Memórias do Morumbi



Bruno Paulista foi o melhor em campo pelo Vasco (Foto: Reprodução)

Bruno Paulista foi o melhor em campo pelo Vasco (Foto: Reprodução)

O Morumbi, para o vascaíno, é um palco de memória quente e viva.

É aquela casa de veraneio onde passou grandes momentos na adolescência, se apaixonou por sua segunda namorada e viveu uma tarde inesquecível. Agora, porém, quando retorna, mais velho e pouco cuidado, já não sabe bem como se portar.

A lembrança pré-jogo, comumente, tem sido mais agradável que a ressaca pós-apito.

O gol de Pratto, com menos de dois minutos, pareceu mais com os toques de chapa de Luis Fabiano contra o Cruzmaltino, de primeira, quando ainda vestia a camisa Tricolor, do que com a cabeçada histórica de Sorato.

Sinal de que alguns fantasmas também morrem. Ou ao menos dão lugar a outros, vez ou outra.

Verdade é que, o jogo do bicampeonato nacional dos vascaínos, em 1989, é apenas uma memória distante, refrescada por um velho vídeo que raramente recebe um remake. O último, em 2012.

É difícil vencer no Morumbi, principalmente quando se porta de forma receosa.

O São Paulo montou o palco perfeito para sua redenção no campeonato: anunciou Hernanes ao amanhecer, atraiu seu torcedor e pressionou desde o início. O Vasco, por sua vez, respondeu acertando com Anderson Martins, mas chegou sem Nenê e com pouquíssima inspiração – como de costume – para criar.

Duas lembranças vitoriosas do passado que retornam em presentes conturbados. Memórias tão afetivas quanto gol de título, que espera que se repita num looping infinito de um gif, sem intervenções temporais.

Nem sempre é assim.

O cruzamento de Wink, por exemplo, foi tentado 22 vezes pelos vascaínos nesta noite e apenas Evander conseguiu chegar próximo do tento. Renan Ribeiro salvou, no único bom momento ofensivo do Vasco na partida.

Em campo, as recordações recentes foram esquecidas.

Paulo Vítor, Paulinho e Guilherme Costa, destaques nas últimas partidas, seguiram no banco. Apenas dois entraram no decorrer no jogo e conseguiram mudar a intensidade do time.

Já Escudero, antes tido como dispensável, e Pikachu, pouco efetivo nos últimos jogos, fecharam a trinca de meio com Wagner, o único do trio a buscar algo.

Mais atrás, Bruno Paulista fez questão de tentar suprir a saudade deixada por Douglas Luiz. E com eficiência.

Foi o mais lúcido do time, com excelentes finalizações de fora da área, boas viradas de jogo e muito combate defensivo, apesar da falta de ritmo.

Num time que atua melhor sem a bola, pois assim erra menos, foi a exceção ao mostrar que é capaz de jogar com ela, sem medo e com mais chances de acerto. Mostrou a lucidez de quem vive o presente, não somente o passado.

Bruno foi o único vascaíno a deixar uma memória sua no Morumbi nesta noite.



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