O capitão Desábato e o talentoso 10



Evander foi um dos destaques do Vasco (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

Tenho pra mim que apenas duas coisas – além do amor pelo time, é claro – impulsionam o torcedor a ir ao estádio num sábado à tarde, no estranhíssimo horário de 15h45 – que não respeita sequer o imaculado direito à sesta pós-almoço -, para acompanhar Madureira x Vasco: a expectativa de muitos gols e a possibilidade de ter que lavar a louça em casa no caso de permanecer por lá.

Quem foi à Moça Bonita neste sábado, porém, assistiu um jogo movimentado e interessante. Não pela qualidade técnica dos times, mas pela vontade de ambos em vencer. O Vasco, para ir às semifinais da Taça Rio e, possivelmente, do Estadual. Já o Tricolor Suburbano, para encerrar o jejum de triunfos na competição.

Veja bem, uma boa partida, com duas equipes organizadas e consolidadas, pode muito bem terminar em 0 a 0. É o típico embate onde ambos, satisfatoriamente, se anulam. Agora, um confronto entre times repletos de falhas e vontade de ganhar, dificilmente terminará com as redes sem serem defloradas. E isso também é bom de se assistir.

Disse que apenas duas coisas ainda levam a torcida ao estádio nesta situação, mas já me corrijo: a qualidade individual de alguns jogadores também – ainda – tem esse poder. No Vasco, estes chamarizes atendem pelos nomes de Evander e Desábato.

Quando se contrata um volante argentino, historicamente, corre-se o risco de ter um desfalque a cada três rodadas. Mas há também a chance de se encontrar um novo líder, tanto tecnicamente quanto moralmente. E é este o caso do camisa 5.

Recém-chegado, Leandro entrou em campo carregando a braçadeira de capitão como se fosse um adereço qualquer em sua manga. A faixa amarela pesou tanto no braço do gringo quanto neve em Bangu. É verdade que o adversário era apenas o Madureira, último colocado geral do Estadual, mas a seriedade com que comandou o meio-campo vascaíno dava a impressão que o clube estreava na fase de grupos da Libertadores. Assim, por meio de seu ímpeto invariável, que nasceu o primeiro tento cruz-maltino.

Leitura de jogo, cobertura, antecipação, drible e o passe. Em apenas quatro segundos, Desábato transformou um ataque do Madureira em um contra-ataque mortal do Vasco. Fazendo o simples, com inteligência e seriedade, o argentino abriu a vitória vascaína.

O tento, este primeiro, foi anotado por Evander, com grande contribuição do goleiro Jonathan. E, convenhamos, poucas coisas no mundo da bola são mais tristes que um goleiro em uma tarde infeliz.

Não dá para ter raiva do camisa 1. Com raras exceções, é o único ser inofensivo em campo. Ao contrário do atacante, o arqueiro em sua melhor noite pode garantir, sozinho, no máximo, o 0 a 0. Não é, portanto, quase nunca, uma ameaça. A simpatia, então, é natural. Vê-lo levantar desolado após uma falha, sob olhares de fúria de seus companheiros e risos contidos dos adversários, nunca é legal.

Melhor se tivessem validado o golaço de Evander impedido no 2º tempo. Seria melhor para os dois.

Em 90 minutos, o garoto fez por merecer tudo, até o gol ‘dado’. Serviu, marcou e finalizou como se ainda atuasse pelo sub-20, ignorando qualquer obstáculo imposto pelo adversário. A camisa 10, tal qual a braçadeira de Desábato, figurativa e simbólica, certamente não se importou com quem a carregava, tamanha a naturalidade.

O tento acabou se tornando um presente antecipado pelo o que Evander produziu no jogo. Como se a própria bola, sensitiva e seletiva, já soubesse quem a trataria com mais carinho.

Um 5 a 2 talvez fosse o placar mais justo pelas chances criadas e traves beijadas – neste caso, em chutes do Tricolor -, mas o 3 a 1, sem qualquer exagero de pelada, tornou a partida mais real. O teste de Zé Ricardo, novamente, foi mais individual do que coletivo. E os destaques, desta vez, finalmente apareceram.

Quem foi em Moça Bonita ver apenas mais um jogo do Carioca, viu o Vasco ganhar um novo capitão na ausência de Martin Silva e um jovem camisa 10 que em campo faz por merecer a sua presença entre os 11.



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