O affair de Luis Fabiano



Luis Fabiano é vice-artilheiro do Brasileirão (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco)

Luis Fabiano é vice-artilheiro do Brasileirão (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco)

A intimidade de Luis Fabiano com o gol deve dar inveja em muitos casais que sorriem em selfies por aí. Não tenho dúvidas.

Tem um quê de relacionamento antigo, onde andar de mãos dadas já não é uma obrigatoriedade. A conexão é no olhar.

Às vezes, manter a distância é inevitável. Porém, no primeiro sinal de problema, eles voltam a se abraçar e se beijar como se fossem adolescentes na puberdade.

Luis Fabiano na grande área é um jovem adolescente numa sexta à noite. Um apaixonado pela vida, inconsequente e impetuoso.

Passional, nunca passivo.

Tendo a acreditar que o único amor realmente duradouro no futebol é o do centroavante e as redes. Tempo algum separa. Derrota alguma coloca barreira – vide os dois gols de Fabuloso na derrota para o Corinthians.

O artilheiro faz a fama até na lama.

O grande zagueiro perde a velocidade. O bom goleiro diminui o reflexo. Ao grande meia, faltam pernas. Entretanto, ao goleador, o olfato talvez seja o último dos sentidos a ser perdido. O cheiro do caminho do gol é algo que se carrega como marca de nascença.

Ninguém acreditou tanto no camisa 9 quanto a torcida do Vasco. Desde a sua chegada.

É como um pai que confia no filho apesar das notas baixas recentemente. Todos os outros apostaram no fiasco.

E têm errado.

Aos 36 anos de idade, Luis Fabiano tem média de um gol por jogo no Brasileirão. Ganha de cabeça a maioria das bolas que perde nas pernas. Contra o Sport, mais uma vez foi alto para se autoproclamar o atual rei da área vascaína.

São cinco gols em quatro jogos na Colina pelo Brasileiro.

Não existe vitória ruim, mas há triunfo com atuação questionável. A do Vasco, sobre o Leão, foi assim.

Milton Mendes optou por mudar o esquema que vinha rendendo bem. As derrotas, principalmente as construções das goleadas, haviam nascido em erros de alterações no 2º tempo, não de escalação.

A entrada de um segundo volante com a saída de um meia de velocidade, jogando dentro de casa, tornou o time previsível. Lembrando até dos tempos de Jorginho.

Foi o pior primeiro tempo sob o comando de Milton Mendes no campeonato.

A entrada de Nenê no 2º tempo, que poderia ter sido a de Guilherme Costa – que sequer ficou no banco – desde o início para manter a disposição dos últimos jogos, foi uma corrida contra o relógio.

Milton cadenciou quando deveria pressionar. Acertou ao botar o artilheiro cruz-maltino no intervalo. Entretanto, voltou a frear a equipe quando colocou Evander, que não atuava há três meses.

Foi uma atuação ruim do Vasco, com ótimos três pontos conquistados. O que equilibra as boas atuações, antes das alterações, contra Grêmio e Corinthians, que terminaram em derrotas.

Se o time de São Januário oscila, Luis Fabiano não.

O gol segue sendo um affair de infância de Fabuloso. Uma paixão de verão que se tornou de uma vida.

Se mantiver assim até o fim do ano, se torna eterno. E o Vasco, menos tenro.



  • PrGirafales

    Fabuloso 100% fisicamente é um dos melhores centroavante do Brasil, essa é a real, o problema é idade e a falta de controle emocional sendo expulso ou tomando cartões bobos e ficando de fora de jogos importantes, foi assim sempre no São paulo por 4 anos de contrato na ultima passagem, na primeira mesma coisa, na hora que precisava dele, ou estava contundido ou fora de jogos importantes por causa de cartao, por isso que o sao paulo nao renovou mais o contrato dele, pq Fabuloso seria o jogador que nao jogaria em outra clube no Brasil

