte como peça importante do evento.

Discreta, passou a semana longe dos holofotes, se preparando e vendo a noiva sendo endeusada por todos. Ela sabia que seria difícil brilhar na festa, mas era necessário tentar. O casório sairia de qualquer jeito, era óbvio que o título de casal do ano era deles, mas ainda restava uma última dança para se fazer ser notada.

A noiva parecia nervosa com o clima de ‘já casou’. A prima, se mostrava ansiosa para surpreender a todos com um improvável brilho, mesmo grande parte já tendo notado que ela crescera nos últimos meses. Era também a sua chance de aparecer, ainda que as custas da ‘amiga’.

Na festa montada, dois opostos dividiam o salão: a estrela da noite, só aguardando o sim do ‘príncipe’, e a ‘ovelha negra’, que brigava por atenção.

O objetivo principal não era ofuscar, mas apenas fazer bem o seu papel. Afinal, sua vida também deveria ter uma sequência após esse dia, ela também tinha seus objetivos para alcançar. O casamento era da prima, mas a chance de tirar o pé da lama era seu.

Ela dança, ganha olhares, alguns assustados e incrédulos, mas alcança seu objetivo: mostrar que está viva. Enquanto a noiva posa para fotos e se preocupa com quem pegará o buquê, a prima se esforça, ainda que aos trancos e barrancos, para conquistar o seu espaço (ou seria respeito?).

Uma jogada de cabelo aqui, uma lançada de olhar acolá… E ela passa a ser notada, ainda que num clima de pouca alegria e muita tensão. O casamento já é um fato consumado, mas o drama do dia não some. Ninguém quer ouvir um não.

A ‘prima esquecida’ chega a flertar com aquele bom partido que a mãe tanto pediu para ter. Era a chance de ganhar uns pontinhos com a família e não se rebaixar a ‘ficar para a titia’. Mas, no fim, acaba descendo do salto, tomando um porre antes da hora e perdendo a linha – e os pontos – antes dos noivos partirem para a noite de núpcias.

Rodrigo, o tio mala, faz questão de contribuir arrumando problema com a família da noiva e deixando a festa mais cedo. Era uma de suas caronas preferidas para voltar em segurança para casa. Sem ele, o riscos ficou iminente.

A casa estava arrumada, a torcida por ela era enorme, a chance de ter duas (equipes) vitoriosas na mesma festa era grande, mas, por incrível que pareça, logo o amor impediu que isso acontecesse. Não faltou Love, sobrou. Ao menos para os vascaínos.

A ressaca de amanhã será diferente para cada. Uma, pela alegria de ter concretizado o que há tempos se preparara. A outra, por ter perdido mais uma chance de mostrar que pode mais.

O buquê foi jogado, triscou na mão e mais uma vez escapou. Que não culpem Santo Antônio por isso.



  • Guilherme Scalzilli

    O quinhão do Timão

    É vergonhosa a festa que a crônica futebolística faz com o título corintiano. Um mínimo de espírito crítico levaria a questionar o merecimento da conquista, e até a sua lisura.

    Os resultados do Campeonato Brasileiro expõem os privilégios dos clubes favorecidos pela CBF e pela rede Globo. Da primeira vêm os “erros” de arbitragem. Da segunda, a proteção financeira das cotas de TV.

    O Corinthians recebeu cerca de R$ 100 milhões, mais do que o triplo da parte reservada a oito dos vinte clubes que disputam o Brasileiro. O dobro do montante pago a outros cinco participantes.

    Esse método de manipulação faz dos pontos corridos um logro infalível. Sob a aparente “justiça” do sistema, a elite da Globo se eterniza na disputa de títulos e vagas à Libertadores.

    Os elogios a Tite e seus comandados milionários escondem a estrutura viciada que os financia.

    (Publicado no blog do Guilherme Scalzilli)

  • Ricardo

    André, sou tricolor, mas sempre leio os seus textos. Ótimas metáforas. Parabéns!

MaisRecentes

Artilheiro da Florida Cup, Nenê já abre vantagem no Troféu Ademir Menezes



Continue Lendo

Um Vasco mais simples e uma vitória para o moral



Continue Lendo

Escudero é regularizado pelo Vasco



Continue Lendo