A fragilidade vascaína, o gol sem querer e os 100 anos de Chacrinha



Nenê passou em branco contra a Chape (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

Nenê passou em branco contra a Chape (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

O Vasco é um time frágil. Protegido pelo concreto de São Januário mas sem a alma de seus torcedores – ainda que de fora alguns tentassem dar vida às arquibancadas vazias -, perde a carapaça que por tanto tempo lhe fez mais forte.

Um estádio vazio é um coração sem amor. No dia em que – o vascaíno – Chacrinha completaria 100 anos, fez falta a gloriosa buzina. Nesse caso, a da arquibancada. Aquela, do incentivo sem pudor, feito de maneira turva e passional.

Como já dizia o grande José Abelardo Barbosa de Medeiros: na tv nada se cria, tudo se copia. Até os jogos ao vivo, ao que parece.

Contra a Chapecoense, o Cruzmaltino repetiu exatamente o mesmo roteiro do último jogo, contra o Sport, mesmo alterando a função de alguns: dificuldade quando pressionado na saída de bola – principalmente com Jean -, erros de finalização em abundância e uma facilidade impressionante de sofrer gols.

De melhor, o maior volume de criação. De pior, a igual dificuldade para finalização.

O próprio gol vascaíno precisou ser repetido para sair. A bola de Wellington – que atuou com mais liberdade para avançar – na direita já havia sido testada com Pikachu com um minuto de jogo e o meia não conseguiu concretizar a jogada. Madson, por sua vez, foi perfeito no cruzamento para Andrés Rios completar para as redes.

Uma triangulação tão improvável que chegou a abrir sol na tarde chuvosa do Rio de Janeiro. Mas que foi freada facilmente na etapa final, quando deixou de ser uma surpresa.

Foi uma espécie de remake que começou um pouco melhorado, com algumas boas cenas – principalmente pela direita -, mas com um final igual e previsível. O time que se destabilizava quando saia atrás no placar, hoje muda de face ao começar vencendo.

Depois do tento, o que se viu foi um Vasco irritantemente lento e inofensivo, como um dia de domingo após o almoço. E um time que se recusa a atacar antes do apito final está sujeito aos piores castigos, até mesmo sofrer um gol sem querer.

Isso mesmo, Reinaldo encobriu Martin Silva, que não cobriu o que tem como dever, sem ter a intenção.

Sofrer um gol de cruzamento é algo que se assemelha a engravidar com um beijo. O levantamento, assim como o beijo, é somente um preparativo, não o gol. Parece impossível, mas se estiver na posição certa, na hora errada e desprotegido – literalmente de calças arreadas -, acontece. Basta com que não preste atenção no todo.

Disse que o Vasco foi inofensivo, e repito: mesmo com maior posse, a equipe de Zé Ricardo levava menos perigo trocando 30 passes por cada avanço no 2º tempo do que a Chape com uma ligação direta entre o goleiro Jandrei e o equatoriano Penilla. Por faltar objetividade com a bola.

E quando teve as oportunidades, as jogou fora como se fossem camisas políticas do anos 90.

O gol perdido por Rios, sem goleiro, é daquelas cenas imperdoáveis. Tanto para o atacante quanto para a torcida. E ele conseguiu fazê-la por duas vezes. A segunda, de calcanhar, bem mais difícil, é verdade, mas a de cabeça… Se o delay entre a tv dos torcedores nos arredores de São Januário fosse invertido, daria tempo de um deles ir lá empurrar para as redes, tamanha a facilidade com que a bola se apresentou para o atacante.

O Vasco dá a vida para fazer um gol, e morre de tropeção, como em filme de terror barato, para sofrer outro. Essa tem sido a tônica da equipe. Uma fragilidade de um time que tem dificuldades para conversar entre si quando pressionado ou obrigado a propôr o jogo.

E como diria Chacrinha: quem não se comunica…



  • Egberto Casazza

    A irregularidade do time é fruto desta gestão de futebol desastrosa que tivemos nesta temporada. Como esperar um time consciente e entrosado se apenas três dos jogadores em campo ontem faziam parte do time base no primeiro semestre? Não canso de lembrar, começamos o campeonato sem uma dupla de zaga titular! Não seremos campeões de nada e dificilmente vamos para Libertadores. Nossa meta para esse fim de temporada é arrumar uma boa forma de jogar, entrosar este elenco e criar uma base para que os reforços e os novos jogadores que entrarem em campo ano que vem saibam o que fazer com a bola e qualifiquem o futebol do nosso clube.

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