O filho do ‘Peixe’



Romarinho entrou bem contra o São Paulo (Foto: Paulo Fernandes/Vasco.com.br)

Romarinho entrou bem contra o São Paulo (Foto: Paulo Fernandes/Vasco.com.br)

Jorginho jogou o anzol no último jogo do Vasco na Copa do Brasil tentando fisgar algumas novas opções para o time. Riascos enfim voltou a cair na rede e agradou, mas o peixe que chamou a atenção no fim da partida foi outro: Romarinho.

Herrera era quem deveria ter mordido a isca do treinador, mas se escondeu feito ‘tatuí’. Coube à cria do Baixinho se lançar sem medo em mar revolto.

O garoto chegou ao clube sem que a torcida esperasse nada. E agora começa a nadar. O filho do ‘Peixe’, peixinho é? Não. E nem precisa ser, basta estar – ou querer ser – um pouco melhor do que o argentino. E, para isso, convenhamos, não é necessário ser nenhum ‘peixinho dourado’.

Um ‘pacu’ virado para a lua já basta.

E disso o seu pai sabe muito bem. Nasceu voltado para uma lua cheia vermelha, em dia de eclipse, mudando a maré e revigorando a pescaria.  Ganhou fama de ‘espada’ fora das quatro linhas, e dentro delas entortou muitos cabeças de ‘bagre’que só sabiam jogar na ‘bicuda’.

Um peixe de águas doces e salgadas. De(o) (R)rio e do mar (praia).

O caminho de Romarinho provavelmente será tão difícil quanto o dos ‘salmões’ que tentam subir os rios. Ainda cru, pode ser que também venha, no futuro, a fazer mais sucesso no ‘japonês’, ou em qualquer outro lugar do Oriente, do que no Brasileiro. Mas isso não o impede de nadar nesse cardume vascaíno que muitas vezes tem deixado a desejar.

A comparação será inevitável, por mais que saibam que estão colocando lado a lado ‘tubarão’ e ‘sardinha’. Mas é bom para o atacante começar a se acostumar com as ‘traíras’ que existem no futebol. Ser frito é o medo constante de todo o peixe, faz parte do jogo. Resta saber qual tempero lhe cairá melhor.

Romarinho ainda não é peixe grande, no tamanho, mas foi na atitude. Poderia estar comendo ‘camarão’, jogando futevôlei no Pepê e colhendo os frutos – não do mar, dos gramados – que seu pai plantou, mas está lá em São Januário, bem longe da praia, mais tranquilo que um ‘tricogaster’ no aquário, falando pouco e suando muito.

Pode não ser o suficiente para ganhar mais chances este ano, mas vem ganhando o respeito. E, nesse mar, isso é fundamental.

Contra o São Paulo, assim como já havia feito contra o Figueirense, soube aproveitar seus poucos minutos ‘na água’. Nadou pelos dois lados, não teve medo de tentar ‘atravessar os corais’ e muito menos de liderar o cardume ofensivamente.

Romarinho dificilmente vai ser o ‘marlin azul’ que foi seu pai, com seu bico(quinho) mortal e seu temperamento único. Nem por isso precisa ser Marlin, o ‘peixe-palhaço’ de Procurando Nemo.

O jovem atacante mostrou que não está fora d’água e que não foge da (‘ar)raia’. Ainda precisa ficar ‘cascudo’, levar umas ‘bicudas’ e ‘papa-terra’ suficiente para garantir seu espaço no elenco do ‘Bacalhau’ , mas seus primeiros mergulhos, profundos e incisivos, sem toques laterais como um ‘caranguejo’, animaram mais que o nome.

Só existiu e existirá um ‘Peixe’. Nem mesmo o DNA conseguirá fazer outro igual. Romário foi a versão alfa. Romarinho, apenas um ‘beta’.

O ‘Peixinho’ quer nadar sozinho. Se não der para ser a ‘estrela do mar’, ok. Mas se está corren… ops, nadando mais que os outros, que ao menos lhe deem a chance de sair de sua ‘concha’. Determinação e vontade não parecem faltar ao garoto.

Que faça ‘bonito’ nas próximas paellas… Perdão, pelejas.



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