Não há vascaíno ateu



Nenê brilhou na vitória vascaína (Foto: LANCE!Press)

Nenê brilhou na vitória vascaína (Foto: Reginaldo Castro/LANCE!Press)

Torcedor é, por instinto, passional. Razão é algo que ocorre às segundas e sextas, quando não há rodada de nada. São ‘dias mortos’ no calendários do arquibaldo. Fé é algo que aparece no dias sequentes. Não há ateu no futebol. Não quando seu clube luta desesperadamente para não ser rebaixado.

Sai o copo e entra o terço na mão direita. Deixa de lado o conforto e veste aquela camisa antiga que mal serve. Mas a da ‘sorte’, que sobe um pouco mais a cada gole de cerveja – essa só muda de lado. Nem o umbigo é o limite. Muitas vezes é apenas o meio. A prece, que aprendeu na infância e por lá ficou, rapidamente volta, em cada escanteio ou ataque perigoso do adversário.

A Cruz de Malta nunca teve um significado tão real para os vascaínos. Hão de carrega-la, até o fim.

Para operar o milagre, era necessário parar Jesus. Isso mesmo. O outro menino, Gabriel. Não o santo, mas aquele que ultimamente tem infernizado as defesas. Luan, em ‘tarde abençoada’, conseguiu. Assim como Rodrigo, quando o garoto mudou de lado no campo.

Mas milagres só são possíveis quando há alguém para operá-los. No Vasco, o santo tem nome: Rafael. Silva recebeu de Nenê, fintou Jackson e bateu de canhota. Prass botou para escanteio. Na perna esquerda boa, o camisa 10 fez a cobrança precisa na cabeça do atacante. A bola ainda beijou a trave, como se pedisse benção. Tocou o pé como se fosse a mão. Não a de São Marcos, muito menos a de São Prass. Mas a de San Gennaro:  1 a 0.

Ateus soltaram um ‘amém’. ‘Aleluia’ foi tão entoado quando o grito de ‘gol’. Instinto. Nunca extinto. Fé, às vezes, é algo que se diz não ter, com medo da frustração, mas ela está lá. Vida de torcedor é assim. Um crer e não crer que muda a cada ‘créu’. Lá e cá.

Não demorou muito e os ‘abençoados’ – não, não é um grupo funk religioso – voltaram a aparecer. Rafael Silva brigou e caiu para o evitar a queda. Do time. Nenê cavou para desenterrar o Vasco, deixou Prass na lama, e se consagrou mais uma vez como um dos heróis dessa retomada cruz-maltina.

A vitória sobre o Palmeiras manteve as velas acesas. Dessa vez, por 11 dias, não sete. Mas o que vale, para o torcedor, é a chama, não o tempo. Acreditar pode ser um caminho torturante, porém, inevitável no momento.

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  • Alessandro Louzada

    Jorginho mais uma vez teve merito ao REINVENTAR esse meio campo que vivia MORTO..Pra mim ficou explicito o que ja sempre disse, Nene e Andrezinho precisam de mais LIBERDADE, Proximo jogo é so trocar Serginho por Bruno Gallo e ficam elas por elas, o ataque deve permanecer dessa forma, Silva tem uma estrela Inapagavel e Riascos mesmo parecendo ‘gordinho’ conseguiu fazer melhor que Leandrao

  • Carlos Alberto Moutinho

    Até eu ! Não terminou a ladainha , porém a fé continua .

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