  • Dirceu

    Nosso Milton sabe como organizar uma equipe, dar a ela uma estrutura tática definida e devemos a ele a melhora de nosso conjunto. No entanto, definitivamente, faz consistentemente escolhas erradas.
    Ontem, mais uma vez, escala o Wellington, que mostra total falta de ritmo e, arrisco, de qualidade. Sua participação foi novamente nula. Difícil acreditar que nos treinos tenha sido um jogador diferente.
    A entrada do Nenê era óbvia, pois além de abrir o jogo, daria mais qualidade ao time. De outro lado, o Milton tinha que inventar: lançou o Evander em uma posição que jamais atuou, para substituir um atacante que jogava aberto pela esquerda.
    Uma escolha que não encontra ponto comum com a lógica, só poderia dar errado, como a realidade veio a comprovar.
    Além disso, a nossa grande promessa parece permanecer presa às expectativas de um grande futuro, que insiste em jamais ser alcançado. Espero que ele resolva se concentrar no presente e entender que o futuro precisa ser construído com o suor de cada dia.
    Mas voltando ao nosso Milton, sua propensão ao contrassenso, felizmente ontem não foi dupla. Ele não nos poupou do inútil Muriqui, que inversamente ao Evander, joga no passado de uma carreira cheia de expectativas, como num filme retrô, scujo único espectador é o nosso técnico.
    Como você disse, fizemos ontem o pior primeiro tempo deste brasileirão, pela limitação imposta pela escalação do Wellington, mas também pelos efeitos psicológicos de uma acachapante derrota no jogo passado, cujo único responsável pelo exagerado placar, esteve sentado nas sociais, munido de seu telefone sem fio.
    Mais uma vez ressalto aqui o meu reconhecimento pelo bom trabalho do Milton, mas as experiências sem correspondência com a lógica, não são sinal de generalidade mas, quase sempre, de imbecilidade.

    • Breno Falcao

      Só tem um problema nessa sua análise, manga não jogava na ponta esquerda qnd Evander entrou, jogava na meia direita, posição que já jogou várias vezes com o Jorginho. Msm antes de ser invertido pro lado direito do campo manga já não jogava de ponta e sim de meia esquerda, posição que o Evander tbm jogou várias vezes, msm que fosse na base.

  • Dirceu

    …. jogava aberto pela direita

  • Dirceu

    …sinal de genialidade….

  • Luciano Silva

    O MM fez certo em escalar mais um volante (porém não escalaria o Wellington e sim Consedey ou Gallo). Como disse antes o Vasco tem que assumir as limitações de elenco e mesmo o clube sendo Gigante , tem que jogar como time mediano que é no momento . Tem que tomar como exemplo o Botafogo ano passado que quando o Jair assumiu as limitações do time e implantou o esquema 4-3-1-2 , com três volantes se equilibrou e até chegou na Libertadores . Acredito que os volantes ideais serão o Bruno Paulista/Douglas/Wellington (em forma) , mas pode até recuar um pouco o Matheus Pet para encaixar o Nenê no time , ficando o Losango no meio com Bruno Paulista na frente da zaga , Douglas pela direita e Pet (Wellington) na esquerda mais o Nenê . Com isso também soluciona em parte a deficiência de cobertura na marcação dos nossos laterais podendo até mesmo escalar o Picachu (Madson) e Alan nas laterais . SV

  • Ailton Ferreira

    A vitória foi ótima, mas o MM continua tendo decisões questionáveis, embora os erros individuais estejam sendo o maior problema do time.

    A falta de inteligência do Gilberto em campo é inacreditável, só não é pior que o Kelvin(que é uma pena a lesão para o jogador, mas só assim pra ele sair equipe).

    A zaga é um terror completo quando está sendo atacada, Paulão e Breno erram bolas que zagueiros só medianos não errariam, mas creio que com o tempo e maior consistência tática isso vá ser melhorado, com a volta do Rafael Marques também, já que ninguém nem fala mais do Anderson Martins.

    Fico muito feliz em ver a afirmação do Matheus Vital e saber que os garotos estão nos planos do treinador, entradas como a do Evander ontem são a melhor maneira de dar minutos aos garotos, só não entendo o Guilherme ser deixado de lado, até pq o Manga já dá sinais que não é consistente pra ser titular absoluto.

    E por último, eu entendo o carinho que a torcida criou pelo Jean, mas o cara afunda o time, suas qualidades são só a raça e o bom desarme, mas ele deixa os dois zagueiros (que já são limitados) muito expostos, péssimo posicionamento e apanha da bola toda hora, o Wellington é melhor que ele.

MaisRecentes

Zé Ricardo e Milton Mendes, os antagonistas



Continue Lendo

Sub-20: Vasco contrata atacante de 19 anos que estava no Atlético-PR



Continue Lendo

A queda de Milton Mendes



Continue Lendo