O gol olímpico



Andrezinho fez o gol da vitória por 2 a 1 sobre o CRB (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

Andrezinho fez o gol da vitória por 2 a 1 sobre o CRB (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

Não dura mais que três segundos, mas é eterno.

De tantos gols possíveis no futebol, o olímpico é o mais debochado de todos. Traz louro ao marcador e dor ao defensor. Quem o faz, ri por dentro antes mesmo do toque derradeiro. Traiçoeiro.

O goleiro que se estica voa sem rumo, de costas envergadas, olha para céu em busca de ajuda. Com uma mão levantada, tenta alcançar o inatingível. Com a outra, se benze. Em vão.

A curva da bola segue a linha de um sorriso, de um canto ao outro. Sutil como o toque na rede, próximo à trave, mas não distante do coração. Ela corre pela lateral e vai até o fundo, em câmera lenta, para que cada giro no véu traga um gosto de mel.

Antes do grito de gol, a bola, como quem desliza por uma tirolesa, sobrevoa um mar de defensores que se tornam meros expectadores no estádio que carrega o nome de Pelé. Atônitos, um mar de ‘Antônios’, como os ‘Joões’ de Mané.

O gol olímpico não desafia as leis da física, a respeita. Despista, mas não despeita. Enfeita, sem finta, com efeito.

A pintura de Andrezinho não tem divisão. Só multiplicação. De alegria.



  • alessandro terra

    Fiz, na mente, toda a cena narrada. Cada um dos detalhes. Maravilhoso!

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