A fruta seca de Cristóvão



Vasco de Cristóvão não vem bem em 2017 (Foto: Divulgação/Vasco)

Vasco de Cristóvão não vem bem em 2017 (Foto: Divulgação/Vasco)

Não há mais suco que Cristóvão consiga tirar do Vasco.

Não que o caldo tenha terminado, mas a sensação é de não haver forças do treinador para extraí-lo. O que se viu contra o Macaé foi um time mórbido, pálido, combalido em campo. Onze zumbis sentenciados a repetirem os mesmos movimentos lentos até que alguém venha a estourar os seus miolos.

O elenco cruz-maltino tem a alma de um velho senhor já desgostoso da vida. Aguarda deitado, sonolento, apenas o último chamado. Aparenta uma falsa tranquilidade no trato com a bola que, na verdade, é um esconderijo para o medo de errar. Toda bola é morosa, seja rasteira ou aérea.

Se o árbitro acrescesse pelo tempo em que a pelota viajou nos passes vascaínos, certamente ainda estaríamos aqui, reunidos, assistindo ao jogo neste momento.

O futebol vascaíno tem a alegria de uma fila bancária.

Visto de cima, muitas vezes parece um time de botão, disposto de forma aleatória no gramado. Espaçado pelo talco que o faz deslizar. De um lado, corre demais. No outro, trava. E quando ataca, fica.

O time tem a organização de um armário de solteiro, o ímpeto de um recém-nascido em sono profundo, o poder de reação de um gás nobre e a passividade do olhar de seu treinador, portador do carisma de um talo de taioba. A sensação que dá é que se alguém der um tapa num jogador vascaíno, ele pedirá desculpas por ter lhe deixado a mão vermelha.

Se o sentimento do grupo é outro, não é em campo, nos 90 minutos, que tem demonstrado.

Não sei se é apenas algo refletido pelo treinador ou um comportamento já intrínseco neste elenco, pois em termos de atitude, pouco se difere do que foi visto no fim da Série B de 2016. Mas é algo que precisa ser extirpado o quanto antes do clube.

Certo é que Cristóvão não tem mostrado força para espremer esta morosidade do time. Nem para organizá-lo. Menos ainda para criar um clima ameno entre equipe e torcida, tão importante neste momento.



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