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Há (mais) vida no Vasco sem Nenê



Coletivo do Vasco melhorou sem o camisa 10 (foto: Carlos Gregório Jr/Vasco)

Nenê, por quase três anos, foi peça importante no Vasco. Principal garçom e artilheiro do time.  Mas será que isso era bom?

O que no início parecia um sinal de liderança técnica, aos poucos foi se tornando uma dependência nociva. O Vasco havia desaprendido a jogar sem o seu camisa 10. E por conta da idade do jogador e da previsibilidade da equipe, precisava se reinventar com ou sem ele em campo. A saída do meia para o São Paulo não deixou outra alternativa.

Não é opinião, é um dado. Segundo o Footstats, no Brasileirão no ano passado, o apoiador foi quem mais iniciou a jogadas de construção ofensiva do Cruz-Maltino, desde o 4º passe, ainda na defesa, até a finalização. Era como se Nenê cruzasse e cabeceasse.

Na construção ofensiva no BR-17, tanto dos gols quanto das finalizações, Nenê aparece em 7 das 8 posições (Fonte: Footstats)

Isso mostra um jogador participativo ofensivamente, mas um time desequilibrado e sem variações de jogadas. Anulava-se Nenê, e a equipe ficava dependente de um lance de jogada parada – como muitas vezes ocorreu – ou se contentava com placares zerados.

Não à toa, em 2017, o clube teve o seu pior desempenho ofensivo dos últimos 45 anos.

As únicas vitórias da equipe em 2018 saíram sem o meia em campo. E com muitos gols. Contra Nova Iguaçu, Universidad Concepcíon e Volta Redonda, foram 11 gols marcados. Com o meia, dois jogos, duas derrotas – Bangu e Cabofriense – e apenas um gol anotado, exatamente pelo apoiador, de pênalti. Em falta sofrida também por ele.

Sem Nenê, o Vasco varia mais as suas jogadas. Thiago Galhardo e Evander, que fizeram o papel do 10 nas últimas partidas, ajudam na criação e na finalização, mas sem centralizar as jogadas. Rildo e Paulinho, pelos lados, auxiliam mais nessa construção ofensiva, assim como os laterais. Henrique, por exemplo, é o líder de assistências da equipe nestes primeiros jogos, com dois cruzamentos certeiros. Antes, era Nenê quem fazia os principais levantamentos, muitas vezes numa tentativa forçada, já que não haviam opções.

Aos poucos os volantes também vão participando mais desta criação de jogadas. Não necessariamente com assistências diretas, mas com o 3º ou 4º passe, tirando o peso do retorno constante dos homens de frente. Desábato, Andrey e Bruno Paulista têm sido mais participativos na transição. Wellington, aos poucos, também vai entrando em forma e melhorando seu desempenho na função, como no 1º tempo contra os chilenos.

À esquerda, a construção ofensiva do Vasco no Carioca; à direita, na Libertadores (Fonte: Footstats)

Em apenas seis jogos na temporada, 12 jogadores já participaram diretamente com gols e assistências. No mesmo período, no ano passado, apenas oito atletas haviam contribuído nos tentos. Um aumento de 50%.

A qualidade individual de Nenê sempre fará falta em qualquer equipe, muitas vezes é este poder de definição em um lance que define uma partida. Mas se tornar dependente exclusivamente disso não é um ponto positivo. O Vasco vivia essa simbiose nociva com o seu camisa 10. Agora, começa a colher os frutos da coletividade, que aos poucos Zé Ricardo vem conseguindo dar ao novo time montado.

Há vida no Vasco sem Nenê. Talvez até mais do que antes.



  • Edison Lopes

    Muito boa análise Garone. Acredito que vamos formar uma equipe onde todos possam dividir as responsabilidades.

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Autor

André Schmidt

Formando em Jornalismo, André Schmidt escreve desde 2008 para sites e blogues esportivos. Como convidado, já produziu textos para Jornal dos Sports, Jornal do Brahmeiro, Trivela e Goal. Manteve também colunas em Os Geraldinos, pertencente a Placar na época (2011), SãoJanuário.Net e SuperVasco, além de ter tido matérias e pesquisas publicadas no Jornal Marca e no site NetVasco. Desde junho de 2014 trabalha no Grupo LANCE!, quando foi convidado para fazer parte da equipe de Mídias Sociais durante a Copa do Mundo.

andrefschmidt@gmail.com

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