O carrossel de emoções do Vasco



Esperança e preocupação: um carrossel de emoções no Vasco (Foto: Paulo Fernandes/Vasco.com.br)

Esperança e preocupação: um carrossel de emoções no Vasco (Foto: Paulo Fernandes/Vasco.com.br)

Todo torcedor, quando escolhe uma camisa para torcer, assina inconscientemente um contrato com o clube, aceitando defendê-lo e acompanhá-lo em todos os momentos. Em troca, recebe uma carga de emoções que só o futebol é capaz produzir.

Quando se aceita os termos, não se sabe qual tipo de sentimentos receberá. Aceite todos, não há outra maneira de torcer. Em 90 minutos de bola rolando, é possível sentir alegria, amor, agressividade, auto-piedade, ansiedade, angústia… Isso tudo sem precisar sair da letra ‘a’.

A aflição do pré-jogo deu lugar a esperança após o apito inicial. Quando Nenê abriu o placar para o Vasco contra o Joinville, aos 4 minutos, o cruz-maltino ficou eufórico. Nem sempre o entusiasmo vem cedo assim, principalmente para os adeptos da vascainidade.

Quando Riascos ampliou, com frieza, logo em seguida, os vascaínos não puderam conter a histeria. Dois gols em menos de dez minutos tem sido um fato raro de ser feito e fácil de ser sofrido – principalmente no 1º turno. Chegar no intervalo vencendo por dois de diferença, idem.

Um sentimento de alívio e tranquilidade incomum para o torcedor do Vasco no Brasileiro de 2015, recém acostumado ao desespero. Até a troca de tempo, parecia ser um dia diferente, com uma vitória sem preocupação, lembrando os bons tempos que trazem nostalgia.

Mas o time de São Januário parece incapaz de despejar um carga linear de sentimentos em seu torcedor. A emoção tem que ser forte, com mudanças drásticas de comportamento, criando um suspense digno dos roteiros de  Alfred Hitchcock.

A incerteza gera o medo e a equipe para. O coração do torcedor também. Fanatismo também é um sentimento e, assim como toda emoção, causa alterações corporais. No jogador, a perna pesa. Para a torcida, o que fica pesado é o ponteiro do relógio, que passa arrastado.

Basta uma sequência de erros para as velhas sensações ressurgirem. Não há vascaíno no mundo que consiga relaxar no sofá antes do sopro final do árbitro. Eles conhecem os sentimentos envolvidos em cada tic-tac. Muito mais intensos que o tiki-taka de Guardiola e Barcelona.

Quando Rafael Donato diminui a diferença no placar, o torcedor sente um frio na barriga próprio de quem já viu filmes parecidos e não gostou. Sai a paciência e entra o pânico. Se vai o prazer e chega a preocupação. Alterações tão desagradáveis quanto a desnecessária improvisação de Serginho na direita após a saída de Madson.

Com a vitória em risco, passaram-se 14 minutos – dez mais acréscimos – em que os cruz-maltinos vivenciaram um verdadeiro carrossel de emoções. Marcelinho chuta e Aislan trava. Susto. Diguinho erra o passe e Serginho escorrega. Raiva. Kempes cabeceia e Martin Silva defende. Alívio.

O juiz encerra o jogo. Paz.

Ao menos por uma semana.



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