O espanto de Paulinho e a atuação sem sustos de Paulão



Paulinho foi o destaque da partida pelo lado do Vasco (Foto: AFP)

Paulinho ainda não era nascido quando Pedrinho deixou o gramado de São Januário de maca, aos prantos, naquela triste tarde de 6 de setembro de 98, após entrada do zagueiro Jean Elias, do Cruzeiro. Pedrinho ficaria longe dos gramados por um ano e meio, mudando toda a sua carreira.

A lesão de Paulinho também assustou. Ainda assusta quem vê a cena. Porém, causa menos espanto do que o futebol apresentado pelo menino.

O garoto não ficará tanto tempo distante da bola quanto Pedrinho, que além de ‘inho’ também é Paulo – Pedro Paulo de Oliveira. Melhor para todos. Sua estadia no futebol brasileiro, entretanto, parece cada vez mais curta.

Com apenas 17 anos, o jovem já começa a ficar grande demais para ser assunto pequeno, regional. Perto da postura do menino, nem a Libertadores, continental, parece assustar.

Num duelo onde esperava-se supremacia do Cruzeiro, jogando em casa, com brilho de Thiago Neves, Arrascaeta e Robinho, o que se destacou foi o equilíbrio e a organização vascaína – que andavam em falta -, com pequenos desequilíbrios individuais. Desta vez, positivos. Muitos deles de Paulinho, um veterano adolescente. E outros, surpreendentemente, de Paulão.

Até furar o domínio de um passe, aos 4 minutos de jogo, o defensor era, pelo histórico recente, um forte postulante a deixar o campo como vilão. Vinte minutos depois, porém, a mesma perna que deixou a bola passar em lance isolado e irrelevante, bloqueou um chute forte de Dedé, que poderia ter sido decisivo, dentro da área. Uma inversão de papéis que a nostalgia vascaína deve ter demorado para aceitar.

Enquanto na frente o camisa 11 acelerou o jogo, como uma criança em seu autorama, ditando o ritmo, o zagueiro freou o ímpeto mineiro na retaguarda. Com 16 rebatidas defensivas e dois desarmes certos, o defensor fez a partida sólida que precisava para retomar a confiança perdida nas últimas atuações.

Confiança essa que nunca falta a Paulinho, autor das duas finalizações certas do Vasco na partida. Num duelo quase sempre morno, o atacante foi o ponto de ebulição do Cruz-Maltino. Com a bola nos pés do garoto, o jogo ganhou cara de Libertadores: intenso, forte e imprevisível. Sem ele, foi um duelo excessivamente respeitável, quase que cordial.

Por vezes, principalmente no primeiro tempo, Vasco e Cruzeiro fizeram uma partida silenciosa, sem a histeria comum de Libertadores. E até dos grandes confrontos, decisivos. O duelo, em alguns momentos, pareceu disputado com um nó na garganta, como se escondesse algo – que jamais foi visto.

A entrada de Sassá e a maior participação de Paulinho na etapa final mudaram um pouco esse panorama. Sem Wagner, que deu lugar a Evander, o menino passou a ser o mais acionado na hora de fazer a transição rápida entre defesa e ataque – foram 15 passes nos primeiros 45 minutos e 20 nos 26 em que ficou em campo no 2º. Quando vivia seu melhor momento em campo, acabou sofrendo a lesão no cotovelo que o tirou do jogo e da decisão do próximo fim de semana, contra o Botafogo.

O Vasco fez com o Cruzeiro o que a La U fez com o Cruz-Maltino em São Januário. Deixou a pressão de atacar para o mandante, que teve receio de se expor e dar o contra-ataque, e atacou sem afobamento. Com as duas defesas errando pouco, e os goleiros em noite segura, o 0 a 0 antes pouco provável acabou se tornando o resultado mais óbvio.

O ponto fora de casa veio. Mas ainda restam dois dos três perdidos para a Universidad de Chile na Colina. Falta também amarrar os pontos soltos com a ausência de Paulinho, o ponto fora da curva da equipe. Agora, apenas fora da equipe.

* Com estatísticas do Footstats

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