O clássico valorizado e a hemorragia defensiva



Riascos e Igor Rabello marcaram no clássico (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

Duas viradas, cinco gols, bola no travessão, bola em cima da linha, vilões, heróis e emoção até os últimos minutos. O clássico dos erros individuais foi também o duelo das alegrias coletivas.

Os quase – poucos – 10 mil torcedores que foram ao Nilton Santos podem não ter visto uma aula tática, destas cheias de termos padronizados e repetitivos, mas acompanharam um confronto que valorizou a desvalorizada Taça Rio.

Não que a competição tenha ganho outro patamar por causa da partida, mas, ainda que por apenas durante 90 minutos, ela pareceu valer. Vasco e Botafogo fizeram, possivelmente, o melhor jogo do Carioca 2018.

Quando digo melhor, me refiro ao ambiente criado, a busca constante pelo gol – principalmente no 1º tempo -, a alternância de placares e a tensão da indefinição cozinhada em banho-maria até o momento do gol de Igor Rabello, que decretou o 3 a 2 e a classificação do Glorioso. Qualidades do esporte que vão além da tática.

Veja bem, a tática, as estratégias, são fundamentais no esporte, mas interessam muito mais a quem conduz o jogo do que a quem assiste. É legal saber, mas não é apenas isso que define a qualidade do espetáculo. O termômetro é a torcida.

Há quem prefira a sobriedade do 0 a 0 taticamente perfeito. Eu, particularmente, gosto do improvável, do inesperado, da incerteza, do 5 a 4 com três expulsões. Ou algo similar. Ainda que o óbvio tenha decidido o jogo desta quarta-feira, o roteiro foi volátil.

O Vasco é frágil no jogo aéreo. O Botafogo, idem. Similaridades que deixaram o clássico indefinido desde o seu início.

Por lá, o Glorioso abriu o placar. Por cima, também, o Cruz-Maltino virou, numa troca de tapas em guarda baixa que tem sido tradicional no confronto.

Antes de marcar pela primeira vez, a equipe de Zé Ricardo viu Riascos desperdiçar duas boas oportunidades: uma parada pelo travessão e outra por uma linha que teimou em estar mais pra lá do que pra cá. Gatito também parou Wagner.

Quem não parou foi Ríos. De tomar decisões equivocadas. O argentino teve duas chances claras de ampliar a vantagem vascaína e se precipitou em ambas.

O Botafogo, por sua vez, não refugou. Forçou a bola pelo alto no fim, como quem esfrega uma ferida exposta com uma lixa, até obter êxito. Paulão reconheceu depois, em entrevista, que o time sabia que esta era a sua fragilidade. O que Zé Ricardo parece ainda não saber é como resolvê-la.

A fragilidade é tanta, que o sentimento de gol surgiu no momento em que o árbitro assinalou a falta de Wagner – inexistente, ao meu ver. Naquele momento, já havia no ar a certeza do tento. Não à toa.

A defesa do Vasco no jogo aéreo é mais perigosa do que elevador sem manutenção. Nunca se sabe se ela vai sair por cima ou por baixo. Muitas vezes ela tem acabado parada no meio, indecisa, e com a porta aberta. Hoje, mais uma vez.

Pensando no futuro, o clássico escancarou as falhas de ambos. Em contrapartida, como momento, mostrou a virtude dos grandes jogos. Vasco e Botafogo, nesta quarta-feira, pareciam jogar não pela tradição da Taça Rio, mas pela própria história que carregam. O que é de se aplaudir.

A hemorragia defensiva de ambos, porém, precisa ser estancada, para que velhas histórias não se repitam em 2018.

 



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