O doloroso roteiro vascaíno



Bruno Gallo mais uma vez foi titular do Vasco (Foto: Paulo Fernandes/Vasco.com.br)

Bruno Gallo mais uma vez foi titular do Vasco (Foto: Paulo Fernandes/Vasco.com.br)

O vascaíno tem um lema: ‘Contra tudo e contra todos’. Eu acrescentaria mais um trecho: ‘E contra si próprio’. O Vasco em seus melhores dias tem enfrentado tudo, todos, mas muitas vezes tem perdido – ou empatado – para si mesmo.

O time muitas vezes tem a chance de amputar a dor que seu torcedor tem sentido, mas não é capaz. Segura 80 minutos mas falha nos últimos 10. É perfeito em 45 andadas do ponteiro maior, mas é pífio nos outros 45 – o que não foi o caso contra o São Paulo. Cria heróis e vilões com mais facilidade que Stan Lee. Gosta tanto de um anti-herói quanto do anticlímax.

O Vasco parece ter trocado o seu pioneirismo histórico pelo sadomasoquismo categórico. Sofrer tem sido algo comum, até mesmo quando a atuação é acima da média. O relógio não alivia, ele aperta, pressiona. Deveria trazer a calma, pois só anda pra frente, nunca pra trás, mas o efeito é inverso.

Contra o São Paulo, não faltaram oportunidades para o Cruz-Maltino matar a partida. Não matou e acabou morto.

O Vasco entrou numa festa estranha, sem ser convidado, odiou no início mas agora parece querer ser o último a ir embora. Quando acham que vai sair, inventa uma desculpa para voltar e ficar mais um pouco. O problema é que já vão fechar as portas e, se demorar ainda mais para pegar o rumo de casa, vai acabar tendo que dormir fora mais uma vez.

Como num filme de terror, onde a garota corre, se esconde, tranca a porta, mas no fim sempre escorrega e acaba sendo apunhalada, o Vasco tenta se salvar no Brasileiro. Mas o chão tem sido escorregadio e o roteiro doloroso.

No Morumbi, o fim poderia – e deveria – ter sido diferente. Mas no Vasco, apesar do terror do 1º turno ter passado, segue prevalecendo o suspense. E nesse tipo de filme, quem vacila acaba surpreendido no fim.



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