O jogo dos cinco erros de Jorginho



Vasco precisa vencer o Ceará para voltar à Série A (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco)

Vasco precisa vencer o Ceará para voltar à Série A (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco)

Problemas internos, alta média de idade, falta de motivação, fim de temporada… Não são poucas as teorias para a queda de rendimento do Vasco no 2º turno da Série B. Apesar de tudo isso parecer contribuir para a má fase do time, é inegável também que há erros técnicos individuais e táticos coletivos.

Restando apenas uma partida para o clube definir o seu futuro, Jorginho precisa fazer a equipe vencer para não depender de mais ninguém para conseguir o acesso. Entretanto, terá que consertar alguns destes erros que o  time tem apresentado em campo. A começar pela saída de bola.

Com a necessidade de vitórias nas últimas rodadas, o treinador deu mais liberdade para Andrezinho e Douglas Luiz, e também para os laterais. Porém, com isso, passaram a participar menos da transição entre defesa e ataque, sobrecarregando Diguinho, que passou a ser o alvo preferido das blitzes adversárias. Sem opções, o time voltou a abusar dos laçamentos. Contra o Criciúma, foram 43 tentativas de ligação direta.

Rodrigo recebe a bola, mas laterais e meias se lançam no ataque. Repare como praticamente todos os jogadores da segunda linha estão de costas para a jogada, buscando apenas avançar. Sem opções, zagueiro tenta o lançamento e rifa a bola, dando a oportunidade do contra-ataque (Imagem: Reprodução/RedeTv)

Rodrigo recebe a bola, mas laterais e meias se lançam ao ataque. Repare como praticamente todos os jogadores da segunda linha estão de costas para a jogada, buscando apenas avançar. Sem opções, zagueiro tenta o lançamento e rifa a bola, dando a oportunidade do contra-ataque (Imagem: Reprodução/RedeTv)

O espaço entre defesa e ataque atrapalha não apenas a saída de bola, mas também a marcação. A distância entre os meias e os zagueiros tem sido grande, o que facilita para os adversários trabalharem com tranquilidade na intermediária. Diguinho vem fazendo a função de 1º volante, entre os apoiadores e os defensores, porém, a distância entre os dois setores deixa o cabeça de área completamente vulnerável, tendo que se desdobrar e chegando quase sempre atrasado nas jogadas. Sem marcação, os meias dos outros times trabalham com tranquilidade entre as linhas, finalizando de média distância e conseguindo boas assistências para os atacantes. Esse é um dos problemas no meio-campo em losango – com variação para o 4-1-4-1 – adotado por Jorginho.

Nenê, Andrezinho e Douglas Luiz deixam um espaço muito grande entre eles e os zagueiros, demorando na recomposição. Sozinho, Diguinho se perde na marcação, chegando atrasado na jogada. Espaço entre as linhas facilita ainda o trabalho dos meias adversários, que dominam e giram com tranquilidade para buscar a jogada (Imagem: Reprodução/RedeTv)

Nenê, Andrezinho e Douglas Luiz deixam um espaço muito grande entre eles e os zagueiros, demorando na recomposição. Sozinho, Diguinho se perde na marcação, chegando atrasado na jogada. Espaço entre as linhas facilita ainda o trabalho dos meias adversários, que dominam e giram com tranquilidade para buscar a jogada (Imagem: Reprodução/RedeTv)

O excesso de liberdade para laterais e meias abre espaço também para os contra-ataques. Na ânsia de decidir a partida, o Vasco se expõe. Mal compactado, perde a bola e demora para recuperar, quase sempre dando brechas às costas de seus laterais.

Madson e Júlio César sobem ao mesmo tempo; volantes também. No contra-ataque, Luan é obrigado a abrir para dar o primeiro combate, deixando Rodrigo sozinho no milo de zaga, o que facilita as infiltrações (Imagem: Reprodução/RedeTv)

Madson e Júlio César sobem ao mesmo tempo; volantes também. No contra-ataque, Luan é obrigado a abrir para dar o primeiro combate, deixando Rodrigo sozinho no miolo de zaga, o que facilita as infiltrações (Imagem: Reprodução/RedeTv)

Mesmo com o setor defensivo posicionado, o Vasco peca na hora de dar o bote. Não à toa a equipe aparece apenas em 18º no ranking de desarmes da Série B. Individualmente, nenhum vascaíno aparece sequer entre os 50 atletas com mais roubos de bola na competição. Rodrigo e Diguinho, com 45 cada, são os líderes do time neste fundamento, o que mostra o quão próxima da área é a recuperação de posse da equipe. Quando acontece.

