Jorginho e o lugar comum



Henrique foi titular na lateral-esquerda (Foto: Carlos Gregorio Jr/Vasco)

Henrique foi titular na lateral-esquerda (Foto: Carlos Gregorio Jr/Vasco)

É comum ligar a televisão nos principais programas de debates esportivos e ouvir a velha discussão sobre manter ou não o treinador no cargo. Críticas e mais críticas aos dirigentes por não darem tempo aos técnicos para colocarem seus trabalhos em prática. Concordo.

Em partes.

Nos últimos anos tenho me feito umas perguntas inversas, que poucos parecem fazer: quantos treinadores brasileiros são capazes de manter um trabalho consistente por um ano ou mais? Quantos fizeram o caminho inverso, apresentando resultados nos primeiros três meses e depois descendo a ladeira? Quantos se mostraram capazes de se reinventar após tropeços?

Quase nenhum. Por isso Tite sobra na turma.

Espera-se que o tempo ajude a aprimorar a qualidade do produto, não o inverso. E Jorginho caminha para cair no lugar comum nessa história, após um bom início no Vasco.

O treinador vascaíno ‘perdeu a mão’ nos últimos meses. Chega em setembro sem uma equipe definida, sem um padrão tático escolhido e com testes que parecem beirar o desespero. Um exemplo: Pikachu atuou como lateral no fim de semana, como meia pela direita no 1º tempo contra o Goiás e atacante pela esquerda na etapa final.

Alterações que demonstram mais uma ânsia por acertar, custe o que custar, do que confiança no trabalho que fez durante a semana. Por mais que os jogos se mostrem diferentes depois que a bola rola, não é normal alterar duas, três, até quatro vezes a disposição tática do time em uma mesma partida. Menos ainda fazer isso toda rodada.

Contra o Goiás, Jorginho abriu novamente a mão de um volante mais pegador, o que já havia dado brechas para o Oeste no fim de semana. Optou por voltar com Madson e adiantar Pikachu ao invés de colocar William, por exemplo, para equilibrar.

Não deu certo – ou continuou não dando -, e no intervalo, após praticamente assistir os goianos jogarem sozinhos, lançou Marcelo Mattos em campo em busca do equilíbrio. Porém, sacou um atacante – Ederson – ao invés de manter a formação recuando Yago para a lateral.

É verdade que o Vasco melhorou nos últimos 45 minutos, mas não pelas peças ou formação. A atitude, mais incisiva no ataque e com uma marcação adiantada, é que mudou. E parou após abrir o placar – como de costume. Ainda assim, Martin Silva seguia tendo trabalho.

O gol de Mattos é daquelas ironias que quase – eu disse quase – irritam o torcedor e enchem de orgulho o treinador. Mas é uma falsa sensação de acerto. O gol de Léo Gamalho ‘corrigiu’ isso. Também no jogo aéreo, arma de quem tem dificuldades pelo chão. E os dois tiveram.

Ninguém sabe qual Vasco jogará na sexta-feira, contra o Joinville. Talvez nem Jorginho. Entre inventar e se reinventar, o treinador precisa antes se redefinir. E definir.



  • Alessandro Louzada

    Concordo em partes! Jorginho tem se mostrado perdido pois nao tem peças certas pra seu esquema predileto, MALDITO LOSANGO! Foi assim no Flamengo e continua sendo no Vasco. Admito que é uma formaçao boa assim como o 4-1-4-1 de Tite, mas ao contrario de Tite que possui variacoes taticas para o 4-2-3-1 / 4-5-1 e 4-3-3, Jorginho acaba se perdendo quando seu esquema nao encaixa. O que me deixa indignado é a insistencia dele com Pikachu no meio, Douglas como primeiro volante e Andrezinho como segundo.
    Gostei do Pikachu de ponta esquerda e do Alan na lateral.

    • Junior Peixoto

      Se vc não consegue montar o esquema que quer por não ter peças, precisa se adaptar pra usar o que tem em mãos. O Vasco tem um elenco mediano, se jogasse a série A passaria muito aperto. Mas, pra série B o elenco é muito melhor que qualquer adversário.
      Ele tem sim peças suficientes pra montar um bom time, o problema dele é seguir insistindo SEMPRE nas mesmas peças. E as substituições tbm são sempre as mesmas, só ontem que ele variou um pouco.
      Infelizmente ele tem errado mais do que acertado e o Vaso só se mantem onde está pq a série B é muito fraca.

      • Alessandro Louzada

        Foi exatamente isso que disse amigo, insiste no Losango sem ter a peças pra jogar dessa forma.

