Jorginho mudou as peças do Vasco, mas não a postura do time



Vasco empatou a terceira seguida na Série B (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco)

Vasco empatou a terceira seguida na Série B (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco)

Bola no campo de defesa do Vasco, zagueiros e Diguinho trocam passes – por vezes até Martin Silva – e mais ninguém aparece na telinha.

A cena se repete inúmeras vezes durante os 90 minutos de jogo. O fim do televisor parece ser a Linha do Equador de Jorginho, dividindo o time vascaíno entre trocadores de passes e espectadores da partida. Três tocam, oito olham.

O único com liberdade para cruzar a linha é Andrezinho. O único interessado, ao que parece, em ter a bola nos pés.

Jorginho mudou os nomes, as peças, mas não a postura do time. Por vezes, o time se porta em campo como botões em uma prancheta, sem aproximação, com jogadores apenas guardando posição, fixos.

Contra o Tupi, o treinador começou com Pikachu no lugar de Madson, Fellype Gabriel estreando no meio-campo, jogando pela direita, e Leandrão centralizado no ataque. Apesar das alterações na estrutura pelo lado de Yago, optou por jogar quase sempre pela esquerda.

Na partida deste sábado, Júlio César tocou 54 vezes na bola. Pikachu, apenas 20. Contra o Sampaio Corrêa, Madson foi acionado em 45 oportunidades. Na ocasião, o camisa 6 deu apenas 24 passes. Ou seja, Jorginho colocou um lateral mais ofensivo pela direita mas optou por explorar o lado esquerdo.

Com a saída de bola comprometida, sendo concentrada quase que exclusivamente sobre Diguinho – pela Copa do Brasil, o Santos já havia explorado a blitz em cima do volante – e sem o apoio dos laterais nesta transição, a posse de bola vascaína segue alta mas com baixo potencial de criação.

Toca mas não ataca.

Na defesa, a bola aérea segue dando trabalho. Novamente em cima de Diguinho. Assim como no jogo contra o Peixe, o camisa 5 perdeu no alto e o adversário não perdoou. Outra questão para Jorginho: voltar ou não com Marcelo Mattos, melhor no jogo aéreo?

Entre peças e esquemas que precisam ser aperfeiçoados e trabalhados, o técnico cruz-maltino precisa mudar a postura do time. É normal ter atuações abaixo da crítica, mas não é comum jogadores caminhando em campo após perderem a bola.

Recompor de forma organizada é coisa para se consertar no treino, mas não recompor é algo para ser resolvvido no vestiário.

Gentil Cardoso já dizia que ‘quem se desloca recebe, quem pede tem preferência’. Tá faltando essa briga aí no Vasco, pra ver quem fica com a bola, não quem vai se desvencilhar mais rápido dela.

E o Vasco segue passivo, enquanto sua torcida aguarda que volte a ser passional.



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