O gigante Pikachu



Pikachu é o artilheiro do Vasco em 2018 (Foto: Magalhães Jr/Photo Press)

Não há gol aos 45 minutos do 2º tempo que dê vida, paixão, a um VT de partida. Assistir ao jogo já sabendo o resultado final é uma das atitudes futebolísticas mais brochantes da era moderna. Foi o que fiz nesse Vasco e Sport.

Enquanto os antigos cronistas se sentavam nas arquibancadas para captar o que poucos viam – e muitos sentiam -, me deitei à frente da tv nesta manhã de domingo para acompanhar a reprise do duelo disputado em São Januário neste sábado. Não é a mesma coisa. Nunca será.

Por conta disso, o texto de hoje não será sobre a vitória vascaína por 3 a 2, a grande atuação de Giovanni Augusto, a reestreia de Jorginho ou o gol salvador de Ramón, no minuto final, inflamado de paixão e delírio. O personagem da crônica deste domingo é aquele que tem sido imutável, figura constante tanto no ao vivo quanto nos melhores momentos: Yago Pikachu.

Há quem fale que a sua baixa estatura é um problema. Eu vejo de forma diferente. Está em sua altura uma de suas armas. É exatamente por ser menor que Pikachu consegue se esconder, se camuflar, entre os zagueiros. Ser baixo é quase uma armadilha, ou uma máscara.

Veja bem, uma das coisas que o tornam letal é exatamente o fato de ser constantemente subestimado. Seja pelo seu tamanho, inversamente proporcional ao seu futebol, ou pelo apelido que carrega, que deveria ser mais um ponto positivo em seu carisma do que algo que o desvalorizasse.

De cabeça em pé, os defensores só o vêem quando ele já corre para comemorar seu gol, tal qual uma criança pedindo colo para a mãe, com os braços abertos e o sorriso talhado no rosto. Cena comum em 2018. À frente do gol, Pikachu se agiganta.

O número 22 às costas pode dar a falsa impressão que se refere à loucura. Não é. Pikachu é lúcido, iluminado, mas também explosivo. Yago tem a obstinação dos grandes artilheiros. Acredita nas bolas com a mesma convicção de um padre nas palavras ao ler a Bíblia. E vence, quase sempre, aqueles que hesitam. Chega na frente dos marcadores não só por sua velocidade, mas também por sua insistência.

Teimosia essa, aliás, que já havia garantido ao Vasco uma vaga na Sul-Americana deste ano.

O pequeno artilheiro começou como lateral, virou ponta, jogou pelo meio mais recuado e, agora, ganha a liberdade de um sabiá para percorrer todo o campo, inclusive fechando como centroavante. E assim nasceram os três gols vascaínos contra o Sport. Teriam sido quatro, se Magrão não parasse o seu voleio, num anticlímax maior até que o gol contra de Paulão.

Pikachu se tornou peça onipresente no time do Vasco. E o Vasco, cada vez mais presente na história de Pikachu. Uma boa história para se contar.



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