  • Jorge Willian

    Jorginho está perdido. Ele mexeu num time que estava todo montado e jogando com padrão. Ele tirou Julio Dos Santos do time e desde então o Vasco caiu. Jogo aéreo na zaga do Vasco sem Julio Dos Santos é uma festa. Ele insistiu com Diguinho durante muito tempo, um jogador baixo e de pouca técnica. No jogo de ontem ele provou que não estuda o adversário e a partida. O Vasco ganhando por 1 a 0, o Goiás põe Léo Gamalho no jogo. Óbvio que eles iriam cruzar a bola na área. Era pra ele ter levado Aislan que tem 1,93 no banco pra essa situação. E durante o jogo, era pra ele ter posto Julio Dos Santos de 1,88 na hora que Gamalho entrou. Jorginho faz muita merda no Vasco. É incrível como ele consegue fazer besteiras. O Goiás ontem poês Léo Gamalho e ficou com Marcão só pra fazer jogo aéreo e Jorginho foi incapaz de por uma jogador mais alto pra combater isso. Sem contar os outros jogos que ele não consegue fazer nada. Ele perdeu a mãe do time. Não sabe se joga Madson ou Pikachu, não sabe se joga Mattos, Diguinho ou Douglas. Cadê Bruno Galo? Por que ele barrou Julio Dos Santos e ainda não voltou com ele após ver que sem ele a defesa do Vasco virou uma peneira? E William Oliveira? Começou tão bem e nem joga mais? Jorge Henrique é atacante? Ederson não é centro avante? Por que Jorginho e o departamento de futebol não bateram o pé pra Eurico Miranda pedindo pra Riascos e Vaz ficarem? Sinceramente… Eu acho que se Jorginho ficar o Vasco não vai nem subir.

  • Marcos Vinícius

    Vamos ver por um outro ângulo;

    Que opções Jorginho tem para fazer alterações na forma de jogar do time durante o jogo? Quais são as peças que podem entrar em campo e mudar um jogo,ou a forma do time jogar?

    O elenco do Vasco é reduzidíssimo,Jorginho tem poucas opções,e ainda é obrigado a mesclar jovens promessas,muitas vezes por falta de opção,com um time mediano. O time do Vasco não é bom,é mediano,razoável,e deu a impressão no começo do campeonato que poderia passar com um pé nas costas,até apertar a sequência de jogos,ter que jogar mais de uma competição,começar a lidar com contusões,suspensões e fadigas musculares,como sempre acontece em um campeonato duro e longo.

    Podem falar o que for do Eurico,mas tirem o chapéu para o homem: o cara entende de futebol. Sabe que treinador não monta time de um dia para o outro,e nem com peças de qualidade discutível. Ele sabe o que Jorginho tem em mãos,afinal,foi ele quem deu.

    Jorginho tem a obrigação de fazer o Vasco subir,tentar tornar realidade algumas promessas,para que ajudem o clube financeiramente. Creio que ele cumprirá com alguma folga a primeira proposta,e Douglas Silva me faz acreditar que parte da segunda proposta está bem encaminhada.

    Jorginho não é treinador top de linha,mas faz mágica com o que tem em mãos. Se Yago Pikachu executou diversas funções em alguns jogos,palmas para ele,pois num elenco limitado em quantidade e qualidade,prova ser versátil.

    • Fred LWM

      Mágica, só se foi quando ficou 34 jogos invicto, porque depois da perda da invencibilidade, a campanha é simplesmente ridícula (8V 6E 7D) jogando contra essas porcarias da Série B e da Copa do Brasil. Se o elenco do Vasco é limitado, não deixa de ser superior a todos os outros adversários, tirando o Santos, único jogo contra um grande nesse pífio aproveitamento.

      E até naquela sequência invicta o Vasco era altamente dependente de gols em bolas paradas. Isso não tem a ver só com qualidade do elenco, tem muito dedo técnico, que já começa matando o time bancando o Jorge Henrique, um quase inútil no ataque. Se o problema é marcação, que ele se vire sem precisar sacrificar uma posição.

  • Dirceu

    Meus parabéns pelo seu equilibrado e correto comentário.
    Nosso Jorginho, como tenho dito há muito tempo, está completamente perdido. Não sabe o que quer e não sabe o que fazer. Experimenta de tudo, faz uma confusão total com o time, perdeu a mão.
    Só a sorte fará com que, ao jogar para o alto todas as peças, elas caiam numa posição que faça sentido. Mas como isso teria uma probabilidade quase nula, o que podemos esperar são mais dias de sofrimento, de futebol ridículo, sem qualidade. Além disso, estaremos perdendo um tempo precioso para a formação de uma equipe básica sobre a qual pudéssemos adicionar alguns valores e ter um time que possa se manter na série A, interrompendo, definitivamente, esse ciclo vicioso de sob e desce.
    Quanto antes trocarmos nosso técnico, mais cedo estaremos assegurando a possibilidade de viabilizarmos o nosso futuro.

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