O milagre de Gennaro



São Januário é a casa vascaína (Foto: Bruno Lima)

São Januário é a casa vascaína (Foto: Bruno Lima/LANCE!Press)

Historicamente, o Vasco é um clube de raízes portuguesas. Foi fundado por portugueses e batizado com o nome de um de seus grandes navegadores. Sua origem, seu vínculo, sua ligação, é toda com Portugal, mas uma parte significativa da instituição se refere a Itália.

São Januário é San Gennaro, santo e mártir italiano que dá nome ao estádio cruz-maltino, e que é também o patrono de Nápoles, cidade que já abrigou craques como Maradona, Careca e Edmundo. Seu milagre mais famoso vem de seu sangue, que fica armazenado em estado sólido num relicário mas que frequentemente se liquefaz, ganhando aparência de recém derramado. Fato misterioso que intriga todo mundo e que dá vida a fé de seus seguidores.

Assim como o santo, o Vasco terá que dar seu sangue para alcançar o milagre. Não é mais questão de crença, de ter fé, mas sim de provar.  O torcedor escolheu acreditar, mas ainda falta ao clube mostrar que é capaz de realizar. Milagres só são reconhecidos com atos provados.

Antes do milagre, ainda em vida, Gennaro teve que enfrentar leões, tigres e leopardos em uma arena. Foi condenado à morte e jogado aos animais para a execução. Contrariando o óbvio e surpreendendo a todos, inclusive o imperador romano Diocleciano, conseguiu amansar as feras e sair ileso do evento. O Vasco terá que fazer o mesmo.

Palmeiras, Corinthians, Joinville, Santos e Coritiba, são os leões que o clube de São Januário terá pela frente. Evitar que ataquem será a única maneira de sobreviver na Série A.

O Vasco está tão preso no Z4 quanto Nápoles está cravada aos pés do monte Vesúvio. Assim como a cidade, o time também precisará de um milagre e da proteção de Gennaro para não sofrer com mais uma erupção, que pode expelir o clube da elite do futebol brasileiro pela terceira vez.

Não há razão lógica para o torcedor vascaíno acreditar na salvação. Mas razão é algo que cai bem à turma de exatas, e nada mais inexato que o futebol. Por isso ele é paixão. Assim como os milagres, a bola também é desprovida de exatidão científica.

Só um milagre salva o Vasco. Mas quem em ‘sã paixão’ vai dizer que milagres não existem?



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