O dia em que Edmundo abriu o ‘Mar Vermelho’



Edmundo rompe o 'mar vermelho' da defesa do Flamengo (Foto: Reprodução)

Imagem de Edmundo atravessando a defesa do Flamengo em 97  ficou famosa (Foto: Reprodução)

Dia 3 de dezembro de 1997: data histórica para o torcedor vascaíno. O terceiro título brasileiro viria nas partidas finais contra o Palmeiras, mas a certeza de que aquele ano terminaria com gosto de bacalhau veio antes, no clássico contra o arquirrival Flamengo.

A goleada do Vasco por 4 a 1 sobre o Rubro-Negro virou símbolo daquela geração. Eficiência, gana e a impetuosidade daquele time que conquistou o tricampeonato nacional para o Gigante: feroz como Edmundo, cerebral como Evair e seguro como Mauro Galvão.

Assim como durante toda a competição, Edmundo foi genial e decisivo do início ao fim do jogo.

Aos 17 minutos, abriu o placar após bela tabela com Evair e drible no goleiro Clemer. A bola estufou calmamente as redes, num momento antagônico à explosão das arquibancadas e a comemoração do Animal.

A confiança era tanta que a torcida vascaína gritava o nome do atacante antes mesmo de iniciar a jogada. A genialidade poderia surgir a qualquer momento, era melhor garantir a homenagem.

O segundo ato só viria na etapa final. A bola de Juninho Pernambucano voa da intermediária defensiva na direção do camisa 10, que corre em direção ao gol sem ao menos ver a redonda. Ela procura, e acha. Tão certeira quanto chinelo de mãe.

De costas, recebe um tapinha dela no ombro, como se cumprimentasse um velho amigo. O suficiente para deixar Clemer no chão. A bola corre à esquerda do goleiro que, vendido, se lança aos pés do atacante por mero hábito, ou quem sabe reverência. Foi o mais próximo que o arqueiro passou de para Ed naquela noite: dois palmos.

É o segundo dele.

Faltando seis minutos para o fim, o Flamengo resolve dar o tom poético que toda grande partida deve ter. Alex Pinho derruba faz as honras da casa e derruba Renato Gaúcho na área. Júnior Baiano, de pênalti, diminui. Era o que faltava para acordar o Vasco. E Edmundo.

Ele joga por música e dita o ritmo. Consegue fazer da valsa um ritmo quente.

Maricá – que entrara no lugar de Filipe Alvim – encontra o artilheiro na área. Ele contra dois, mas apoiado por milhões. Como se dançasse, dá dois toques para esquerda, outros dois para a direita, convidando Baiano e Leandro Silva para bailar. Eles tentam acompanhar uma coreografia que não foi ensaiada. Edmundo é improviso. É craque!

Quando parece que ficará no “dois pra lá, dois pra cá”, o gênio se revela. É a hora do giro. Edmundo puxa de letra e bate, de canhota, no canto. A bola ainda beija a trave antes de entrar, como se agradecesse por ser tão bem recebida naquele espaço. Um beijo de boa noite para quem foi descansar depois de um dia épico.

O Animal comemora e rebola. Edmundo é bola!

O ídolo cruz-maltino quebra o recorde de gols em uma única edição de Campeonato Brasileiro. Marca que só seria batida após a competição começar a ser disputada por pontos corridos, em dois turnos.

Como toda grande história precisa também de um personagem improvável de destaque. Maricá arranca pela direita impulsionado pelos gritos de Antônio Lopes na lateral. Talvez fugindo dos berros do treinador. O camisa 13 ainda vê o goleador da noite entrando pela esquerda, mas logo desvia o olhar. O garoto também que viver este momento, e não desperdiça: 4 a 1.

Edmundo deixa o campo ovacionado. O vascaíno, apaixonado.

FICHA TÉCNICA

Vasco Da Gama 4 x 1 Flamengo (RJ)
Data: 03/12/1997
Campeonato Brasileiro
Local : Estádio Do Maracanã (Rio De Janeiro – RJ)
Arbitro : Paulo César De Oliveira
Público : 75.493 presentes
Gols : Edmundo (Vasco 17m/1ºt), Edmundo (Vasco 9m/2ºT), Júnior Baiano (Flamengo 39m/2ºT), Edmundo (Vasco 42m/2ºT) e Maricá (Vasco 46m/2ºT)
Expulsão : Nélson (Vasco)

Vasco – Carlos Germano, Filipe Alvim (Maricá), Alex, Mauro Galvão, César Prates, Nasa, Nélson, Juninho (Moisés), Ramón, Edmundo e Evair (Fabrício Eduardo) Técnico : Antônio Lopes

Flamengo – Clemer, Leandro Silva, Júnior Baiano, Juan, Gilberto, Jamir, Bruno Quadros (Renato Gaúcho), Iranildo (Lê), Athirson, Lúcio e Sávio Técnico : Paulo Autuori



  • Carlos Cesar

    Edmundo, Evair, Mauro Galvão, Felipe, Juninho e Germano no mesmo time. Ainda tinha Pedrinho e Válber no banco. Um time épico. E se tivesse chovido no fim do jogo teria sido obra de Edmundo.

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