O crime do Vasco



Vasco conquistou a sua 10ª Taça Rio (Foto: Wagner Meier/Lancepress)

Vasco conquistou a sua 10ª Taça Rio (Foto: Wagner Meier/Lancepress)

O dia que um clássico não tiver valor e uma taça não for importante, enterraremos o futebol e partiremos para uma modalidade qualquer de baralho onde as pessoas se sintam mais confortáveis para sorrir. Ora, se uma vitória, independente de valer título ou se é contra um rival, tem relevância, o que dizer de uma partida que tinha todos estes pesos?

Falar que o Estadual não está no mesmo nível do Brasileiro é o mesmo que avisar que o preço do quilo da cenoura está mais barato que o da picanha, como se alguém trocasse um pelo outro. É óbvio que são coisas diferentes, de valores distintos, mas que podem ser servidos juntos, sem problemas algum.

Se ganhar o Carioca – a Taça Guanabara, a Taça Rio ou torneio de bairros da sua cidade – não é parâmetro, perder é? Se é apenas um rito de passagem até o prato principal, que seja vitorioso. A entrada não precisa ser dispensada só porque você pediu o filé mignon. Dá pra comer os dois.

Basta saber diferenciar um do outro.

Futebol é entretenimento. E como tudo que tem como foco divertir, sorrir é um dos pontos altos. E não é isso que os vascaínos estão fazendo neste momento?

Então o futebol cumpriu o seu papel neste domingo.

O Vasco entrou para enfrentar o Botafogo sem ter vencido nenhum clássico no ano, e venceu. Luis Fabiano ainda não havia marcado, e fechou a vitória por 2 a 0. Milton Mendes queria aumentar sua invencibilidade, e somou mais uma partida. Guilherme Costa precisava mostrar para o treinador que tem espaço entre os titulares, e mudou o jogo em seu segundo toque na bola, quando conseguiu a expulsão de Marcelo. O elenco Cruz-Maltino precisava de uma injeção de ânimo e confiança, e foi exatamente o que conseguiu.

De quebra, ainda levou R$ 1 milhão pra casa.

Será que não valeu mesmo?

O regulamento do Carioca é indiscutivelmente péssimo. Uma rara unanimidade no futebol. Mas é bem melhor ver seu time vencer um campeonato ruim do que acompanhá-lo caindo pelas tabelas na fórmula mais correta possível. Principalmente quando o título não vem em razão do regulamento, ele foi ganho na bola.

Ninguém torce pra campeonato, eles vibram por clubes.

Enquanto as camisas tiverem alma, não terá uma só vitória que não faça bem e traga calma.

Pergunte ao vascaíno que desfilará sorridente com a Cruz de Malta no peito amanhã, ao técnico Jair Ventura que mandou seu time para o ataque aos 44 minutos segundo tempo – e por isso deu o contra-ataque do 2º gol -, ao goleiro Helton Leite que levantava bolas na área do Vasco nos instantes finais, ao Bruno Silva que lamentou a finalização errada ou até mesmo a Diego, do Flamengo, que jogou os 90 minutos da semifinal e quase marcou aos 87…

A verdade é que todos tentaram vencer. Esse é o princípio básico do desporto: competir. Só um conquistou, claro. Exatamente o que mais precisava. E isso não deve ser motivo de preocupação, mas sim de esperança para o elenco.

Nos tornarmos reguladores da alegria alheia, isso sim é preocupante.

Se é crime comemorar título, eu quero é distância da polícia…



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