A leitura de Jorginho



Jorge Henrique voltou a ser titular com Jorginho (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco)

Jorge Henrique voltou a ser titular com Jorginho (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco)

No dia 29 de outubro, comemorou-se o Dia Nacional do Livro. Escrever é difícil. Muito. Sei bem, já escrevi um. Porém, ler corretamente também é complicado. No futebol, principalmente. Muitas vezes, até se lê de forma certa, mas não se entende. Questão de interpretação.

Antes da bola rolar para Brasil de Pelotas e Vasco, Jorginho deu uma entrevista bem lúcida para o repórter da SporTv e disse: “Sabemos que eles são bons na bola parada”. Ou algo similar.

Em campo, porém, as mudanças no time titular mostravam uma preocupação diferente. Com a volta de Luan e a entrada de Jorge Henrique, o time perdeu em estatura. O retorno do zagueiro era previsível, mas o do atacante não. Com 38 segundos, a equipe gaúcha já quase havia marcado duas vezes: pelo meio, onde JH deveria recompôr, e no escanteio, quando a defesa perdeu no alto.

Jorginho leu certo os riscos, mas interpretou erradamente as soluções.

Em menos de um minuto, o time sentiu falta de mais um meia no gramado – de ofício, para prender a bola e organizar – e de um jogador mais alto para contribuir na bola aérea.

Sem um centroavante na área – ou qualquer outro jogador que incomodasse os zagueiros -, o Vasco criou um efeito em cascata. Em direção à sua defesa. Leandro Leite e Washington tomaram conta do meio-campo, o zagueiros do Brasil, sem ter a quem marcar, ficaram na cobertura, e Diogo Oliveira teve tranquilidade para criar. E dele saiu o primeiro gol.

Contrariando a propaganda de seu programa de sócio torcedor estampado na camisa – Seja um Gigante -, o Cruz-Maltino aceitou o jogo dessa maneira, de forma pequena, e manteve a previsibilidade. Buscou alguns ataques já manjados desde o Carioca 2015, com Madson pela direita – sem sucesso -, e cruzamentos de Nenê da intermediária. Porém, sem nenhum jogador com mais de 1,80m na área para cabecear. Melhor para Leandro Camilo, um dos defensores com mais rebatidas na Série B, e Cirilo, ambos com 1,88m.

Mais um problema na leitura de Jorginho.

Erros que foram corrigidos no intervalo. Thalles entrou, Nenê foi para a esquerda, antes ocupada por Jorge Henrique, e o gol saiu. ‘Mas Garone, ele nem tocou na bola!’. É verdade, mas a imagem abaixo mostra bem como se comportou a defesa do Brasil: os dois zagueiros estavam em Thalles. Quando Ederson saiu da área, abriu espaço para a penetração do camisa 10, que só foi receber combate quando já estava na área. Enquanto isso, Douglas entrava livre por trás. Gol do Vasco.

Por baixo, não pelo alto.

Zaga fica em Thalles e se atrasa para dar bote em Nenê; Douglas chega livre (Foto: Reprodução/SporTv)

Zaga fica em Thalles e se atrasa para dar bote em Nenê; Douglas chega livre (Foto: Reprodução/SporTv)

O gol de empate mostrou bem a diferença entre mudar peças e alterar o conceito. Sem tocar na bola, a entrada de Thalles gerou uma mudança no comportamento adversário. Consequentemente, no próprio Vasco. E é esse encaixe que tem faltado ao time desde o início dos jogos.

É aquela velha máxima: técnico que mexe bem, escalou mal. Leu certo em linhas tortas.

No fim, todos os erros vascaínos – que praticamente parou após o empate – foram castigados com o gol da vitória do Brasil, em um erro na linha de impedimento que não pode ser natural após dez dias de treinamento. Madson ficou. Marcos Paraná fincou.

Agora, o Vasco mantém o risco de ficar na Série B bem alto. Seria o 4º rebaixamento do clube. O pior de todos.



  • Paulo Wagner

    Não vai subir! Venho dizendo isso há umas 10 rodadas. O Vasco vem em franca decadência, enquanto os adversários diretos estão em ascensão. O time vem jogando mal há seis meses e nem Jorginho, nem a direção, viram isso. Jorginho teve seis meses para acertar o time, mas preferiu insistir no Aislan e no Diguinho da vida, jogando pontos preciosos no lixo por conta de erros individuais. O Vasco não é casa de caridade para jogadores em fim de carreira. A direção não entendeu isso e o Jorginho não entendeu isso também. Agora, só resta rezar. Porque o time é fraco. Se subir, cai de novo.

  • Dirceu

    Exigimos interpretação de leitura para aqueles que sabem ler, mas do Jorginho nada podemos, pois ele nunca soube ler.
    Nosso incompententes técnico, teve agora mais 10 dias para trabalhar e, mais uma vez, não fez nada.
    Colocou o inútil Jorge Henrique, que não é atacante, nem meia, um porralouca.
    Não existe uma só jogada ensaiada e o time se resume às bolas paradas. Aonde fica a sua criatividade, se ele sempre nos apresenta as mesmas soluções?
    É uma vergonha estarmos passando por esta situação. Nossos dirigentes são os responsáveis pela depreciação acelerada experimentada por nosso clube.
    Imaginem o vexame, se não subirmos para a série A?
    Só uma verdadeira implosão para reconstruirmos nosso Vasco.

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