O decisivo Maxi López



Maxi López garantiu a vitória do Vasco (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Se a estátua de Romário não fosse de bronze, ela aplaudiria. Não o jogo entre Vasco e Chapecoense, disputado na velocidade de uma internet discada, mas a atuação de Maxi López, o novo 11 do clube.

Já disse aqui algumas vezes: o vascaíno não vê uma vitória tranquila do time desde aquele 6 a 0 sobre o União São João de Araras, em 97. E mesmo assim, Edmundo, que fez os seis, ainda perdeu um pênalti. Não que tenha dado emoção ao jogo, é claro que não. Acredito, porém, que tenha sido só pelo prazer da contrariedade, algo que parece natural no clube.

Há quem vá dizer que é exagero meu, eu sei. Mas há também um fundo de verdade. A vitória sobre a Chapecoense, neste domingo, é uma prova disso.

Apesar do frio, o primeiro tempo teve um efeito sonífero mais potente que qualquer feijoada completa num dia de verão no Rio de Janeiro. Enquanto o time de São Januário impunha a intensidade de uma tarde de folga na rede, com mais passes laterais que uma linha de montagem do fordismo – sem a mesma eficiência, é claro -, os catarinenses levantavam bolas na área vascaína em ritmo de vôlei.

O Vasco entrou com três volantes, mas nenhum acelerador. Desábato, Raúl e Andrey distribuíram toques descompromissados entre si, num famoso deixa que eu deixo,na famigerada expectativa do outro tentar um toque mais atraente. Ou menos perecível.

Assim, não há Ford que ande.

A entrada do elenco de 98 em campo, no intervalo, celebrando os 20 anos da conquista da Libertadores, era mais que um contraste. Era um pedido de desculpas após os 45 minutos iniciais. Ver o time campeão da América pisar no gramado onde se consagrou, após a atuação da equipe, foi como dormir no frio de Petrópolis sem cobertor e acordar abraçado com uma foto à beira-mar, em Cancún. Uma ótima lembrança, mas não esquenta.

Havia, porém, um tanque disposto a passar por cima da frigidez vascaína: Maxi López.

Quando o relógio não marcava mais que cinco minutos, o argentino arriscou seu primeiro chute no jogo. Ignorando qualquer marcação, girou de perna esquerda e mandou por cima a jogada iniciada por Wagner. Aos 23, completou outra jogada do meia, dessa vez, numa rara troca de passes com infiltração. No fim da etapa inicial, nova jogada da dupla e o cabeceio do argentino pra fora.

E é aí que está o diferencial de López: ele não hesita. Mais que isso: não desiste.

Não há defeito pior em um atacante que a indecisão. Um artilheiro que refuga é um garanhão estéril. Há de se ter tesão pelo gol, pelo barulho da rede, pelo estouro da massa. Maxi tem. E a carrega sem abdicar em momento algum de seu altruísmo.

Maxi tem se mostrado o tipo de atacante mais cobiçado por estas bandas: o que leva perigo até no meio-campo.

Com um giro de camisa 9 e um lançamento digno de quem carrega a 10, o 11 cruzmaltino deixou Wagner, que antes parecia tomado por um medo quase que mortal de pisar na área, em ótima condição para marcar. Assim como já havia feito contra o Ceará, em outro passe de López, o meia finalizou com a raiva de quem trabalha num domingo à noite, abrindo o placar.

Tal qual contra os cearenses, entretanto, o Vasco veria a Chape empatar no jogo aéreo, o grande estigma defensivo e que segue incurável.

O gol de empate fez a noite esfriar ainda mais em São Januário.

Veja bem, qualquer atuação ruim é desculpada após uma vitória. No triunfo, até gol sem querer vira golaço. Expulsão é sinônimo de entrega. E por aí vai. São dimensões diferentes. Agora, empatar a segunda consecutiva com uma atuação quase que ofensiva aos olhos, era algo que o vascaíno não poderia perdoar.

Mas quem não perdoou foi Maxi.

O argentino recebeu de Andrey no bico da área, puxou da perna direita para a esquerda, como quem penteia um recém-nascido, e bateu de canhota, rasteira, dando a bola a oportunidade de se despedir de cada pedaço de grama antes de se reencontrar com as redes.

A placa marcando os cinco minutos de acréscimos subiu em São Januário com um ar de prorrogação.

López, entretanto, ainda completaria sua noite com mais uma prova de generosidade. Nova jogada de pivô no meio-campo, e outro passe esclarecedor. Dessa vez, para Thiago Galhardo.

Poderia ter sido uma bola qualquer de contra-ataque para ganhar tempo, mas Galhardo também queria um pedaço da noite de Maxi. Com a objetividade que lhe é peculiar, deu um tapa de cabeça à frente da marcação, ganhou na velocidade com suas largas passadas de falso-lento, e completou com um toque por cima de Jandrei, levantando bola e torcida.

O Vasco carecia de um garçom e um artilheiro. Parece ter encontrado os dois em um só.

Youtube: Canal do Garone
Twitter: @BlogDoGarone
Facebook: /BlogDoGarone
Instagram:@BlogDoGarone

 



MaisRecentes

Falta de dinheiro ou má gestão? Vasco contratou dois times apenas em 2018



Continue Lendo

A importância de Maxi López no Vasco



Continue Lendo

Ríos diminui diferença para Yago Pikachu no Troféu Ademir Menezes



Continue Lendo