Na Libertadores, Vasco entrega o que tem: coração



Wagner fez o gol de empate com o Racing (Foto: Luciano Belford/AGIF)

Há algo de especial em jogar com um a menos. Gera uma espécie de desorganização inconsequente que assusta, algumas vezes, até mesmo o adversário. No caso do Vasco, é algo tão especial, que o time pareceu fazê-lo desde o início da partida com o Racing, nesta quinta-feira.

A sensação de ausência, na verdade, foi sentida ainda com o time completo – Desábato seria expulso no início do 2º tempo -, em razão da incapacidade da equipe em trocar três ou quatro passes antes que algum jogador se visse acuado pela marcação argentina.

Jogadores alvicelestes surgiam em volta do homem da bola como gremlins molhados e alimentados à meia-noite, forçando 41 lançamentos vascaínos e 36 passes erradosFrágil, não demorou para o Cruz-Maltino sucumbir à equipe de melhor técnica individual e coletiva. Gol de Lautaro Martínez, mais uma vez.

E era algo esperado.

É natural que o vascaíno sonhe com a vaga – ainda possível – para a próxima fase da Libertadores. Mais do que isso: é uma obrigação quase que moral, como torcedor, fantasiar com Wellington marcando Salah em Abu Dhabi no Mundial de Clubes. E o colocando no bolso, é claro.

Sobriedade e equilíbrio não são, e nem nunca serão, qualidades de uma arquibancada inflamada. Assim como foi, e sempre tem sido, a de São Januário.

E é esse torcedor, o que não desiste, que mantém a fé em dia.

Afinal, pode se criticar os muitos erros de passe, a dificuldade na saída de bola – Wellington e Desábato deram apenas 12 toques cada -, o excesso de ligações diretas, a falta de criatividade e objetividade na frente, e até a cordialidade ofensiva do time, que parecia aguardar um convite formal em papel timbrado para tentar uma finalização contra o gol de Musso, mas não por faltar entrega.

A verdade é que o Vasco que se classificou em 2017, já de forma inesperada, se desqualificou para 2018.

Paulinho e Mateus Vital, autores dos gols contra a Ponte Preta, na última rodada do Brasileirão 2017, foram negociados. Assim como Anderson Martins, Madson, Gilberto e Nenê, titulares na partida que selou a classificação. Sem falar em Breno, Ramon, Giovanni Augusto e Kelvin, potenciais titulares que seguem entregues ao Departamento Médico.

O time que surpreendeu ao chegar até a competição, segue espantando por ser recusar a ir embora de forma prematura, mesmo dando sinais de que é uma questão de tempo. E se lhe faltam atributos técnicos para permanecer, não é necessário mais alma.

E foi exatamente com um a menos em campo, como se gostasse da adversidade, que o Cruz-Maltino cresceu no jogo. Desprovido de qualquer medo, viu na inferioridade numérica a oportunidade de ir para o tudo ou nada já tradicional da equipe.

Completo, o Vasco foi um time previsível e espaçado. Agora, amputado de uma de suas peças, novamente fragilizado, o time mostrou mais uma vez sua face de superação. Enquanto o rápido e incisivo Racing diminuía o ritmo, o time de São Januário acelerava para tampar os buracos deixados pela expulsão e por ele mesmo na 1ª etapa. Tudo isso regido por quase 10 mil vascaínos que também se recusam a desistir.

O gol de Wagner, deixando o placar em 1 a 1, se não foi fruto de um grande futebol apresentado, ao menos foi uma forma de coroar a grande arma da equipe: o coração. E como o vascaíno tem precisado dele… Mesmo sabendo que só com ele não dá.



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