O DNA vascaíno



Caio Monteiro marcou no empate em 1 a 1 com o São Paulo (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

Escrevi, na última quarta-feira, após a vitória do Vasco sobre o Santos, de virada, por 2 a 1, que a Vila Belmiro possui uma espécie de predestinação para ver o brilho de garotos, como Evander, autor de um golaço na partida. O que eu esqueci de mencionar na ocasião é que há um outro fator fundamental para o deslanchar destes meninos: o DNA vascaíno.

É como se qualquer garoto franzino com uma chuteira nos pés e a Cruz de Malta no peito se tornasse, automaticamente, um postulante ao título de herói. Isso porque há no clube um forte laço com jogadores oriundos de sua base, uma relação quase umbilical entre o menino e a cruz.

Abrir mão dessa fertilidade é mergulhar no insucesso. É como se virar contra a própria família.

As entradas de Evander e Caio Monteiro no 2º tempo da partida contra o São Paulo, transformaram uma derrota insossa em um empate esperançoso. Não que o ponto conquistado tenha sido o ideal, muito longe disso, mas a mudança na qualidade da equipe com a bola após as alterações trouxe a certeza de que o caminho está nos pés dos garotos.

O resultado não agradou, mas a atuação, principalmente na etapa final, sim.

O gol de Marcos Guilherme se assemelhou bastante ao de Ricardo Oliveira no meio de semana. Não em sua construção – desta vez, falha individual de Jean -, claro, mas em seu momento. O Vasco era melhor, mas pecava na hora de finalizar. O adversário, por sua vez, até então discreto, em uma bola pulou na frente.

E se o vascaíno queria um roteiro igual ao da Vila, era necessário ter os mesmos protagonistas em campo.

Evander não entrou com a precisão nos chutes de dias atrás, mas mostrou que vive uma fase melhor do que seus concorrentes no meio-campo. Em apenas 45 minutos, o menino conseguiu quatro desarmes e três assistências para finalização – números do Footstats -, mostrando que pode sim ser um dos volantes cruzmaltinos nesta reta final.

Melhor: pelo momento vivido, é potencialmente a melhor opção para o ainda insubstituível Douglas Luiz.

O Vasco, que antes pressionava pelos lados, passou a buscar triangulações pelo meio. E deu certo. Evander serviu Pikachu e Ríos, que não souberam aproveitar. Sobrou, portanto, para Caio Monteiro fazer o que PV, Paulinho, Thalles, Guilherme Costa, Mateus Vital, DG e o próprio Evander já haviam feito em 2017: decidir.

Na primeira, parou em Sidão. Na segunda, no fundo do gol.

Artilheiro no juvenil e nos juniores, Caio tem nas redes de São Januário um segundo lar. Apesar da pouca idade, sabe como poucos os atalhos da Colina. Espaço esse encontrado às costas da defesa tricolor.

O menino chegou aos pés das arquibancadas antes mesmo que o grito de gol atingisse o topo da Barreira do Vasco. Por alguns segundos, foi só ele e a torcida, tamanha a sua velocidade para bater a defesa, o goleiro e as placas de publicidade.

Por alguns instantes, Caio contemplou a si mesmo pelo olhar do torcedor.

Mais que o sangue dado, o Cruzmaltino conseguiu o empate através do sangue criado por ele próprio. O sangue vascaíno.

Um Vasco sem jovens em abundância é uma falha genética em seu DNA. Zé Ricardo, aos poucos, parece entender isso.



  • Assis e Mary Assessoria Empres

    Muito boa matéria

    • Manuel Oliveira

      ZR está mostrando ser ultra conservador. A torcida não é burra. Ou ele muda de atitude escalando a garotada ou não vai durar muito. Caio, PV, Thales , qualquer um pode jogar. Dependendo do jogo pode colocar o Tales como referência ou se precisar de velocidade de contrataque usa o Paulo Vitor e o Caio Monteiro. Vão fazer um carnaval na defesa adversária.
      Insistir com Pikachu e o argentino é não querer fazer gol.

  • Luiz Eduardo Vaz

    Caro André…sinceramente, cada vez mais me convenço que os treinadores fazem de propósito, escalam mal, para depois fazerem as alterações que todo mundo espera e torce para que aconteça. Tipo, eu sou f…, no intervalo eu mexi e o time melhorou e virou, etc…uma espécie de cabotinismo…Pode parecer maluco o que estou falando, mas só isso explica a escalação de hoje e as substituições óbvias do ZR…e não é só ele, era assim com MM, Cristóvão, Jorginho e outros. Custo a acreditar que ele ache mesmo que os garotos da base são inferiores a Pikachu, Gilberto, Jean, Rios, etc etc etc…Perdemos 45 minutos hoje que poderiam nos dar a vitória. Todas as vezes que os garotos entraram em campo, em todos os jogos nesse campeonato o rendimento melhorou. É tão óbvio que chega a ser suspeito. Vejamos quarta-feira, mas tenho certeza que veremos Pikachu, Rios, Wellington, etc novamente como titulares e os meninos assistindo do banco, e o time sem criação em campo…a esperar…parabéns mais uma vez pela crônica…

    • Andre Souza e Silva

      Concordo completamente Luis,acredito que ele misteriosamente vai repetir a mesma escalação,e assim vamos de 0x0,1×1,um gol contra,ou quem sabe uma derrota de 1×0 e depois culpar a ansiedade,algum garoto que entrou faltando 10 minutos para acabar o jogo quando ele ja estava perdido etc e tal…nesta historia ,Guilherme e Paulo Vitor nem no banco ficam mais,desaprenderam com a síndrome dos 10 minutos finais..e voces se lembram do Rodrigo Kaiser a joia cruzmaltina , deixou de ser joia???Perguntas de um torcedor que observa!!!

  • Vander Vasco

    parece que o mulambo seu Zé não quer passar os imundos no campeonato mesmo… que escalação inicial horrorosa foi aquela?! 3 LATERAIS DIREITOS de origem (que juntando não dão nem um em campo)??? O que é aquele Gilberto?! Lixo! Pikachu outro inútil, insistir naquela múmia do Rios no ataque, aí só depois que toma gol que começa mexer e colocar os garotos que estão pedindo passagem… nem toda vez vai ser igual contra o Santos!!!

    O bonde tá passando e perdendo a oportunidade de ouro de se classificar pra libertadores!!! (tá certo que já fizeram mais do que esperado com esse elenco fraquíssimo, que era lutar pra não cair), mas com esses monte de vagas pra libertadores agora, o campeonato nivelado por baixo, tendo essas chances é inadmissível esses montes de empates perdendo pontos preciosos!!!

    • Luiz Fernando Garcia Couto

      Concordo contigo Vander. Escalação totalmente equivocada.

  • Marcelo Pereira Filho

    Martin
    Madson
    Breno
    Martins
    Henrique
    Evander
    Wellinton
    Paulinho
    Wagner
    Paulo Vitor
    Caio Monteiro

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