‘Novo Vasco’ de Zé Ricardo busca o equilíbrio de 2017



Vasco atuou com três zagueiros contra o Flu (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

Quando Zé Ricardo chegou ao Vasco, em agosto do ano passado, iniciou a reconstrução da equipe vascaína. E começou pela defesa. O time, que tinha uma das piores médias de gols sofridos do Brasileiro, de repente passou a ser uma das menos vazadas do campeonato.

Este ano, após dar uma sequência ao time, decidiu mudar. Contra o Fluminense, optou por três zagueiros, mesmo mantendo os dois volantes.

Não sei quais crimes Evander e Paulinho cometeram contra o Boavista – partida que não pude ver -, mas acredito que tenham sido graves. Ao menos piores que os de Wellington e Wagner.

Não que os dois últimos citados sejam vilões individuais da equipe, mas talvez sejam os nomes mais frágeis entre os titulares de Zé Ricardo. Ainda assim, foram mantidos quando o treinador buscou novas opções de jogo. Escolha particular, normal. Mas isso deixou o meio-campo vascaíno ainda mais previsível do que de costume.

O fato da equipe não ter sofrido gols no clássico – 0 a 0 – não quer dizer que o esquema funcionou. O Tricolor teve chances de marcar, inclusive na bola aérea, um dos pretextos da mudança. Pedro e Sornoza tiveram oportunidades pelo alto ainda no 1º tempo. No 2º, foi a vez de Gum ganhar por cima. Duas vezes.

O Vasco povoou sua área e abriu espaços no meio. Chamou o jogo para o seu campo, mas não conseguiu emplacar contra-ataques. Tentou impedir o jogo aéreo do Flu já em sua definição, ao invés de pressionar na criação. Não à toa Ayrton e Gilberto foram uns dos destaques pelo lado das Laranjeiras.

Demorou para o novo esquema de Zé encaixar. E nem sei se encaixe é a palavra certa. Certo é que o Vasco melhorou no 2º tempo.

Ao mesmo tempo em que Abel tentou surpreender lançando Renato Chaves pela direita e abrindo Jadson pela esquerda, os espaços passaram a surgir com mais frequência para o Vasco. Mesmo com uma posse menor – 46,3% no 1º x 38,9% no 2º -, o Cruz-Maltino foi mais incisivo quando teve a bola. Principalmente com Riascos.

Dois dos principais lances ofensivos nasceram dos pés do colombiano. O primeiro, desperdiçado por Rildo, que agora deve estar se lamentando pelo não uso da perna esquerda. O segundo, por sua vez, um rabisco de uma pintura que seria desenhada no Nilton Santos, iniciada por uma caneta certa em linha plana, mas que acabou saindo como um tiro por cima da meta de Júlio César.

Lances individuais, entretanto, que pouco têm a ver com as opções de Zé Ricardo. O coletivo cresceu exatamente com outra mudança: Thiago Galhardo. Este sim, com o crime reconhecido para não estar hoje entre os titulares: a expulsão na Bolívia. Do contrário, deveria estar entre os onze.

Galhardo talvez seja hoje o meia mais proativo do Vasco. No clássico, ajudou a movimentar o lado direito, colocando Yago Pikachu no jogo e freando as subidas de Ayrton. A partir daí, a partida ficou equilibrada.

O fim do 3-5-2 de ambos, nos 15 minutos finais, deixou em aberto os últimos instantes da partida, que antes parecia mais um 0 a 0 premeditado. E assim seguiu até o fim.

Jogos de muitos gols parecem assustar Zé Ricardo, que gosta de partidas mais controladas. Para isso, porém, a equipe precisa primeiro evitá-los. Esta parece ser a opção de Zé, que perdeu em qualidade individual atrás e agora tenta suprir com volume.

Assim como em 2017, isso trará sacrifícios. Principalmente ofensivos. Contra o Fluminense, a primeira prova disso.



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