A imagem abaixo mostra bem uma das causas: a distância entre marcador e o adversário. O Vasco cerca, não pressiona para tentar roubar ou ao menos dificultar as ações. Apesar da superioridade numérica (4×3), não há dobra na marcação e nem mesmo tentativa de desarme. Na sequência desta mesma jogada, já dentro da área, Diguinho comete o pênalti que define a partida contra o Criciúma.

Madson apenas cerca e se coloca em desvantagem. Com espaço e de frente, chance do adversário conseguir o passe ou a ultrapassagem é maior. Diguinho se posiciona para fazer a cobertura e não acompanha atacante que cruza nas costas do lateral. Na área, Luan perde na velocidade e Rodrigo 'sobra'. Capitão poderia estar no centroavante enquanto que Luan cobria Diguinho, que acompanharia mais de perto o atacante. Defesa se posicionou, errado, perdendo a chance de dobrar onde estava a bola ao invés de sobrar por onde a jogada não se desenrolava. (Foto: Reprodução/RedeTv)

Madson apenas cerca e se coloca em desvantagem. Com espaço e de frente, chance do adversário conseguir o passe ou a ultrapassagem é maior. Diguinho se posiciona para fazer a cobertura e não acompanha atacante que cruza nas costas do lateral. Na área, Luan perde na velocidade e Rodrigo ‘sobra’. Capitão poderia estar no centroavante enquanto que Luan cobria Diguinho, que acompanharia mais de perto o atacante. Defesa se posicionou, errado, perdendo a chance de dobrar onde estava a bola ao invés de sobrar por onde a jogada não se desenrolava. A sobra, neste caso, seria do lateral-esquerdo. (Foto: Reprodução/RedeTv)

No ataque, além das dificuldades pelo espaçamento já ditos aqui, que atrapalham a troca de passes e a manutenção da posse de bola, há a falta de posicionamento para a segunda bola ofensiva. Com os meias quase sempre abrindo pelas pontas, em busca de cruzamentos – Vasco é o líder de cruzamentos certos, com 228, e Nenê é o 1º no ranking individual, com 84 -, falta aproximação de jogadores pelo meio.

Douglas Luiz vinha fazendo esta chegada pelo centro, porém, cada vez mais tem sido visto pela direita, indo ao fundo, onde Madson não tem conseguido chegar. Com Andrezinho pela esquerda e Nenê flutuando, apenas Thalles, dentro da área, centraliza. No bico da área, porém, ninguém aparece para aproveitar o rebote. Contra o Criciúma, em uma rara sobra de bola pega pelos vascaínos, foi Diguinho quem arriscou. Sem direção. E só.

No desespero, Vasco empurra seus meias pelos flancos, afunda Thalles na área e busca a jogada aérea. Porém, com os meias ocupando os espaços que poderiam ser dos laterais, falta aproximação pelo meio para pegar o rebote. Com isso, bola não para no ataque vascaíno, batendo e voltando o tempo todo (Foto: Reprodução/Imagem)

No desespero, Vasco empurra seus meias pelos flancos, afunda Thalles na área e busca a jogada aérea. Porém, com os meias ocupando os espaços que poderiam ser dos laterais, falta aproximação pelo meio para pegar o rebote. Com isso, bola não para no ataque vascaíno, batendo e voltando o tempo todo. (Foto: Reprodução/Imagem)

Não são poucos os erros do Vasco e o tempo é curto. Dificilmente Jorginho conseguirá resolver o posicionamento da equipe em uma semana, mas terá que ao menos tentar minimizá-los para sair com a vitória contra o Ceará e garantir o acesso à primeira divisão.



  • Leo Firpo

    É facil ver que o Vasco é dividido dentre do campo entre os que atacam e os que defendem. O Vasco raramente tem 6 atrás da linha da bola. Nenê, Andrezinho e Ederson inexistem na marcação. E o Jorginho ainda erra ao liberar o Douglas, tendo menos um a marcar. O campo do Vasco é muito largo, não há compactação. E assim se prende a pseudo-muletas como Jorge Henrique cumpre função tática, ou o Madson marca mais.
    Isso é pq se é uma bagunça dentro de campo. Na imagem 4 não há ninguém a frente dos zagueiros na entrada da área. A lista é longa. Jorginho mostrou o quão deficiente era o seu trabalho logo após a pausa das olimpíadas, onde a equipe patinou contra equipes ridículas. Desde então esta indo na tentativa e erro. Sábado é o capítulo final.

  • José Dos Santos Beirauti

    O Jorginho tinha que treinar e treinar mais essa equipe desde a saída da defesa para o meio de campo e deste para o ataque e jamais sair rifando bola. O time tem que jogar compactuado, assim, evita menos erro de bola.

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