O adeus de Rodrigo



Rodrigo fez 19 gols em 174 jogos pelo Vasco (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

Rodrigo fez 19 gols em 174 jogos pelo Vasco (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

Rodrigo chegou ao Vasco, em 2014, após ganhar a Bola de Prata – tradicional prêmio da revista Placar – no Brasileirão 2013, quando atuou pelo Goiás. Em São Januário, assumiu a posição, por vezes a faixa de capitão, e virou referência de liderança dentro do elenco cruz-maltino.

Em muitos jogos, o zagueiro foi fundamental para o time. Em outros, prejudicial. Vida de zagueiro. Comum.

O novo reforço da Ponte Preta, anunciado nesta terça-feira, foi bicampeão estadual, brilhou em clássicos, igualou expressiva marca de Dedé, porém, não conseguiu formar uma dupla sólida e constante ao lado de Luan.

Mesmo após três anos de parceria, oscilavam. Muito por problemas táticos e técnicos da equipe, é bem verdade, mas também por falhas próprias em outros momentos – principalmente na marcação do jogo aéreo.

Rodrigo teve no Vasco o estrelismo que não alcançou em outros times. Isso por si só já poderia ser visto como um erro. Em alguns momentos, obteve isto referendado pelo próprio presidente do clube. Foi demais. Em um certo ponto, o que parecia ser uma simbiose interessante, positiva, pendeu para o parasitismo, algo negativo, danoso.

Erraram na dose.

A questão é que a importância do defensor em campo – e dentro do grupo – cresceu demais para um rendimento que cada vez mais se aproximou do mediano. O status de guardião do clube, de comandante da zaga e símbolo da luta, foi vendido algumas vezes de forma equivocada e exagerada. E não apenas pelo jogador, mas também pela diretoria.

Rodrigo é bom zagueiro, tem qualidade no desarme, sabe marcar gols, mas não é excepcional. Não ao ponto de se tornar essencial. Ainda mais aos 36 anos de idade. Talvez tivesse tido uma passagem mais longa e calma pelo clube se isso fosse senso comum.

E o clube, se usasse o bom senso com calma, não teria caída neste erro comum. Principalmente quando renovou seu vínculo após um clássico, de forma impulsiva.

É uma peça que o Vasco terá que repor, e não será fácil. Há poucos no mercado que possam ser vistos como solução. Entretanto, era um jogador que o clube precisava deixar de lado para trilhar um novo rumo.

A solução que o time precisa, Rodrigo também já não era.

O caminho agora está na renovação, com mais equilíbrio. Com menos excessos, sem ter que lutar por acessos e, talvez, com ao menos um pouco mais de sucesso. É o que se espera.

Rodrigo deixa o Vasco sem ser o herói que talvez tenha tentado ser, ainda que de forma inconsciente e/ou instintiva, mas também sem carregar o peso de vilão que parte da torcida chegou a lhe empregar. Está no meio disso, onde sempre deveria ter estado: entre os mortais.



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