O clássico frígido



Vasco criou pouco, mais uma vez (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

Quando Flamengo e Vasco foram para o intervalo, após um 0 a 0 quase ofensivo no 1º tempo, tive a certeza de que a etapa final teria uma outra face. Afinal, há poucas formas de transformar um grande clássico mundial em um mero passeio de sábado à tarde. Mas conseguiram.

O duelo entre o Rubro-Negro Carioca e o Cruzmaltino pareceu mais um carro à álcool tentando ligar no frio que uma partida de futebol. Demorou demais para pegar. E quando foi, rateou. Até uma pelada de terça à noite entre casados e solteiros seria capaz de arrancar mais suspiros.

Em resumo, Flamengo e Vasco fizeram um jogo tão morno quanto uma partida de botão entre vizinhos. Pior: entre primos de 3º grau.

Ao clássico, não se dá a chance de ser mais ou menos. Do contrário, é um jogo qualquer. Não se joga um Clássico dos Milhões com a mesma melancolia de quem volta de mãos vazias de um aniversário do Guanabara. É necessário gerar algum tipo de emoção. É preciso ao menos sentir a batalha.

Costumo dizer que um clássico pode ser dividido em duas partes: a mental e a passional. O de hoje, porém, só teve a primeira parte. Os dois entraram em campo com mais preocupação do que emoção, mais atentos a anular o outro do que criar para si próprio. E assim se mantiveram por todo o primeiro tempo. Nulos.

Nos últimos 45 minutos, entretanto, o Fla quis uma coceira a mais que o Vasco. E o time de Zé Ricardo aceitou a pressão como quem recebe a conta de um bar após um jantar em família: com uma agoniante naturalidade.

A verdade é que o Vasco se tornou um time de histórias gordas e placares magros. Para o bem e para o mal. E quando o empate já lhe enche a barriga, qualquer 0 a 0 ‘low carb’ é considerado uma refeição ideal. Por mais que seja a hora de ganhar gordura.

A saída precoce de Ramón, após as três substituições vascaínas, foi a última esperança de emoção em um clássico frígido. Em vão.

Se não fosse a cabeçada de Vizeu aos 36 minutos, acompanhada de uma longa reza da defesa cruzmaltina e uma pequena intervenção divina de Martin Silva, nem Deus, figura presente até para os ateus em dia de clássico, teria sido lembrado durante os 90 minutos.

Melhor pra ninguém. Pior para todos.



MaisRecentes

Após rescindir com o Vasco, zagueiro de 19 anos assina com o Atlético Mineiro



Continue Lendo

Vasco acerta o retorno de atacante revelado na base do clube



Continue Lendo

O óbvio e o imprevisível



Continue Lendo