O desarme aos 45



Nenê correu até o fim (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

Nenê correu até o fim (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

Poucas coisas no futebol são tão expressivas quanto um carrinho.

Ele pode demonstrar falta de controle, excesso de nervosismo ou simplesmente determinação. Há quem vibre com a jogada. Outros, viram a cara. Eu, quase sempre – quando limpo -, aplaudo.

Como uma bela costela que cozinha lentamente em forno baixo, ele tem seus momentos de acordo com o ponteiro do relógio. Quando servido muito cedo, bate na mesa cru e causa espanto. Demonstra mais destempero do que tempero. Aos poucos, porém, quando a gordura começa a escorrer e a carne passa a dourar, servi-la já não é mais um crime. Muito pelo contrário.

O ponto certo é no fim do jogo.

Se tem algo que o torcedor gosta é de um belo carrinho na linha de fundo aos 45 minutos do segundo tempo após um pique. Daqueles que arranca a grama mas não toca na perna. Que desliza mas não desalinha.

Costela boa o osso solta. Carrinho bom ele fica intacto.

Vindo do craque do time, aos 35 anos de idade, isso tem peso dobrado. Foi o que fez Nenê contra o Atlético Goianiense.

Talvez um lance que passasse desapercebido em meio às boas triangulações feitas por Douglas Luiz, Andrezinho e Alan Cardoso, os gols de Éderson, os desarmes de Luan e as defesas de Martin Silva, se não fosse o momento. O camisa 10 precisava mostrar esse empenho. E o fez apesar do placar de 2 a 0 dar tranquilidade naquele momento.

Nenê talvez precisasse mais daquele desarme que o próprio time.

Às vezes é o drible que decide. Em outras, é o desarme que define. A postura.



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