Nelson Rodrigues e o Vasco de Cristóvão



Cristóvão Borges foi vaiado pela torcida no último jogo (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco)

Cristóvão Borges foi vaiado pela torcida no último jogo (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco)

Pouco se fala de Vasco, Luis Fabiano, Bruno Paulista, Guilherme Costa e outras peças que merecem atenção no elenco, nos últimos dias. Muito tem se debatido o fator Cristóvão. Eu mesmo falei sobre ele, sua situação, aqui no blog após o empate com o Vitória. Em caso de má atuação contra o Macaé, no Estádio Nilton Santos, talvez seja tema até do sermão da missa de domingo. Quem sabe…

Curiosamente, lendo um livro de Nelson Rodrigues – ‘O berro impresso das manchetes’ – esta semana, me deparei com uma crônica que, se mudássemos os nomes dos personagens, poderia dizer que ela foi escrita sobre o atual momento do time.

‘Eis a verdade, amigos’, era uma das expressões utilizadas pelo escritor. Não a verdade absoluta, mas a de Nelson. E, com certeza, a de mais alguns. Por isso, decidi compartilhar com vocês aqui alguns trechos do texto escrito em 5 de maio de 1956. Isso, há 61 anos. E ainda é atual.

“Todas as manhãs, abre-se o jornal e lá se encontra a notícia de um brasileiro perdeu na Europa. Ou é o Vasco ou a Portuguesa ou, então, o próprio escrete. (…) Por mais doce e cordial que seja a nossa esportividade já começamos a rosnar contra a humilhação de tantos resultados negativos.
O caso do Vasco, sobretudo, é de um alto patético. Justiça se lhe faça: o que o quadro de São Januário está realizando , na Europa, é uma insuportável maratona de derrotas. (…) Eis a verdade: a derrota tornou-se uma rotina, um hábito, um vício, quase um dever, na excursão vascaína. (….) Ninguém entende que uma equipe poderosa esteja assim caindo os pedaços no Velho Mundo.
E no entanto, a explicação está à vista, numa dessas evidências espetaculares. Ei-la: o Vasco perde por causa do técnico. Sim, amigos: no futebol moderno, o técnico é responsável por tudo, pelas vitórias, pelas derrotas e pelos empates. O time joga, o time molha a camisa, o time dá botinada. Mas é o técnico que está, por trás, dispondo. Mesmo quando ele cala, omite-se, ainda assim influi pelo silêncio e pela omissão. (…) o quadro de São Januário era feito à imagem e semelhança do Sr. Flávio Costa. Quando os seus jogadores desandavam a passar para os lados e trás, num futebol estéril e bonitinho, sabíamos que era o técnico que estava amarrando o ataque. (…) o Sr. Flávio Costa conseguiu mumificar a velocidade de Pinga. Mais tarde, saiu o técnico de São Januário para o escrete. Pensou-se, então, que o Vasco estava livre de sua influência.
Mas a atual excursão pela Europa demonstra que não. É tal a autoridade do técnico, tão absoluta a sua ascendência que, embora omisso, embora ausente, ele ainda decide. (…) Os craques cruz-maltinos estão de tal maneira viciados, intoxicados e automatizados que passando para os lados, para trás e sem gols. Ou por outra: quem faz os gols é o adversário.’

Eis a verdade, amigos… Ou parte dela.

* Texto de Nelson Rodrigues, escrito no dia 5 de maio de 1956, para o Manchete Esportiva. A crônica faz parte do livro ‘O berro impresso das manchetes’.



  • Vander Vasco

    ok tudo muito bonito, tudo muito lúdico, sabemos q os problemas do VASCO HOJE não é apenas do técnico, e sim um ciclo sem fim de administrações desastrosas (Eurico+Dinamite+Eurico de novo) nesses últimos 17 anos, mas não tem como negar que o eterno auxiliar é um INCOMPETENTE por onde passou, nunca se firmou em lugar algum, hoje apesar do elenco não ser a altura das tradições do VASCO é melhor que os de 2015/2016 e mesmo com pré-temporada ele não conseguiu fazer NADA nesse time, não tem padrão, não tem jogadas ensaiadas, escala errado, muda pior ainda… não tem desculpas mais… na mão de um técnico de VERDADE o time já era pra ter tido alguma melhora nesse tempo todo!!! A gente vê uma CHAPECOENSE q foi dizimada por uma tragédia, o elenco foi TODO RECONSTRUÍDO LITERALMENTE, e sem jogadores de nome, mas tá com padrão de jogo e fazendo frente numa LIBERTADORES… (outro exemplo é o fluminense na mão do Abel Braga)… a que ponto o apequenamento do VASCO fez seu nível de contentamento ter caído tanto heim?!

    • Norberto Freund

      perfeito comentário!
      Acrescento que a cronica citada não é uma boa analogia, pois o tecnico Flavio Costa era consagrada à epoca.
      O Vasco tinha um bom time, e vinha de uma década excepcional.
      A unica semelhança é a sequencia de resultados pífios.
      O Vasco pode até formar um bom time com estes jogadores, mas com esse tecnico será muito difícil.
      As previsões do presidente vão acabar sendo tiros na culatra e manchando a sua biografia

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